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·01 de outubro de 2026

Relembre atritos de Cristiano Ronaldo com outros treinadores de Portugal

Imagem do artigo:Relembre atritos de Cristiano Ronaldo com outros treinadores de Portugal

A relação de Cristiano Ronaldo com os treinadores da seleção portuguesa atravessou diferentes fases ao longo de mais de duas décadas. Desde a estreia pela equipe principal, em 2003, o atacante construiu uma trajetória marcada por grandes conquistas, mas também passou por momentos de tensão com alguns dos comandantes que estiveram à frente de Portugal.

A situação mais recente envolve Jorge Jesus, em um episódio que reacendeu uma questão recorrente na trajetória do jogador com a seleção. Ao longo dos anos, Cristiano Ronaldo já teve divergências com outros técnicos, em situações que envolveram desempenho, decisões táticas, hierarquia e até a condição do atacante entre os titulares.


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O astro português vestiu pela primeira vez a camisa da seleção principal em agosto de 2003, em amistoso diante do Cazaquistão. Naquele período, o comando estava nas mãos de Luiz Felipe Scolari, treinador brasileiro que permaneceu à frente da equipe durante uma das primeiras grandes fases da carreira internacional de Cristiano.

Desde então, outros cinco técnicos passaram pelo cargo: Carlos Queiroz, Paulo Bento, Fernando Santos, Roberto Martínez e, atualmente, Jorge Jesus. Entre todos eles, Scolari e Martínez foram os únicos com quem Cristiano Ronaldo não protagonizou episódios públicos de maior desgaste.

Curiosamente, os dois treinadores têm algo em comum: nenhum deles é português.

CARLOS QUEIROZ E O ROMPIMENTO DE UMA RELAÇÃO QUE COMEÇOU NO MANCHESTER UNITED

A passagem de Carlos Queiroz pelo comando da seleção portuguesa começou cercada de expectativas positivas para Cristiano Ronaldo. Antes de assumir a equipe nacional, o treinador havia trabalhado durante quatro temporadas como auxiliar de Alex Ferguson no Manchester United, justamente no período em que o atacante português defendia o clube inglês.

A proximidade entre os dois já vinha de antes. Queiroz conhecia Cristiano do ambiente do futebol inglês e tinha uma relação próxima com o jogador. A escolha do treinador para substituir Luiz Felipe Scolari também foi associada ao bom relacionamento que mantinha com o principal nome da seleção.

O cenário, entretanto, mudou rapidamente. Em aproximadamente dois anos, a relação entre os dois perdeu a proximidade que existia anteriormente e chegou ao ponto mais delicado após a participação portuguesa na Copa do Mundo de 2010.

Portugal foi eliminado pela Espanha nas oitavas de final do Mundial disputado na África do Sul. Depois da derrota, Cristiano Ronaldo foi questionado sobre as razões que explicavam a eliminação portuguesa. A resposta dada pelo atacante tornou-se uma das declarações mais lembradas daquele período.

“Falem com o Carlos Queiroz.”

— Cristiano Ronaldo, sobre a eliminação de Portugal da Copa em 2010.

O episódio expôs publicamente um relacionamento que já vinha apresentando sinais de desgaste. Segundo relatos da imprensa portuguesa da época, Cristiano não estaria satisfeito com algumas escolhas feitas pelo treinador e com o rendimento apresentado pela equipe.

A situação ganhou ainda mais repercussão porque Cristiano chegava ao Mundial como um dos principais jogadores do planeta. Em 2008, havia conquistado o prêmio de melhor jogador do mundo, mas sua participação na Copa terminou com apenas um gol em quatro partidas.

Mesmo diante das críticas, Queiroz saiu em defesa do atacante e procurou minimizar a cobrança sobre seu desempenho individual. A relação entre os dois, porém, não voltou a apresentar a mesma proximidade dos primeiros anos.

Anos depois, os caminhos de Cristiano e Queiroz voltaram a se cruzar em uma Copa do Mundo. Durante o Mundial de 2018, os dois estiveram envolvidos em campanhas distintas, mas não chegaram a conversar no reencontro.

PAULO BENTO E A DISCUSSÃO SOBRE HIERARQUIA DENTRO DA SELEÇÃO

A história com Paulo Bento começou de maneira diferente. O treinador já conhecia Cristiano Ronaldo desde as categorias de base do Sporting, período em que o atacante ainda dava os primeiros passos no futebol profissional.

Bento também havia sido apontado como possível nome para assumir a seleção portuguesa durante a época de Luiz Felipe Scolari. Quando efetivamente chegou ao comando da equipe principal, encontrou um jogador que já era uma das principais referências do grupo.

Os primeiros anos foram positivos. Portugal chegou às semifinais da Eurocopa de 2012 e, posteriormente, conseguiu uma vaga na Copa do Mundo de 2014 depois de passar pela repescagem das eliminatórias europeias.

Com o passar do tempo, no entanto, a relação entre treinador e jogador começou a apresentar dificuldades. Anos depois, Paulo Bento reconheceu que a convivência havia se deteriorado, apontando questões relacionadas à hierarquia como um dos fatores que contribuíram para o desgaste.

O treinador também foi alvo de críticas durante a Copa de 2014, especialmente pela condução da renovação da equipe. Cristiano Ronaldo terminou aquela competição com apenas um gol, enquanto Portugal acabou eliminado ainda na fase de grupos.

