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·11 de junho de 2026

Reencontro entre México e África e a lembrança de 2010: 'Mexeu com a minha vida'

Imagem do artigo:Reencontro entre México e África e a lembrança de 2010: 'Mexeu com a minha vida'

Se por alguns instantes fechar os olhos, ainda é possível ouvir o som das vuvuzelas. "O dia inteiro e o tempo todo", nos diz quem esteve lá, há 16 anos, no último duelo entre México e África do Sul - o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2010.

O zumbido não era particularmente agradável, mas agora carrega alguma nostalgia. Aliás, em contagem regressiva para mais uma Copa, só podemos pedir aos deuses do futebol que nos tragam uma edição tão rica e memorável como aquela.


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A bola rola já nesta quinta-feira, às 16h, no Estádio Azteca. Mas antes de ir à Cidade do México, fizemos uma breve parada pela Soccer City de Joanesburgo para recordar uma festa de abertura com as mesmas cores.

A memória de 2010: "Foi muito especial para mim"

"Poucos tiveram esse nosso privilégio de estar lá e viver um jogo de abertura de uma Copa do Mundo num ambiente daqueles", nos diz Vinícius Eutrópio, então auxiliar de Carlos Alberto Parreira na seleção sul-africana.

"Foi um momento fantástico. Até guardei a minha camisa, tenho-a aqui num quadro. E, no fundo, toda a Copa foi uma festa muito marcada, com a vuvuzela, a música da Shakira, aquela bola... Mas o jogo de abertura, mesmo tendo conseguido mais tarde a vitória contra a França (2 a 1), foi esportivamente o momento mais importante."

O convite para a comissão técnica da África do Sul chegou não muito antes da Copa. Vinícius Eutrópio estava em Portugal preparando o início da temporada seguinte, que começaria como treinador do Estoril Praia, mas a oportunidade de trabalhar com uma "referência" não poderia ser rejeitada e o primeiro encontro fez tudo valer a pena.

"O México tinha uma ótima equipe, foi um jogo muito estratégico e no final foi um resultado (1 a 1) positivo. A festa em si, naquele momento, foi muito especial para mim", disse em contato com nossos parceiros do zerozero.pt, sobre o jogo que inclui o lendário gol de Siphiwe Tshabalala.

"Não foi um jogo de abertura como acontece sempre, foi a abertura da primeira Copa do Mundo em um país africano e isso traz uma emoção e uma conotação política muito forte. Eram várias simbologias, África, Mandela... Isso foi uma experiência que mexeu com a minha vida."

Vivendo o Invictus

O tema das simbologias, da política e a figura de Mandela levam a conversa para um rumo diferente. Ver a África do Sul em uma Copa novamente evoca essas memórias de 2010, mas para o povo local o esporte será sempre visto como uma ponte que une um país por tanto tempo dividido.

"A seleção foi visitá-lo também", diz, referindo-se a essa histórica figura do país, que morreria três anos mais tarde.

"Sabe aquele filme Invictus Tinha saído um ano antes. Parecia que estávamos vivendo aquilo, mas com o futebol no lugar do rúgbi. Aliás, um dos momentos internos muito fortes foi quando passamos o filme aos jogadores. É fantástico que isso tenha acontecido."

"Quem trabalha no futebol sabe buscar oportunidades para incentivar os jogadores daquela forma. Foi muito marcante para mim e para todos."

É mesmo um país com um amor muito mais forte pelo rúgbi, mas em 2010 o tema central era o futebol. E Vinícius recorda isso com um desfile que supostamente duraria apenas alguns minutos, mas 600 mil torcedores apareceram e estenderam a festa por horas.

Um reencontro, 16 anos depois

Em breve começa mais um jogo entre México e África do Sul. O quinto encontro da história, mas apenas o primeiro desde aquela outra abertura.

Ao contrário do que aconteceu com a oposição, os mexicanos sabem muito bem o que é ser anfitrião. Aliás, assim que a bola rolar serão a primeira nação a receber jogos em três Copas do Mundo diferentes, tendo já sediado as edições de 1970 e 1986.

Desta vez, contarão com o apoio da grande maioria dos mais de 80 mil torcedores que preencherão as arquibancadas do Azteca. E também têm o favoritismo para a noite, o que só aumentará a expectativa que já existe em torno da equipe.

É como nos diz quem já viveu o outro lado da moeda: "jogando em casa a emoção é maior, mas o peso também."

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