Território MLS
·17 de setembro de 2026
Prince Owusu marca duas vezes, Montréal elimina Vancouver Whitecaps e vai à final do Canadian Championship

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CF Montréal venceu por 2 a 1 no Stade Saputo, fechou a semifinal em 3 a 2 no agregado e encerrou a sequência de quatro títulos consecutivos do Whitecaps
O CF Montréal está na final do Canadian Championship. Nesta quarta-feira (16), a equipe venceu o Vancouver Whitecaps por 2 a 1, no Stade Saputo, e garantiu a classificação por 3 a 2 no placar agregado, depois do empate por 1 a 1 na primeira partida. Prince Owusu marcou os dois gols do Montréal, enquanto Emmanuel Sabbi descontou nos acréscimos.
O resultado leva o clube à sua primeira final desde 2023, justamente quando também enfrentou o Vancouver e terminou derrotado. Agora, o adversário será o Forge FC, no dia 21 de outubro, novamente no Stade Saputo. O Montréal busca seu sexto título da competição e o primeiro desde 2021.
O Montréal começou tentando acelerar sempre que encontrava espaço. Aos dez minutos, Prince Owusu ganhou uma disputa pelo alto no lado esquerdo, carregou em direção ao meio e virou o jogo para Wiki Carmona, que recebeu pela direita, cortou para dentro e finalizou de longe, mandando a bola perto da trave de Isaac Boehmer.
O Vancouver respondeu pouco depois. Aos 13, a equipe recuperou a bola já no campo ofensivo, Jeevan Badwal participou da construção e Ryan Gauld recebeu perto da entrada da área, conseguindo a finalização, mas mandando para fora. O Whitecaps passou a ter mais a bola, enquanto o Montréal buscava principalmente os espaços deixados quando conseguia recuperar a posse.
Aos 27 minutos veio o lance que abriu o jogo. Dante Sealy lançou buscando Daniel Ríos, que disputou a bola pelo alto com Sam Adekugbe e caiu dentro da área. Inicialmente o árbitro mandou o jogo seguir, mas Philippe Eullaffroy utilizou o Football Video Support para pedir a revisão, a jogada foi analisada e o pênalti marcado depois do contato de Adekugbe sobre o atacante.
Prince Owusu bateu no canto para fazer 1 a 0, colocando o Montréal na frente também no agregado.
O Whitecaps tentou responder e Ryan Gauld voltou a aparecer como principal jogador da equipe na criação. Em uma das melhores jogadas do primeiro tempo, o escocês combinou com Thomas Müller, entrou na área e conseguiu a finalização, mas Jalen Neal apareceu na cobertura para desviar e evitar o empate. Pouco depois, Tristan Blackmon encontrou Édier Ocampo com um ótimo lançamento desde o campo defensivo, o lateral atacou o espaço, deixou a marcação para trás e saiu na frente de Sébastian Breza, que conseguiu fechar o ângulo e salvar o Montréal.
Quando o Vancouver parecia mais próximo do empate, um erro defensivo abriu o caminho para o segundo. Aos 45 minutos, Matty Longstaff encontrou Owusu atacando o espaço atrás da defesa, Mathías Laborda não conseguiu cortar a bola e o centroavante ficou cara a cara com Boehmer, esperou o goleiro cair e finalizou com tranquilidade para fazer 2 a 0 antes do intervalo.
O Vancouver voltou para o segundo tempo com mudanças e aumentou a presença ofensiva. Brian White e Tate Johnson entraram ainda no intervalo, enquanto Bruno Caicedo e Emmanuel Sabbi foram acionados pouco depois, e o time passou a empurrar o Montréal para mais perto de sua área.
Badwal ganhou cada vez mais participação pelo meio e pelo lado direito, enquanto Ocampo teve outra grande oportunidade depois de aparecer livre dentro da área, mas finalizou muito mal e mandou por cima. O Whitecaps continuou tentando criar principalmente através das combinações de Gauld, Müller e Badwal, mas encontrou uma defesa do Montréal muito compacta perto da área.
O time da casa também teve a chance de praticamente encerrar a semifinal. Noah Streit fez uma grande jogada no meio e encontrou Alexis Sánchez completamente livre atacando a última linha, o chileno saiu em excelente condição, mas demorou para finalizar, tentou cortar a marcação e permitiu a recuperação de Laborda, desperdiçando uma oportunidade enorme para marcar o terceiro.