No momento de sua saída do cargo, Paulo Bento foi questionado justamente sobre a possibilidade de Cristiano Ronaldo ter tido alguma influência em sua demissão. O treinador respondeu:

— Se me perguntas se houve alguma situação diretamente comigo, digo que não. Se confrontou os dirigentes, é uma situação em que não quero acreditar. Invertiam-se os papéis, e numa hierarquia isso era virá-la do avesso. Não faz sentido que um jogador, qualquer um e por mais talentoso que seja, possa influenciar a decisão da direção de um clube ou de uma federação — declarou Paulo Bento, no dia de sua demissão, sobre a chance de CR7 ter influenciado para sua queda.

A declaração deixou evidente uma preocupação do técnico com os limites entre o protagonismo de um jogador e as decisões tomadas pela estrutura da seleção.

FERNANDO SANTOS VIVEU O PERÍODO DE MAIORES CONQUISTAS AO LADO DE CRISTIANO

Se as relações com Queiroz e Paulo Bento terminaram marcadas por desgaste, a história com Fernando Santos teve uma trajetória muito mais longa e também foi responsável pelos maiores títulos de Portugal com Cristiano Ronaldo.

Fernando Santos assumiu a seleção em 2014 e permaneceu no cargo até depois da Copa do Mundo de 2022. Foram oito anos de trabalho e mais de uma centena de partidas à frente da equipe portuguesa, tornando-se o treinador que permaneceu por mais tempo no comando da seleção.

A parceria atingiu seu ponto máximo na Eurocopa de 2016. Portugal conquistou o título continental, o primeiro grande troféu da história da seleção principal. Cristiano Ronaldo foi uma das principais figuras daquela campanha, embora tenha deixado a final contra a França por causa de uma lesão.

Três anos mais tarde, a equipe voltou a levantar um troféu. Portugal venceu a primeira edição da Liga das Nações da UEFA, novamente sob o comando de Fernando Santos e com Cristiano Ronaldo como principal referência ofensiva.

A convivência, entretanto, também passou por episódios de tensão.

Em 2021, durante partidas contra Sérvia e Bélgica, Cristiano Ronaldo chegou a retirar e jogar a braçadeira de capitão no gramado. As atitudes aconteceram em meio à insatisfação do atacante com decisões da arbitragem e com os resultados das partidas. O comportamento também acabou interferindo na relação entre jogador e treinador.

Ainda assim, o momento mais delicado aconteceu no fim de 2022.

A COPA DO MUNDO DE 2022 MARCOU O FIM DA PARCERIA

No Mundial disputado no Catar, Cristiano Ronaldo foi titular nos três compromissos da fase de grupos, mas acabou substituído em todas as partidas. A situação mudou na fase eliminatória, quando o atacante perdeu espaço e passou a iniciar os jogos no banco de reservas.

A decisão de Fernando Santos provocou uma das maiores discussões daquela Copa envolvendo Portugal. A equipe avançou nas oitavas de final sem Cristiano entre os titulares e voltou a utilizá-lo em determinados momentos, mas o relacionamento entre os dois já estava sob forte tensão.

O próprio treinador não escondeu sua insatisfação com algumas declarações dadas pelo atacante durante o torneio. Em meio ao ambiente conturbado, surgiu uma conversa entre os dois que se tornou pública e que expôs o nível de irritação de Cristiano.

Está com uma pressa do c… para me tirar, f…”

— Cristiano Ronaldo, para Fernando Santos, durante a Copa de 2022.

A situação ganhou ainda mais repercussão depois que Portugal foi eliminado nas quartas de final pelo Marrocos. Cristiano Ronaldo iniciou aquela partida no banco e entrou durante o segundo tempo, mas não conseguiu evitar a queda portuguesa.

Pouco depois do encerramento da participação no Mundial, Fernando Santos deixou o cargo. O treinador encerrou uma trajetória de oito anos à frente da seleção, período no qual conquistou a Eurocopa de 2016 e a Liga das Nações de 2019.

Cristiano Ronaldo, por sua vez, não publicou uma mensagem de despedida ao treinador, encerrando de maneira discreta uma parceria que havia começado com grandes conquistas e terminado em meio a um dos períodos mais delicados da história recente da seleção portuguesa.

JORGE JESUS É O CAPÍTULO MAIS RECENTE

Depois de todas essas passagens, a relação entre Cristiano Ronaldo e os treinadores de Portugal ganhou um novo capítulo com Jorge Jesus.

O atual cenário voltou a chamar atenção justamente porque o atacante já acumulava episódios de tensão com outros comandantes. A crise mais recente, marcada pelo abandono de um treino após uma coletiva de Jorge Jesus, recolocou em discussão a relação entre o maior nome da geração portuguesa e os responsáveis pelo comando técnico da seleção.

Ao longo de mais de 20 anos de trajetória internacional, Cristiano Ronaldo construiu uma história de protagonismo absoluto com Portugal. Foi campeão europeu, venceu a Liga das Nações e tornou-se um dos principais símbolos da equipe nacional.

Ao mesmo tempo, sua convivência com diferentes treinadores mostrou que o protagonismo do atacante também esteve acompanhado de episódios de discordância. Carlos Queiroz, Paulo Bento e Fernando Santos passaram por situações de desgaste com o jogador em momentos distintos, enquanto Luiz Felipe Scolari e Roberto Martínez não tiveram registros semelhantes de conflito público.

Agora, com Jorge Jesus, a seleção portuguesa atravessa mais um episódio envolvendo Cristiano Ronaldo e seu treinador. O novo capítulo se soma a uma relação de mais de duas décadas na qual títulos históricos, mudanças de comando e momentos de tensão caminharam lado a lado.

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