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·08 de julho de 2026

Relatório técnico contratado pelo Corinthians indica demolição do Setor Oeste da Fazendinha

Imagem do artigo:Relatório técnico contratado pelo Corinthians indica demolição do Setor Oeste da Fazendinha
  1. Por Henrique Pereira / Redação da Central do Timão

O Corinthians encomendou uma inspeção técnica no Estádio Alfredo Schürig, a Fazendinha, para atender às exigências do processo de liberação do estádio para a realização de partidas. O trabalho foi conduzido pelo engenheiro civil Osmar Meireles dos Santos, que elaborou um relatório posteriormente anexado ao sistema da Federação Paulista de Futebol (FPF). O documento analisa aspectos estruturais, de acessibilidade e de conforto da praça esportiva. Entre todas as conclusões apresentadas, a que mais chama atenção é a recomendação de demolição completa do Setor Oeste.

A arquibancada Oeste está sem receber torcedores desde 2018. Na ocasião, avaliações realizadas pela própria FPF e pela Polícia Militar do Estado de São Paulo apontaram que o espaço não reunia condições adequadas de segurança. Desde então, apenas os setores Norte, Sul e Leste permanecem disponíveis para utilização durante as partidas. Atualmente, a área interditada abriga o departamento de remo do clube e uma base da Polícia Militar.


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Foto: Divulgação/Corinthians

O relatório técnico possui 159 páginas e foi produzido após vistorias realizadas entre os dias 15 e 18 de junho. Segundo a análise, o Setor Oeste concentra as falhas estruturais mais severas de toda a Fazendinha. Elementos como pilares, vigas, consoles e a própria arquibancada receberam classificação de risco crítico. A contratação do serviço custou R$ 6 mil ao Corinthians, e o laudo terá validade até 16 de junho de 2027.

Entre as irregularidades identificadas estão armaduras de aço aparentes, deficiência na camada de concreto que protege essas estruturas, corrosão, infiltrações, fissuras, trincas, carbonatação do concreto, desgaste das propriedades físico-químicas dos materiais, problemas nas juntas de movimentação, danos em aparelhos de apoio e deformações estruturais. No caso específico das arquibancadas, o documento também destaca deformações acima dos limites considerados aceitáveis.

De acordo com o engenheiro responsável, todas essas patologias representam um elevado nível de risco por colocarem em perigo a segurança das pessoas, reduzirem a funcionalidade da estrutura, aumentarem significativamente os custos de manutenção e comprometerem sua vida útil. Por esse motivo, a principal orientação apresentada no relatório é que o Setor Oeste permaneça totalmente desativado e seja demolido.

“Risco de provocar danos contra a saúde e segurança das pessoas e do meio ambiente; perda excessiva de desempenho e funcionalidade causando possíveis paralisações; aumento excessivo de custo de manutenção e recuperação; comprometimento sensível de vida útil. Sugestão de não utilização da estrutura para qualquer finalidade, orientação de demolição do total da estrutura”, apontou o engenheiro.

A inspeção teve como objetivo verificar as condições gerais da Fazendinha sob os aspectos de engenharia, conforto e acessibilidade, identificando eventuais problemas, classificando seus níveis de risco e indicando as intervenções consideradas necessárias. O laudo ainda informa que o Setor Oeste nunca passou por reforços estruturais desde sua construção e que também não recebeu ampliações ou modificações que aumentassem sua carga ao longo dos anos.

Sem a utilização da arquibancada interditada, a capacidade do estádio foi calculada em 9.873 espectadores, embora o documento considere 9 mil lugares como um número que oferece ampla margem de segurança. A distribuição prevista é de 4.200 lugares no setor Norte, 3.500 no Sul e 1.800 no Leste.

Além da análise do Setor Oeste, o relatório também avaliou os demais espaços da Fazendinha, incluindo arquibancadas, sistemas de engenharia, instalações e itens de acessibilidade. Nos setores Norte, Sul e Leste, a vistoria não encontrou problemas estruturais relevantes, e a maior parte dos componentes recebeu avaliação satisfatória.

No sistema elétrico, o parecer foi classificado como “atendido com restrições”. Entre as recomendações estão a modernização de quadros de energia, substituição de equipamentos, implantação de diagramas de identificação, recuperação ou troca de postes de iluminação que apresentam ferragens expostas e carbonatação, além do tratamento de focos de corrosão nas estruturas metálicas responsáveis pelo suporte dos refletores. Ainda assim, o relatório destaca que não existem riscos imediatos relacionados a esse sistema.

Cabe lembrar que, entre maio de 2025 e março de 2026, a Fazendinha ficou impossibilitada de receber partidas no período noturno por determinação da Federação Paulista de Futebol, devido às deficiências no sistema de iluminação. Durante esse período, a equipe feminina precisou transferir parte de seus compromissos para outros estádios.

A solução para o problema veio após um trabalho conduzido pelo Departamento de Patrimônio e Obras do Corinthians, que executou a substituição da fiação e instalou novos refletores adquiridos pelo próprio clube. O investimento superou R$ 400 mil.

Antes de iniciar a reforma, a diretoria avaliou três propostas apresentadas por empresas especializadas. Todas ultrapassavam R$ 2 milhões, valor considerado incompatível com a realidade financeira do clube. Diante disso, o Corinthians optou por comprar os equipamentos necessários e realizar boa parte dos serviços utilizando sua própria estrutura.

Na sequência, o gramado também recebeu melhorias durante a segunda quinzena de maio e a primeira semana de junho. Segundo informou o clube na ocasião, a intervenção teve como objetivo oferecer melhores condições para a realização de partidas ao longo da temporada.

O relatório ainda aponta que os sistemas de impermeabilização, instalações hidrossanitárias, aterramento, Sistema de Proteção contra Descargas Atmosféricas (SPDA) e telefonia atendem às exigências, apresentando apenas pequenas restrições em alguns casos. Já em relação à acessibilidade, o documento observa que a Fazendinha não dispõe de estacionamento nem de um espaço exclusivo para embarque e desembarque de torcedores.

Inaugurada em 22 de julho de 1928, a Fazendinha foi, durante muitos anos, a casa da equipe principal do Corinthians. Já no início dos anos 2000, passou a ser utilizada como centro de treinamento do futebol profissional. Com a inauguração do CT Dr. Joaquim Grava, o estádio passou a receber principalmente partidas das categorias de base e da equipe feminina do clube.

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