Central do Timão
·29 de agosto de 2026
‘Quer vontade, quer raça’: Gabriel Paulista compara torcidas de Besiktas e Corinthians e comenta influência sobre jovens

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·29 de agosto de 2026

Por Larissa Beppler | Redação da Central do Timão
Primeira contratação do Corinthians para a temporada de 2026, o zagueiro Gabriel Paulista chegou ao clube em janeiro, sem custos de transferência, após rescindir contrato com o Besiktas, da Turquia. Aos 35 anos, o defensor retornou ao futebol brasileiro após mais de uma década no exterior, período em que acumulou passagens por diferentes centros do futebol europeu.
Em entrevista exclusiva à Central do Timão, o zagueiro corinthiano revisitou momentos marcantes da carreira no exterior, com passagens por Villarreal, Valencia e Arsenal, e comentou a experiência mais recente no Besiktas. Gabriel Paulista também abordou a relação com os jogadores mais jovens do elenco e explicou como procura utilizar suas vivências para ajudá-los a lidar com a pressão de vestir a camisa do Corinthians.

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians
Antes de retornar ao futebol brasileiro para defender o Corinthians, Gabriel Paulista teve uma passagem de um ano e meio pelo Besiktas. Apesar do curto período no clube turco, o zagueiro afirmou que deixou uma relação especial com os torcedores, principalmente pela maneira como atua dentro de campo.
Segundo o defensor, a identificação ocorreu por uma característica que considera semelhante entre as torcidas do Besiktas e do Corinthians: a valorização da entrega, da raça e da disposição durante as partidas, acima da qualidade técnica.
“Tive uma passagem rápida também no Besiktas, onde os torcedores me amam pela forma como eu jogo. Às vezes, o torcedor não quer… É como o torcedor corinthiano: às vezes, ele não quer um jogador de uma qualidade técnica impecável. Ele quer vontade, quer raça dentro do campo. E os torcedores do Besiktas são muito parecidos com os do Corinthians. É o que eles cobram. Então, essa passagem também foi especial lá. É chegar aqui no Corinthians e tentar transmitir tudo isso que eu construí com essa experiência que eu tenho.”
A experiência vivida na Europa é uma das ferramentas que Gabriel utiliza no dia a dia do Corinthians. O zagueiro vê a própria trajetória como uma forma de contribuir não apenas dentro de campo, mas também no desenvolvimento dos atletas mais jovens.
Experiência para orientar os jovens
Um dos principais papéis assumidos por Gabriel Paulista no elenco é o de referência para os jogadores que estão nos primeiros anos da carreira profissional. O defensor destacou que procura compartilhar experiências e, sobretudo, ajudar os jovens a lidar com a pressão que existe dentro e fora do futebol.
Gabriel relembrou as próprias dificuldades no início da carreira, inclusive a responsabilidade de ajudar financeiramente os pais, e afirmou que busca mostrar aos jovens do Corinthians como manter o foco no futebol diante das cobranças externas.
“Tentar passar principalmente para os mais jovens, os garotos que vêm subindo da base. Eu tento passar o que eu vivi e mostrar para eles que é para tirar um pouco da pressão… Lógico que existe muita pressão fora de campo. Às vezes, também é na família. É uma pressão que eu tive, uma pressão de ter que ajudar os meus pais. Então, eu passo para eles para tentar tirar o foco do que vem lá de fora e, aqui dentro… tentar ser… desfrutar”, explicou.
O zagueiro entende que a formação de um atleta não depende apenas do desempenho nos treinamentos e nos jogos. Para ele, aproveitar a oportunidade de atuar pelo Corinthians também passa por compreender a dimensão do clube e aprender a conviver com as responsabilidades que acompanham a camisa alvinegra.
“Desfrutar do momento. Entender o que é o Corinthians. Desfrutar tudo isso que a gente vem vivendo, essa estrutura que é o Corinthians: o estádio, a Neo Química Arena, os torcedores. Desfrutar de todo esse momento maravilhoso que é tudo isso aqui, essa grandeza que é o Corinthians. Então, eu tento passar tudo aquilo que eu aprendi para os mais jovens”, completou.
