Coluna do Fla
·17 de fevereiro de 2026
Problema na bola aérea, forte no contra-ataque e o que sabe do Flamengo: jornalista faz raio-x do Lanús, rival na Recopa

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·17 de fevereiro de 2026

O Lanús (ARG) chamou a atenção da torcida brasileira ao vencer a Copa Sul-Americana contra o Atlético-MG no ano passado. Por isso, o time argentino enfrentará o Flamengo na Recopa, a partir desta quinta-feira (19). Para entender um pouco mais sobre as características da equipe da Zona Sul da Grande Buenos Aires, o Coluna do Fla conversou com o jornalista Alberto Cantore, do jornal ‘La Nación’.
No bate-papo, o repórter destacou que o Lanús gosta de atrair os adversários para sair em rápido contra-ataque. Porém, o principal defeito do time é a bola aérea, um dos pontos fortes do Flamengo de Filipe Luís desde a temporada passada. O caminho da vitória do Mengão vem por aí?
— É uma equipe que sofre com o jogo aéreo. No torneio argentino, nos últimos jogos, sofreu gols por essa via e com ações parecidas, o que mostra que não consegue corrigir essa falha. Os laterais (Guidara e Marcich) são jogadores com melhor rendimento na projeção ofensiva do que na defesa e, ao não ter um número 5 de marcação, um volante central da velha escola, as laterais são espaços para serem explorados pelos rivais —, disse o jornalista, sobre os pontos fracos, antes de destacar as qualidades do time.
— A organização para defender e, a partir daí, fabricar espaços com o adiantamento do rival para jogar rápido de contra-ataque. A experiência de Carlos Izquierdoz, a voz de comando na defesa, e quem, desde o fundo do campo, marca as pautas para que a equipe se mova em bloco —, acrescentou.
Ainda de acordo com Cantore, o técnico do Lanús, Mauricio Pellegrino gosta do esquema 4-2-3-1. O meia Marcelino Moreno, que é dúvida para o jogo, é o jogador de maior desequilíbrio na parte central. Além disso, a equipe precisa de atenção pelos lados, com Eduardo ‘Toto’ Salvio e Ramiro Carrera, que abastecem o centroavante Rodrigo Castillo.
O Coluna do Fla perguntou ao jornalista que acompanha o dia a dia do Lanús sobre o que sabem do Flamengo. Alberto Cantore mostrou muito conhecimento do elenco tetracampeão da América e citou até jogadores reservas do grupo do técnico Filipe Luís.
— O Flamengo é conhecido por sua grandeza, popularidade e, atualmente, além de ser o campeão da Copa Libertadores, é uma equipe que se acostumou a estar nas decisões dos torneios internacionais e também do Brasileirão. O último rival argentino foi o Estudiantes, que sofreu e poderia ter sido goleado no jogo de ida, mas que conseguiu levar a definição para a disputa de pênaltis —, iniciou.
— Nomear um jogador de destaque é impossível, porque a formação do Flamengo é praticamente uma seleção: Rossi foi jogador do Lanús e deixou uma lembrança muito boa, além de, naquele momento, ter escolhido o Lanús em vez do Banfield (é o clássico), que também o tinha nos planos; Lucas Paquetá, De Arrascaeta, Jorginho, Saúl, Pedro, Bruno Henrique, Guillermo Varela, Nicolás De la Cruz, Jorge Carrascal, Alex Sandro, Danilo… —, concluiu.
A Recopa vai marcar o reencontro de ex-companheiros. Afinal, o hoje técnico Filipe Luís jogou com Eduardo ‘Toto’ Salvio no Atlético de Madrid (ESP), na temporada 2011/12. Mesmo com 35 anos, o atacante é peça importante na equipe e titular absoluto.
— Pela trajetória, Salvio e Izquierdoz são os dois jogadores mais destacados: atletas que jogaram no Boca, também tiveram atuações na Europa (Salvio com maior percurso e em clubes mais destacados, como Benfica e Atlético de Madrid). Mas, Moreno e Castillo são os dois jogadores com mais destaque no time atualmente —, contou.
— Pela atualidade, Marcelino Moreno e Castillo são as figuras: o número 10 jogou uma temporada no Coritiba e, em 2025, teve um ano de destaque, sendo uma das bandeiras na conquista da Copa Sul-Americana. Castillo foi uma contratação com um valor que, na época, pareceu elevado para a economia dos clubes argentinos (1.200.000 dólares), embora, com gols, o jogador tenha se valorizado e, diante de uma sondagem do Boca, o Lanús o avaliou em 10 milhões de dólares. Bou atualmente é um jogador que alterna na escalação, mas que, quando todos os titulares estão disponíveis, é reserva —, exemplificou o jornalista argentino.
Ainda no bate-papo do Coluna do Fla com o ‘La Nación’, Alberto Cantore falou sobre o clima em Lanús para a Recopa, os bons resultados recentes contra brasileiros e possíveis posturas do time. Flamengo e Lanús se enfrentam nas duas próximas quintas, com ida na Argentina e volta no Maracanã.
“O torneio argentino ficou muito compacto e, por essa razão, jogam-se duas partidas por semana: o Lanús já estreou na Copa Argentina com uma goleada contra um rival de terceira categoria e, no torneio Apertura, teve um bom início, com duas vitórias, dois empates e uma derrota. Ainda não se acendeu o clima da Recopa e muito menos o da Copa Libertadores”.
“Talvez aqui (na Argentina), no primeiro jogo, tente mostrar por momentos uma intensidade ofensiva para buscar uma diferença, embora as propostas de Pellegrino sejam de cautela. Conhecendo o potencial e a hierarquia individual que o Flamengo exibe, não observo que modifique a estratégia. O Lanús muitas vezes precisa de um golpe do rival para desenvolver uma versão mais ofensiva”.
(nota de redação: em 2025, Lanús eliminou Fluminense e ganhou final da Sul-Americana contra o Atlético-MG, fora uma vitória e um empate com o Vasco na primeira fase)
“Disputar finais por títulos internacionais para clubes que não são os mais populares (o Lanús é na zona sul da Grande Buenos Aires, mas não em nível nacional) sempre gera expectativa em seu público. Com o Atlético Mineiro, jogou partidas muito ríspidas, com graves incidentes em 1997 (houve pancadaria e invasão de campo na Argentina); é praticamente um clássico, ainda mais porque foi o finalista da Copa Sul-Americana 2025”. “Sair vitorioso contra o Fluminense no ano passado aumentou a confiança, assim como não ter perdido para o Vasco da Gama na fase de grupos. Resolver a série com o Flamengo, no entanto, é medir forças com um rival de hierarquia mais elevada. O funcionamento e os nomes, a qualidade do elenco e um diretor técnico que sabe transmitir confiança e tem uma aura vencedora fazem do Flamengo o favorito da série”.









































