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·30 de janeiro de 2026

Quando o jogo começa a fazer sentido

Imagem do artigo:Quando o jogo começa a fazer sentido

Foto: Pedro Souza / Atlético

Por: Diego Callegary


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Nem todo início de temporada pede pressa. Alguns pedem atenção. O Atlético começa a sair do estágio em que tudo soa como urgência e entra, ainda que timidamente, no momento em que o jogo passa a se explicar em campo. Não está pronto, longe disso. Mas já oferece sinais suficientes para elevar o nível da conversa. Há ajustes evidentes, escolhas que incomodam e velhos temas que insistem em voltar. Ainda assim, hoje é possível falar de funcionamento. E isso muda tudo.

Um desses temas reaparece quando o adversário decide atacar pelo alto. A bola aérea defensiva segue como ponto de atenção, mais por leitura e imposição em momentos específicos do que por desorganização geral. São lances que incomodam porque surgem justamente quando o restante começa a fluir. Nesse cenário, pensar em um zagueiro destro mais dominante e em um volante de perfil mais marcador parece ajuste lógico de elenco — não resposta emocional.

Com a bola no chão, o cenário é outro. A equipe passa a propor. A saída ganha ordem porque há comando. Maycon orienta posicionamentos, dita o ritmo e, em muitos momentos, direciona até o tempo de Everson. Liderança funcional, sem espetáculo. Ao seu redor, Victor Hugo entrega dinâmica, encurta distâncias e mantém o jogo vivo. Não resolve tudo, mas impede que o jogo morra.

Esse centro mais organizado permite que o time respire pelos lados. Renan Lodi se encaixa com naturalidade: fecha por dentro quando necessário, participa da construção e acelera quando há espaço. Técnica ajuda, mas o diferencial está na leitura. Ele joga o jogo que o lance pede, não o que o ego sugere.

Quando o coletivo funciona, o ataque deixa de ser urgência e vira consequência. Dudu sustenta o lado esquerdo com qualidade e entendimento do tempo do jogo. Bernard flutua, aparece por dentro ou pela direita, oferecendo mobilidade sem forçar protagonismo. Hulk, por sua vez, começa a se encaixar melhor como construtor-finalizador, recebendo de frente para o gol, participando da criação e escolhendo melhor onde ser decisivo. Ao redor deles, o elenco responde quando acionado. Scarpa traz critério, Renier entrega energia, Cuello adiciona intensidade. Não são soluções isoladas, mas peças que entram no fluxo quando o jogo pede.

As saídas de Biel, Rony, Cadu e Jr. Santos dialogam com essa lógica. Não apenas aliviam a folha, mas reduzem ruído e abrem espaço para escolhas mais coerentes. Isso permite melhor aproveitamento de Alan Minda e Cassierra, além de criar margem para reforços mais alinhados ao estilo de Sampaoli. Não é sobre inflar o elenco, é sobre qualificá-lo.

Essa estrutura também aponta para algo inevitável: o rodízio. Ele vai acontecer. Cada jogo pode exigir características diferentes, e insistir em um “time titular fixo” é brigar com o modelo do treinador escolhido. Entender isso faz parte do processo.

Os resultados recentes ajudam a sustentar essa leitura. A vitória no clássico não veio da perfeição, mas da clareza. O empate contra o Palmeiras confirmou competitividade sem perda de identidade. Não autorizam euforia, mas permitem expectativa. Quando ideia e resultado começam a caminhar juntos, o futebol deixa de ser promessa. Passa a ser processo. E, para quem observa com menos ansiedade e mais atenção, isso já diz bastante.


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