Central do Timão
·18 de setembro de 2026
Reunião no CT do Corinthians com organizadas tem cobranças a Memphis, Garro, Diniz e Stabile

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·18 de setembro de 2026

As torcidas organizadas do Corinthians foram ao CT Dr. Joaquim Grava na manhã desta sexta-feira (18) para conversar com integrantes da diretoria, comissão técnica e elenco. A movimentação ocorreu dois dias depois da eliminação para o Estudiantes, da Argentina, nas quartas de final da Libertadores, e teve como principal pauta o momento vivido pelo clube.
Além da saída do torneio continental, o Timão atravessa uma sequência de cinco derrotas consecutivas no Campeonato Brasileiro. Com os resultados recentes, a equipe caiu para a 14ª colocação e está somente quatro pontos à frente de Vasco e Internacional, que atualmente aparecem dentro da zona de rebaixamento.

Foto: Rodrigo Coca/Ag. Corinthians
Após a reunião, Ale, presidente dos Gaviões da Fiel, explicou o conteúdo da conversa e revelou quais foram os principais alvos das cobranças feitas no CT. Segundo ele, a intenção foi reunir representantes de diferentes setores do clube para discutir tanto o desempenho dentro de campo quanto os problemas administrativos e financeiros.
O encontro contou com a participação do presidente Osmar Stabile, do executivo de futebol Marcelo Paz, do técnico Fernando Diniz e de jogadores do elenco. De acordo com Ale, ninguém foi excluído das cobranças, e a conversa com os atletas também serviu para que eles apresentassem suas próprias dificuldades.
“Viemos aqui e gostaríamos que estivessem presentes todos os níveis da hierarquia, inclusive o presidente, e ele nos atendeu também. Cobramos desde o presidente, Marcelo Paz, Diniz e os jogadores, principalmente Memphis e Garro. Foi uma conversa franca com os jogadores. Eles falaram várias realidades que todos nós sabemos, como a situação em que o clube se encontra e as várias questões atrasadas. Isso não justifica o mau desempenho em campo, e eles próprios falaram que não justifica”, iniciou em entrevista publicada pela Central do Timão.
Memphis Depay esteve entre os jogadores mais questionados. O atacante teve a oportunidade de levar o Corinthians ao empate contra o Estudiantes, mas desperdiçou uma cobrança de pênalti no último lance do confronto que terminou com a eliminação corintiana.
“Agora, em relação aos jogadores, principalmente o Memphis: a moral e o apoio que a torcida, no geral, deu a esses jogadores… Fazia muito tempo que não víamos uma situação como essa, de acreditar tanto. Foi uma grande decepção o que ele fez. Falamos que, na nossa concepção, ele foi egocêntrico e só pensou nele. Ele tinha que ter mais responsabilidade e assumiu o erro. Falamos que não vamos admitir mais isso pelo investimento que existe em cima dele. Ou ele joga bola e entrega o que se espera, ou faz uma negociação amigável e vai embora”, declarou Ale.
Rodrigo Garro também foi citado durante a conversa. As organizadas questionaram a queda de rendimento do argentino e buscaram explicações para o desempenho apresentado nas partidas recentes.
“Também queremos entender por que o Garro não está jogando, se existe algum problema entre os dois, alguma questão relacionada a camisa ou qualquer outra situação, porque ele não está jogando absolutamente nada. Está muito distante do Garro de 2024. E o Diniz também. Já estamos em uma sequência de derrotas. Não há evolução tática, não há evolução de nada”, apontou.
Situação do elenco e transfer bans
A composição do grupo de jogadores também esteve no centro das discussões. Ale afirmou que as torcidas consideram insuficiente o atual elenco e cobraram explicações da diretoria sobre as dificuldades para contratar novos atletas.
O Corinthians está submetido a três transfer bans, que impedem o registro de novos reforços. Para Ale, a situação financeira e a impossibilidade de desembolsar aproximadamente R$ 22 milhões para resolver uma das pendências expõem problemas na condução do futebol.
“A gente entende também que não existe elenco. Vieram os medalhões para conversar, mas até falamos entre nós: vai vir um jogador mais jovem conversar com a gente? Não existe elenco. Para nós, é inadmissível um clube do tamanho do Corinthians não ter R$ 22 milhões para pagar uma transferência e suspender o transfer ban. E nós perguntamos ao Marcelo Paz: ‘Qual é a sua função aqui? Qual é o seu trabalho, Marcelo Paz?’. Ele não tem o que falar”, enfatizou.
Críticas à gestão e cenário eleitoral
