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Coluna do Fla

·22 de fevereiro de 2026

Racismo no futebol: relembre os episódios que mancharam a história do esporte

Imagem do artigo:Racismo no futebol: relembre os episódios que mancharam a história do esporte

O futebol, que deveria ser palco de talento e paixão, continua sendo manchado pelo preconceito. 

O novo caso de racismo sofrido por Vinicius Júnior na Champions League escancarou, mais uma vez, uma ferida que o esporte insiste em não curar.


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Um grito de revolta em Lisboa

O futebol, um esporte famoso pela sua alegria e paixão, voltou a ser tomado pela vergonha.

No dia 17 de fevereiro de 2026, no Estádio da Luz, em Lisboa, Vinicius Júnior viveu mais um capítulo lamentável de sua carreira. 

Durante a vitória do Real Madrid sobre o Benfica, por 1 a 0, o atacante brasileiro denunciou ter sido vítima de racismo dentro de campo.

Logo após marcar um golaço, Vinícius se desentendeu com o argentino Gianluca Prestianni, que teria proferido uma ofensa racista. 

O árbitro François Letexier interrompeu o jogo por cerca de dez minutos e acionou o protocolo antirracismo da UEFA. 

O clima ficou tenso, onde jogadores do Real, como Kylian Mbappé, chegaram a cogitar deixar o gramado em protesto.

Depois da partida, Vinícius usou suas redes sociais para desabafar: “Racistas são, acima de tudo, covardes. Enquanto eu estiver vivo, vou lutar contra isso.”

A UEFA abriu uma investigação oficial e nomeou um inspetor para analisar as imagens e depoimentos. 

Caso a acusação se confirme, Prestianni pode ser suspenso por longo período, e o Benfica corre risco de multa ou punições disciplinares.

O clube português negou que o jogador tenha usado qualquer expressão racista e afirmou confiar em sua inocência, mas prometeu colaborar integralmente com a apuração. 

Já a CBF e diversas entidades internacionais manifestaram apoio a Vinícius, reforçando que o combate ao racismo precisa sair do discurso e se tornar ação concreta.

Aranha: o grito que chocou o Brasil

Em 2014, em um jogo do Grêmio pela Copa do Brasil, ocorreu um dos episódios mais marcantes do futebol brasileiro.

O goleiro Aranha, na época atleta do Santos, foi chamado de “macaco” por torcedores do Grêmio, durante partida da Copa do Brasil, em Porto Alegre. 

As câmeras de TV flagraram o momento, e a repercussão foi imediata. O Grêmio foi excluído da competição, em uma das punições mais severas já aplicadas no país.

Mesmo assim, Aranha revelou o peso emocional que o caso deixou: “Eu não queria ser lembrado por isso”. 

A torcedora identificada foi processada, mas a punição foi considerada leve. O caso escancarou que, embora as entidades comecem a agir, o preconceito ainda encontra espaço nas arquibancadas.

Neymar e a briga na França

Em 2020, durante um clássico entre Paris Saint-Germain e Olympique de Marseille, Neymar afirmou ter sido chamado de “macaco” por um adversário. 

A partida terminou em confusão, com cinco expulsões. O episódio foi investigado pela Ligue 1, mas acabou arquivado por falta de provas.

Neymar desabafou: “Ser chamado de macaco é o pior que existe. Fui à luta por mim e por todos que passam por isso.”

O episódio revelou como o racismo continua presente até mesmo nos maiores palcos do futebol mundial, e como a falta de punição reforça o sentimento de impunidade.

Vinicius Júnior e a luta que não para

O caso em Lisboa não é o primeiro — e, infelizmente, talvez não seja o último. Desde que chegou à Europa, Vinícius Júnior já foi alvo de ataques racistas em partidas contra Valencia, Atlético de Madrid e Mallorca.

Em muitos desses jogos, as ofensas foram registradas por câmeras e testemunhas, mas as punições se limitaram a multas e advertências, consideradas brandas por entidades de direitos humanos.

Hoje, Vinícius é símbolo de resistência dentro do futebol. Sua postura firme e suas denúncias públicas transformaram o atacante em uma voz ativa contra o racismo, dentro e fora de campo.

“Enquanto houver racismo, não haverá paz no futebol”, afirmou o atleta em uma de suas entrevistas mais recentes.

Um problema que ultrapassa o campo

O racismo no futebol não é apenas um problema de torcida, é um reflexo social. 

Por isso, especialistas defendem medidas que vão além das campanhas publicitárias: educação, punição rigorosa e apoio psicológico às vítimas.

Enquanto jogadores como Vinícius Júnior continuarem sendo alvos, o futebol não poderá se dizer plenamente livre. 

O combate ao racismo no futebol não é apenas uma questão esportiva, é uma luta pela dignidade humana, travada dentro e fora de campo, a cada gol, a cada protesto e a cada voz que se recusa a se calar.

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