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·21 de julho de 2026

Promotor rebate pedido da defesa de Armando Mendonça e nega suspeição em ação sobre desvio de material do Corinthians

Imagem do artigo:Promotor rebate pedido da defesa de Armando Mendonça e nega suspeição em ação sobre desvio de material do Corinthians

Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão

O promotor de Justiça Cássio Roberto Conserino, do Ministério Público de São Paulo (MP-SP), apresentou manifestação à Justiça rebatendo o pedido de exceção de suspeição protocolado pela defesa do vice-presidente do Corinthians Armando Mendonça, que busca seu afastamento da ação penal envolvendo o desaparecimento de materiais esportivos dos almoxarifados do clube.

No documento protocolado na última segunda-feira (20), Conserino afirma que o pedido apresentado pelos advogados do dirigente é juridicamente equivocado e sustenta que não há qualquer elemento que justifique sua suspeição no caso. Ele também critica a estratégia adotada pela defesa ao utilizar imagens pessoais extraídas de suas redes sociais e de familiares para fundamentar a petição.


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“O pano de fundo dessa exceção é absolutamente frágil do ponto de vista jurídico, fático e até moral“, escreveu o promotor.

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Foto: Reprodução/Corinthians

A defesa de Armando havia solicitado a anulação da denúncia oferecida pelo Ministério Público, dos atos praticados diretamente por Conserino durante a fase pré-processual e a suspensão do andamento da ação penal até o julgamento do incidente processual. Entre os argumentos apresentados, os advogados alegam que o promotor, por ser torcedor do Corinthians e frequentar eventos ligados ao clube, não possuiria a imparcialidade necessária para conduzir o processo.

Na manifestação, Conserino argumenta que a própria forma como a exceção de suspeição foi apresentada estaria incorreta, afirmando que, nos termos do artigo 100 do Código de Processo Penal, o incidente deveria ter sido autuado em apartado e não nos autos principais do processo.

Promotor cita investigações contra diferentes gestões do Corinthians

O representante do MP-SP rebate a alegação de parcialidade detalhando uma série de procedimentos instaurados a partir de uma representação recebida por sorteio pelo Sistema Integrado do Ministério Público (SISPM), em julho de 2025.

Segundo o promotor, as investigações originaram denúncias envolvendo dirigentes ligados às três últimas gestões do Corinthians. Entre elas, cita ações penais contra os ex-presidentes Andrés Sanchez e Duilio Monteiro Alves, além da denúncia oferecida contra Armando Mendonça.

Conserino afirma ainda que apresentou representações junto à Promotoria do Patrimônio Público e Social, à Receita Federal e ao Ministério Público Federal, além de diversas requisições de inquéritos policiais, relacionadas a supostas irregularidades praticadas no Parque São Jorge.

“Não tem político ou dirigente de estimação”, escreveu o promotor, acrescentando que “todas as vertentes políticas do Parque São Jorge, lamentavelmente, foram denunciadas“.

Para ele, o fato de haver procedimentos envolvendo integrantes de diferentes administrações do clube demonstra a imparcialidade de sua atuação.

“Nunca fui associado do Corinthians”

Outro ponto rebatido por Conserino diz respeito à sua relação com o Corinthians. O promotor afirma que nunca foi associado do clube social, sendo apenas integrante do programa Fiel Torcedor, condição que lhe permite frequentar jogos do time.

Ele também sustenta que jamais manteve contato pessoal com Armando Mendonça, Andrés Sanchez ou Duilio Monteiro Alves e que nunca havia ingressado nas dependências administrativas do Parque São Jorge antes de assumir as investigações.

Em relação ao fato de ser corinthiano, o promotor classificou o argumento da defesa como “fraco” e afirmou que sua paixão clubística é anterior ao exercício de suas funções ministeriais, não possuindo qualquer relação com sua atuação profissional.

No documento, Conserino utiliza tom irônico ao afirmar que, se o argumento prosperasse, seria necessário exigir “certidão negativa de torcida organizada” em concursos públicos ou que juízes de clássicos torcessem para o Íbis, clube conhecido nacionalmente pelo caráter folclórico.

Participação em evento da Democracia Corinthiana e redes sociais

A defesa de Armando Mendonça também utilizou imagens do promotor em um evento relacionado à Democracia Corinthiana para sustentar a alegação de suspeição. Conserino afirma que participou do evento apenas como espectador e que não existe qualquer vedação legal para que membros do Ministério Público frequentem eventos públicos em sua vida privada.

Além disso, criticou a inclusão de fotografias de seus familiares na petição, afirmando que elas não possuem qualquer relação com o processo.

O promotor também rebateu questionamentos sobre publicações em suas redes sociais relacionadas ao trabalho desenvolvido pelo Ministério Público nas investigações envolvendo o Corinthians. Segundo ele, as postagens apenas reproduzem conteúdos jornalísticos de acesso público, sem manifestações pessoais sobre o mérito dos processos.

“O Ministério Público deve satisfação à sociedade de seus afazeres. O Ministério é Público e não privado“, argumentou.

MP cita possibilidade de novas irregularidades

Na parte final da manifestação, Conserino destaca que as investigações envolvendo o Corinthians resultaram em diversas diligências autorizadas pela Justiça, incluindo quebras de sigilo bancário e fiscal, perícias técnicas e análises do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Segundo o promotor, há possibilidade de que outras irregularidades venham a ser descobertas no decorrer das apurações, todas conduzidas sob supervisão do Poder Judiciário e em conformidade com normas do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) e do Código de Processo Penal.

Por fim, sustenta que não se enquadra em nenhuma das hipóteses legais de suspeição previstas nos artigos 254 e 258 do Código de Processo Penal e reafirma que atua com “independência, autonomia e imparcialidade”.

Entenda o caso

Armando Mendonça tornou-se réu após a Justiça de São Paulo aceitar a denúncia apresentada pelo Ministério Público sobre o desaparecimento de materiais esportivos fornecidos pela Nike e armazenados no CT Dr. Joaquim Grava e no Parque São Jorge.

O vice-presidente do Corinthians responde pelos crimes de apropriação indébita qualificada e continuada, tentativa de apropriação indébita qualificada, furto qualificado mediante abuso de confiança e coação no curso do processo.

Após a decisão judicial, a defesa de Armando protocolou pedido de exceção de suspeição contra o promotor Cássio Conserino, alegando falta de imparcialidade na condução das investigações e requerendo a anulação dos atos praticados pelo membro do Ministério Público.

Agora, caberá ao Poder Judiciário analisar tanto o pedido formulado pela defesa quanto as manifestações apresentadas pelo promotor no âmbito do processo.

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