A pressão do Vancouver deu resultado só nos acréscimo. Bruno Caicedo encontrou Jeevan Badwal avançando pela direita, o meio-campista se esticou para cruzar e Emmanuel Sabbi apareceu no meio da área para diminuir para 2 a 1.
O Whitecaps ainda tentou uma última pressão nos minutos finais, mas não conseguiu chegar ao segundo gol, e o apito final confirmou o Montréal de volta à decisão do Canadian Championship.
Prince Owusu — craque do jogo: dois chutes, dois gols e uma vaga na final praticamente resolvida pelos pés do camisa 9. Owusu vinha de quatro partidas sem marcar e ainda carregava o pênalti desperdiçado contra o Philadelphia Union, quando teve a oportunidade de empatar aquela partida, mas voltou a assumir a cobrança contra o Caps, marcou e depois mostrou muita tranquilidade para aproveitar o erro de Mathías Laborda e marcar novamente antes do intervalo. O ganês chegou a 16 gols e seis assistências em todas as competições nesta temporada, já superando as 20 participações diretas que teve em 2025, quando terminou seu primeiro ano no Montréal com 17 gols e três assistências. Jeevan Badwal: se o Vancouver tivesse aproveitado metade das grandes oportunidades criadas pelo meio-campista, a história da semifinal seria diferente. Badwal participou constantemente da construção e terminou o jogo com quatro chances criadas, além da assistência para Emmanuel Sabbi diminuir nos acréscimos, quando se esticou pelo lado direito e colocou a bola no meio da área. Aos 20 anos, acaba de receber sua segunda convocação para a seleção principal do Canadá e vem ganhando cada vez mais espaço no Whitecaps, é difícil imaginar que não esteja muito próximo de se tornar titular com frequência, porque tem intensidade, qualidade com a bola e uma capacidade de acelerar o jogo que já chama atenção em um elenco que perdeu peças importantes nos últimos meses.
Jalen Neal: merece esse destaque há algumas partidas. Mesmo durante a sequência ruim do Montréal, o zagueiro vem mantendo um nível muito alto individualmente, terminou o jogo contra o Vancouver novamente com enorme presença defensiva, salvou uma finalização perigosa de Ryan Gauld no primeiro tempo e foi muito importante para ajudar o Montreal suportar o volume ofensivo do Whitecaps durante boa parte da segunda etapa. 📝 Análise da partida
A classificação do Montréal não é uma transformação da equipe quando muda da MLS para outra competição, o Montréal que eliminou o Vancouver é muito parecido com aquele que venceu apenas uma das últimas 14 partidas de MLS, joga praticamente da mesma maneira, mantém a mesma ideia e continua apresentando muitas das qualidades que já aparecem mesmo nas derrotas, a grande diferença desta vez foi a eficiência. Isso também diz bastante sobre o momento dos clubes canadenses da MLS. O Toronto FC sequer chegou perto desta fase, eliminado pelo Atlético Ottawa na primeira fase do torneio, o Montréal ocupa a última colocação do Leste e atravessa mais uma temporada complicada, enquanto o Vancouver continua líder da Conferência Oeste e com uma das melhores campanhas gerais da MLS, mas essa classificação ainda carrega muito do que a equipe construiu antes da Copa do Mundo. O Whitecaps pós-Copa é muito diferente daquele que dominou boa parte do primeiro semestre, em dez partidas de MLS nesse recorte soma três vitórias, três empates e quatro derrotas, sendo que quatro das seis derrotas da equipe em toda a liga aconteceram depois da pausa.
A saída de Sebastian Berhalter pesa muito nisso, assim como outras mudanças que desmontaram parte da estrutura que fez o Caps funcionar tão bem, então olhar para a tabela e tratar a vitória como “o último colocado do Leste eliminando o líder do Oeste” não explica o jogo. O Whitecaps ainda tem jogadores de muita qualidade e produziu o suficiente para mudar completamente a semifinal, mas hoje é uma equipe bem menos organizada e muito menos confiável do que aquela que começou a temporada. Mesmo assim, essa partida também mostrou que Jesper Sørensen possui soluções dentro do próprio elenco. Jeevan Badwal criou oportunidades suficientes para transformar o resultado e chega à seleção canadense e parece cada vez mais pronto para ocupar uma vaga entre os titulares, Ralph Priso também foi convocado por Jesse Marsch e já mostrou capacidade suficiente para receber uma sequência maior, enquanto Ryan Gauld, apesar de uma atuação abaixo do nível que vem entregando, continua sendo um jogador talentoso demais para desaparecer da estrutura da equipe. Não falta necessariamente qualidade individual para o Vancouver reagir, o desafio é encontrar novamente uma formação que consiga reunir esses nomes depois de tantas mudanças.