Breno Bidon, André e Iago: aposta na nova geração
Gabriel também avaliou alguns dos jovens que fazem parte do elenco profissional do Corinthians. O defensor citou Breno Bidon, André e Iago como exemplos de atletas que representam o futuro do clube e destacou a importância de proporcionar aos jogadores formados nas categorias de base o contato com o grupo principal.
“Esses jogadores são o futuro do Corinthians. O Breno, o André, que vêm tendo mais oportunidades, são titulares hoje do Corinthians. Então, são jogadores que já conquistaram os seus espaços. O Iago é um jogador que está tendo a oportunidade de treinar com a gente, já foi em alguns jogos, então está tendo essa experiência, nesse sentido de já estar no elenco.”
“Logicamente, ele vai ter a oportunidade dele também de jogar, e eu não tenho dúvida de que, quando ele jogar, ele também vai mostrar o potencial que tem, porque já é um futuro para o Coringão. E vários outros jogadores também que descem, que sobem, no caso, para treinar com o profissional.”
Na avaliação do zagueiro, a presença desses atletas no elenco principal proporciona uma oportunidade importante para que adquiram experiência e, ao mesmo tempo, conheçam a rotina de um clube da dimensão do Corinthians.
Gui Negão e a importância da maturidade
Outro jogador citado por Gabriel Paulista foi Gui Negão, que ganhou oportunidades no time profissional, mas perdeu espaço após sofrer uma lesão e diante das escolhas técnicas da comissão de Fernando Diniz. O zagueiro reconheceu que o atacante apresentou uma queda de rendimento, mas classificou a situação como natural na carreira de qualquer atleta.
“O Gui Negão também teve muitas oportunidades e acabou tendo… O rendimento caiu um pouco, mas acredito que isso também é normal para todos os atletas. Isso acontece com qualquer um. E acredito que ele vai voltar também da melhor forma possível para nos ajudar.”
A fala de Gabriel reforça a preocupação em proteger os atletas mais jovens diante das oscilações naturais de uma carreira profissional. Para o zagueiro, momentos de queda fazem parte do processo de formação e não devem ser tratados como algo definitivo.
Referência dentro do vestiário
Além da orientação fora de campo, a relação entre os jogadores mais experientes e os jovens também aparece nas brincadeiras do dia a dia. Gabriel contou que costuma ser alvo de provocações no vestiário por causa da idade, mas revelou que a convivência com os atletas mais novos também demonstra o respeito que eles têm pelos jogadores com mais experiência no futebol.
“Mas é isso. Às vezes, dentro do vestiário, tem essa resenha, e eu até brinco e falo que está me chamando de velho. E sempre tem essas resenhas dentro do vestiário. Mas o Gui, por exemplo, sempre chega perto de mim e fala que nem acredita que estou do lado dele, que está ao lado do Memphis, do Gustavo. Então, a gente é uma referência para ele.”
Isso é gratificante e nos dá mais prazer de jogar, de se dedicar cada vez mais e mostrar para eles que eles precisam também se dedicar cada vez mais. Nossa carreira é curta, então tem que aproveitar muito cada momento.”
A relação descrita pelo zagueiro revela uma das funções exercidas por ele no Corinthians: servir como referência para uma geração que começa a construir sua carreira no futebol profissional. Com passagens por clubes importantes da Europa, Gabriel entende que suas experiências podem contribuir para acelerar o amadurecimento dos jovens e ajudá-los a compreender as exigências de atuar por um clube da grandeza do Corinthians.
Ao mesmo tempo, o defensor destaca que a troca ocorre nos dois sentidos. As brincadeiras e a convivência com os atletas mais jovens fazem parte da rotina do elenco e, segundo Gabriel, também servem como motivação para que os jogadores experientes mantenham alto nível de dedicação.
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