Quem é Josh Kushner: o bilionário que quase comprou um pedaço da Copa do Mundo antes de fechar negócio recorde na NBA | OneFootball

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Território MLS

·13 de agosto de 2026

Quem é Josh Kushner: o bilionário que quase comprou um pedaço da Copa do Mundo antes de fechar negócio recorde na NBA

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Se Josh Kushner realmente tivesse o bem-estar do futebol mundial em mente, talvez já tivesse comprado uma franquia da MLS, ou da NWSL. 

Em vez disso, o bilionário americano Josh Kushner virou notícia mais uma vez em menos de um mês — e as duas vezes têm mais relação entre si do que parece à primeira vista.


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Depois de virar centro da controvérsia da FIFA, que quis vender “fatias” de lucro para investidores privados, hoje ele e o ex-CEO da Disney, Bob Iger, fecharam a compra dos Los Angeles Lakers, uma das franquias esportivas mais valiosas do mundo, por um valor estimado em cerca de US$ 12 bilhões. É o maior negócio da história do esporte americano.

Semanas antes, a mesma pessoa era apontada como o principal investidor privado num plano da FIFA para vender uma fatia do negócio comercial da Copa do Mundo. O plano explodiu e o presidente da FIFA, Gianni Infantino, agora luta para salvar sua presidência, já que confederações como a UEFA, a CONCACAF e a Conmebol manifestaram publicamente sua rejeição ao plano da entidade suíça.

Para quem estranha esse tipo de resistência: é como se a CBF tentasse vender parte dos direitos comerciais do Brasileirão a um fundo estrangeiro e os clubes grandes se rebelassem em bloco, alegando que a competição pertence ao futebol, não a acionistas externos.

Para quem acompanha a MLS e viu a Copa 2026 no continente norte-americano ser condecorada como uma das mais bem-sucedidas da história, vale entender quem é esse nome e por que ele importa para o futebol nos Estados Unidos — mesmo sem nunca ter dirigido um clube ou uma federação.

Quem é Josh Kushner

Josh não é dirigente de futebol nem de basquete. É fundador da Thrive Capital, uma gestora de venture capital que investiu em empresas como o Instagram e a OpenAI. Ele é irmão mais novo de Jared Kushner, marido de Ivanka Trump e ex-assessor da Casa Branca no primeiro mandato de Donald Trump.

Antes dos Lakers, Josh já tinha participações minoritárias em outros times da NBA, incluindo o Miami Heat. O padrão é claro: dinheiro de tecnologia migrando para franquias esportivas de alto valor — algo comum nos EUA, onde fundos de investimento compram pedaços de times como compram ações de empresa.

Diferentemente do Brasileirão, entretanto, onde a maioria dos clubes ainda é associativa e a chegada de investidores, como SAFs, é recente e disputada, no esporte americano essa lógica de fundos e bilionários comprando franquias é estrutural há décadas.

O plano que quase entrou, e “estragou” a Copa do Mundo da FIFA

A parte que interessa ao torcedor de futebol é outra. A firma de Josh Kushner foi apontada como a investidora âncora esperada em um projeto do presidente da FIFA, Gianni Infantino, para criar uma subsidiária comercial ligada às competições da entidade — Copa do Mundo, Mundial de Clubes e outros torneios.

A ideia era avaliar esse braço comercial, de cerca de US$ 20 bilhões, e vender uma fatia minoritária, sem controle, de aproximadamente 20%, por até US$ 4,2 bilhões. Parte do dinheiro seria distribuída como pagamento extraordinário às 211 federações-membros da FIFA — incluindo a CBF.

Não se tratava de Josh Kushner assumir um cargo na FIFA. Era uma operação financeira: seu veículo de investimento entraria como sócio privado em uma parte do negócio, algo parecido com o que acontece quando um fundo compra participação em direitos de transmissão ou em uma liga esportiva.

Por que o nome Kushner pesou?

O laço político tornou tudo mais sensível. Jared Kushner, irmão de Josh, tem relação pessoal e antiga com Infantino — ajudou a articular a candidatura conjunta dos Estados Unidos, do México e do Canadá para sediar a Copa de 2026 ainda no primeiro governo Trump.

Com isso, a proposta de investimento passou a ser lida não só como um negócio, mas também como dinheiro ligado ao entorno de Trump entrando na estrutura comercial da Copa do Mundo. Essa leitura pesou nas críticas que vieram a seguir.

Por que o plano fracassou

No fim de julho, a proposta foi abandonada. A UEFA liderou a oposição, argumentando que a Copa do Mundo “não é da FIFA para vender” — um torneio construído coletivamente por federações ao longo de décadas, não um ativo para ser fatiado entre investidores privados.

Houve ameaças de boicote a competições da FIFA, renúncias internas, incluindo a de um assessor-chave de Infantino, e pressão política nos Estados Unidos, que questionava como o negócio tinha sido costurado sem transparência. Infantino nao teve escolha, vendo seu cargo em risco, e, consequentemente, a FIFA recuou.

Para quem estranha esse tipo de resistência: é como se a CBF tentasse vender parte dos direitos comerciais do Brasileirão a um fundo estrangeiro e os clubes grandes se rebelassem em bloco, alegando que a competição pertence ao futebol, não a acionistas externos.

O que fica para quem acompanha o futebol da MLS?

Infantino saiu enfraquecido do episódio. Cresceram as dúvidas sobre seu estilo de liderança na FIFA e sobre sua proximidade com figuras políticas americanas, num momento em que ele ainda tem capital construído após o torneio mundial nos EUA, México e Canadá.

O episódio mostra como o dinheiro americano de tecnologia tenta entrar em ativos esportivos globais — e como, no caso da Copa do Mundo, essa entrada encontrou um limite político que o basquete da NBA não enfrenta. Se Josh realmente tivesse o bem do futebol em mente, talvez já tivesse comprado uma franquia da MLS. Josh Kushner, entretanto, segue sem cargo formal no futebol.

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