Do lado do Montréal, o mais importante foi conseguir jogar uma partida muito parecida com várias que já fez na MLS, mas sem pagar caro pelos próprios erros. Wikelman Carmona continuou procurando a finalização de fora sempre que recebeu espaço, Daniel Ríos voltou a oferecer movimentação ao lado de Owusu, Matty Longstaff conseguiu contribuir nos dois lados do campo e a equipe aceitou ficar longos períodos sem a bola sem abandonar completamente aquilo que queria fazer quando recuperava a posse.
A atuação defensiva foi o grande trunfo da noite. Jalen Neal, Brandan Craig, Luca Petrasso e Sébastian Breza formaram uma base muito segura durante a partida, enquanto Brayan Ceballos ainda parece um pouco atrás dos outros defensores em adaptação e regularidade. Petrasso merece bastante crédito porque praticamente abriu mão daquilo que normalmente é sua principal característica, não teve cruzamentos nem passes decisivos e ficou muito mais preocupado em defender o corredor, fazendo uma partida muito segura sem a bola.
Brandan Craig, por sua vez, continua dando motivos para receber uma sequência como titular. Philippe Eullaffroy utilizou outras combinações durante a temporada, principalmente com Efraín Morales, que também é um bom zagueiro, mas hoje é difícil justificar tirar Craig ou Neal desse time, os dois oferecem segurança, capacidade física e qualidade suficiente na construção, e a diminuição dos erros individuais quando atuam juntos não parece coincidência.
Breza também manteve o nível que vem apresentando desde o retorno da Copa, e Matty Longstaff voltou a mostrar por que é um dos jogadores tecnicamente mais completos do elenco, conseguiu ajudar na proteção da defesa, participou da saída de bola e ainda iniciou o segundo gol com o passe que encontrou Owusu atacando o espaço. Com uma carreira praticamente inteira construída em alto nível do futebol europeu, não é surpresa que seja tecnicamente acima da média tanto ofensivamente quanto defensivamente.
Na frente, a utilização de Daniel Ríos próximo de Prince Owusu em um 4-4-2 também precisa continuidade. O Montréal funcionou bem com dois atacantes ocupando a última linha, em vez de espalhar três jogadores pela frente, e o elenco oferece alternativas interessantes para ajustar o restante da estrutura, Noah Streit pode ganhar espaço, Hennadii Synchuk também entra nessa discussão e Samuel Piette continua sendo uma opção muito importante principalmente quando a partida exige mais proteção no meio.
Essas boas mudanças não arrumam a temporada do Montreal, a fase na MLS continua péssima, os problemas que apareceram durante toda a temporada continuam existindo e a vitória sobre o Whitecaps não apaga isso, mas a vitória escancara algo que falamos durante toda a temporada; existe uma ideia de jogo bastante clara. O Montréal tenta jogar da mesma maneira independentemente da competição, do adversário ou do momento, e nesta quarta-feira conseguiu acrescentar justamente aquilo que mais faltou durante boa parte da MLS, eficiência nas áreas e uma atuação defensiva sem erros individuais graves.
Foram cinco finalizações e dois gols, Prince Owusu aproveitou as duas oportunidades que teve, a defesa resistiu ao volume do Vancouver e, pela primeira vez em algum tempo, uma boa atuação terminou acompanhada do resultado.
Agora o Montréal está a 90 minutos de um título e de uma vaga na Concacaf Champions Cup de 2027. Para uma equipe que vive uma temporada tão difícil na MLS, isso muda completamente aquilo que ainda existe para disputar em 2026.
O CF Montréal enfrentará o Forge FC na final do Canadian Championship, em 21 de outubro, no Stade Saputo. Além da Voyageurs Cup, o campeão garante vaga na Concacaf Champions Cup de 2027. O Montréal busca o sexto título de sua história na competição.
Antes disso, as duas equipes voltam para a MLS já no sábado (19). O Montréal recebe o Columbus Crew, às 20h30 de Brasília, enquanto o Vancouver visita o Real Salt Lake, às 22h30.







































