RTI Esporte
·18 de setembro de 2026
Raio X da Espanha: o que o Brasil vai encontrar nas quartas do Mundial Sub-20

In partnership with
Yahoo sportsRTI Esporte
·18 de setembro de 2026

O Brasil já sabe quem terá pela frente nas quartas de final da Copa do Mundo Feminina Sub-20. E o adversário chega com credenciais pesadas.
A Espanha venceu Portugal por 2 a 0 nas oitavas e garantiu a classificação para a próxima fase, mantendo o aproveitamento perfeito na competição. Antes disso, a equipe comandada por David Aznar havia vencido Nigéria, Nova Caledônia e China, terminando a fase de grupos com 16 gols marcados e apenas um sofrido. Nos oitavos, voltou a vencer, sem sofrer gols.
O encontro com o Brasil está marcado para sábado, dia 19, às 18h30 locais, na Arena Sosnowiec. Será um duelo entre duas seleções ainda invictas.
A principal característica da Espanha está bastante clara: ela quer a bola. Na fase de grupos, a seleção teve 71% de posse média, liderou o torneio em passes, com 1.291, completou 1.158 deles e apresentou 90% de precisão. Também foi a equipe que mais finalizou, com 113 chutes, sendo 53 no alvo.
Não se trata, portanto, apenas de trocar passes. A Espanha utiliza a posse para avançar, aproximar as jogadoras e criar situações de um contra um. A circulação rápida também permite que as atacantes apareçam em diferentes zonas do campo.
Foi assim que construiu uma campanha ofensivamente devastadora. Contra a Nova Caledônia, aplicou 11 a 0, igualando a maior goleada da história do Mundial Sub-20. Contra a China, venceu por 3 a 1, num jogo em que o adversário conseguiu incomodá-la principalmente atacando o espaço nas costas da defesa. E esse segundo ponto é interessante para o Brasil.
Se existe um nome que merece atenção especial, é Paula Comendador. A atacante do Real Madrid marcou quatro gols na fase de grupos: dois contra a Nova Caledônia e outros dois diante da China. Mais do que os gols, impressionou pela velocidade, capacidade de desequilíbrio e facilidade para atacar espaços. A FIFA destacou justamente essa evolução em relação ao Mundial Sub-17 de 2024, quando já havia sido uma das principais jogadoras da competição.
Paula não é a única arma. Celia Segura também soma quatro gols e foi responsável por um feito histórico: marcou quatro vezes na goleada sobre a Nova Caledônia. É, segundo a Federação Espanhola, a única jogadora espanhola a conseguir um pôquer em um Mundial Sub-20.
Marisa García, com três gols, também aparece entre as principais goleadoras espanholas. Foi, inclusive, quem abriu o placar contra Portugal logo aos nove minutos. E há ainda Rosalía Domínguez, talvez a jogadora que chega ao confronto em melhor momento individual.
A atacante do Barcelona foi eleita MVP contra Portugal, mesmo sem marcar. Rosalía criou desequilíbrios pela esquerda, participou da construção ofensiva e foi responsável pelo cruzamento que acabou desviando em Nair Pina antes de entrar para o segundo gol espanhol.
Foi o segundo prêmio de melhor jogadora de Rosalía no Mundial. O primeiro havia acontecido justamente na estreia, diante da Nigéria. A própria RFEF destaca que a jogadora foi campeã europeia Sub-19 e tem sido uma das principais ameaças ofensivas da equipe.
Ou seja, o Brasil não terá apenas de controlar uma goleadora. Terá pela frente uma seleção capaz de distribuir o protagonismo por várias jogadoras.
Apesar dos números impressionantes, a Espanha já mostrou que não é intocável. A China foi o exemplo mais claro. Depois de estar perdendo por 3 a 0, conseguiu diminuir e criou uma sequência de oportunidades, inclusive com outra chance clara logo depois do gol. A própria RFEF reconheceu que a equipe passou por cerca de dez minutos de pressão antes de recuperar o controle.
Isso sugere um possível caminho para o Brasil: atacar rapidamente os espaços quando recuperar a bola, especialmente nas costas das laterais e antes que a Espanha consiga reorganizar a sua estrutura de posse. Outra questão será a capacidade brasileira de suportar os momentos sem bola.
Porque este provavelmente será um jogo em que a Espanha tentará impor seu ritmo, circular a bola e empurrar o Brasil para trás.
O curioso é que Brasil e Espanha chegam com campanhas bastante diferentes nos detalhes, mas igualmente fortes. O Brasil venceu Tanzânia, Canadá e Inglaterra na fase de grupos, com nove gols marcados e dois sofridos, antes de eliminar os Estados Unidos nos pênaltis, após empate por 1 a 1. A Espanha tem 18 gols marcados e três? Não: apenas um sofrido na fase de grupos e nenhum nos oitavos, totalizando 18 marcados e um sofrido em quatro partidas.
Existe ainda um único confronto entre as seleções na história do Mundial Sub-20: foi em 2022, na fase de grupos, e terminou 0 a 0. A Espanha acabaria campeã naquela edição. Agora, quatro anos depois, o contexto é completamente diferente.
De um lado, um Brasil que sobreviveu a um duelo duro contra os Estados Unidos e chega às quartas com confiança. Do outro, uma Espanha que vem atropelando adversários, controla a bola como poucas equipes no torneio e tem várias jogadoras capazes de decidir individualmente. Para o Brasil avançar, provavelmente não bastará jogar bem.
Será preciso encontrar uma maneira de tirar a Espanha da zona de conforto, sobreviver à sua pressão com bola e, principalmente, não permitir que Paula Comendador, Celia Segura e Rosalía Domínguez recebam espaço para correr. É, sem dúvida, um dos grandes jogos dos quartos de final.
*André Freixo, enviado especial da Agência RTI Esporte, direto de Portugal







































