RTI Esporte
·04 de outubro de 2026
Quase um ano depois, Carlo Ancelotti ainda deve futebol

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·04 de outubro de 2026

Quase um ano é tempo suficiente para cobrar mais do que boas intenções. Carlo Ancelotti chegou à Seleção Brasileira com um currículo que dispensa apresentação. O problema é que currículo não organiza saída de bola, não ocupa espaço e não cria chances.
Quem faz isso é o time. E o time, até aqui, ainda oferece mais dúvidas do que respostas.
A crítica não nasce de uma derrota específica. Nasce da repetição. A Seleção Brasileira alterna momentos de pressão e passividade, circula a bola sem conseguir transformar posse em perigo e encontra dificuldades para atacar defesas compactas.
Quando perde a bola, a reação nem sempre é coordenada. Quando precisa controlar o jogo, frequentemente deixa a partida escapar para um cenário de disputa mais equilibrada do que deveria.
Não é preciso recorrer a bastidores para encontrar o problema. Basta assistir aos jogos.
A saída de bola ainda oscila. A ocupação dos espaços no ataque não é constante. Os movimentos para abrir a defesa adversária muitas vezes dependem mais da iniciativa de um jogador do que de uma ação coletiva. E, quando a partida exige uma resposta tática, nem sempre ela aparece com clareza.
Para quase um ano de trabalho, é uma conta difícil de defender.
O currículo de Carlo Ancelotti explica a expectativa. Não pode explicar eternamente o desempenho.
O futebol da Seleção Brasileira precisa sustentar a escolha. Até agora, não sustenta.
Não se trata de colocar toda a responsabilidade no treinador. Jogadores também precisam executar, competir e tomar decisões melhores. Mas existe uma diferença entre cobrar execução e constatar que determinados mecanismos continuam falhando. Cabe à comissão técnica criar referências para que o talento individual não seja a única saída.
Os amistosos desta Data Fifa deixaram isso ainda mais evidente. Eram partidas para testar soluções, ajustar movimentos e dar consistência ao funcionamento da equipe. A Seleção Brasileira voltou a oscilar. Em determinados momentos, teve a bola, mas não teve o controle. Em outros, recuperou a posse, mas não conseguiu transformar a recuperação em ataque perigoso.
É justamente aí que a crítica fica mais incômoda. Não se está pedindo futebol perfeito. Nem espetáculo a cada jogo. Pede-se o básico de uma equipe que se prepara para uma Copa do Mundo: saber como sair, como pressionar, como ocupar o campo e como atacar quando o adversário entrega poucos espaços.
Quase um ano depois, essas respostas ainda aparecem aos pedaços. Uma boa jogada aqui. Um lampejo individual ali. Um período de domínio que não se sustenta. Depois, a equipe volta a oscilar.
Ancelotti pode corrigir. Claro que pode. Mas a proximidade da Copa torna cada correção mais urgente e cada repetição de erro mais pesada. O período de observação precisa produzir conclusões. A Seleção não pode chegar ao torneio ainda tentando descobrir como quer jogar.
No fim, a questão é simples: Carlo Ancelotti recebeu uma Seleção cheia de talento. Quase um ano depois, ainda não entregou uma equipe à altura dele.
(*) Wilson Pimentel é jornalista, radialista, empresário e sócio-fundador da Agência RTI Esporte.







