O presidente Osmar Stabile também foi diretamente questionado durante a reunião. Ale afirmou que os Gaviões não estão satisfeitos com a condução do clube e relacionou a situação atual às eleições presidenciais previstas para novembro.
“Fomos muito duros com o Osmar Stabile. Para nós, ele já está mentindo há muito tempo. Esse rapaz não tem condição e quer se reeleger. Por que há tantos candidatos aparecendo agora na eleição do Corinthians? Eles não têm solução nenhuma. Muitos falam sobre a negociação com a Caixa, entre outras coisas. Enfim, eles nunca falam de forma clara e objetiva. Então, o Osmar Stabile, para nós, já está no limite da nossa paciência. Estamos falando de uma coisa óbvia: o Corinthians está no fundo do poço. Não tem de onde tirar mais dinheiro, não tem nada, não há perspectiva”, expôs.
A liderança da torcida organizada também afirmou que, na visão apresentada por ela, existe falta de confiança na atual administração e nos candidatos que disputam a sucessão do clube.
“Hoje, nós não estamos com o Osmar Stabile. Se existe alguém dizendo que a torcida está com o Osmar Stabile, não é a massa. Esse cara não passa confiança nenhuma para nós. Zero. Ele tem que provar. Não basta falar. Não basta fazer uma longa oratória. ‘O quinto andar está aberto para mostrar os contratos.’ Vamos fiscalizar os contratos, sim. Mas queremos ver resultado. Então, na nossa avaliação, não confiamos nele. E não confiamos nos candidatos que estão se candidatando. Nenhum deles”, esclareceu.
Ale ainda questionou a atuação de dirigentes e conselheiros diante do tamanho das dívidas do Corinthians. Ele citou novamente os bloqueios no mercado de transferências como consequência das pendências financeiras.
“Todos esses conselheiros e dirigentes precisam reconhecer que deu errado. Têm que ter humildade e falar: ‘Nós fracassamos. Acabou.’ Se eles não tiverem esse entendimento, nós vamos continuar vindo aqui apenas para cobrar soluções. E, se o Osmar Stabile diz que tem a solução, então é uma solução eleitoreira. ‘Ah, vou negociar aqui, vou negociar ali.’ Mas estamos há mais de um ano nisso. A dívida vai crescer novamente. Vai chegar a R$ 3 bilhões. Não conseguimos contratar ninguém por causa de R$ 22 milhões”, disse.
Memphis foi um dos principais alvos
O pênalti perdido diante do Estudiantes foi um dos assuntos mais sensíveis da conversa com Memphis Depay. Segundo Ale, a cobrança feita ao atacante levou em consideração não apenas o lance decisivo, mas também o respaldo que o jogador recebeu da torcida desde sua chegada ao Corinthians.
“Nós pegamos um pouco pesado com ele, e era o certo. Ele foi um dos grandes responsáveis pela nossa eliminação. Tinha que ouvir algumas coisas. Por tudo que a Fiel fez para esse cara se manter no Corinthians… Quando digo Fiel, falo da torcida no geral. Uma parcela era contra, o que é normal. Nossa torcida nunca ficou idolatrando jogador, mas, naquele momento, acredito que a Fiel Torcida achou que ele era importante. E ele é um jogador de decisão. Está ali para decidir, e não decidiu”, destacou.
De acordo com o presidente dos Gaviões, o camisa 10 teve oportunidade de explicar o que aconteceu na cobrança e admitiu que errou no momento decisivo.
“Ele também teve espaço para falar e justificar por que talvez tenha errado o pênalti. Ele falou que achou que estava bem, que só passava daquela maneira, e errou. Ele falou que errou. Mas ele frustrou todos os corinthianos. Nós estamos decepcionados. Falamos: você joga em um clube em que, dependendo da derrota, ela pode até ser aceitável, mas tem que existir uma derrota em que você sue a camisa, em que saia minimamente sujo, com o uniforme sujo, e não do jeito que vocês estão saindo”, acrescentou.
Ainda segundo Ale, os jogadores assumiram o compromisso de mudar a postura na reta final do Campeonato Brasileiro. As organizadas, porém, deixaram claro que novas manifestações poderão ocorrer caso os resultados continuem negativos.
“O único clube do Brasil que aceita isso é o Corinthians. Eles falaram que vão dar tudo agora nesta reta final de campeonato, que é o mínimo que se espera deles. E, daqui para frente, se o resultado não vier, serão cobranças atrás de cobranças”, afirmou o presidente da organizada.
Cobranças direcionadas a Fernando Diniz
O trabalho de Fernando Diniz foi outro ponto discutido durante a reunião. Ale afirmou que o treinador foi questionado principalmente pela falta de resultados e pela derrota para a Chapecoense, por 2 a 1, na Neo Química Arena.
“O que ele fala é o que todo treinador fala, que está trabalhando. ‘Estamos trabalhando, trabalhando, trabalhando.’ Mas, nas entrelinhas, ele fala que não tem elenco. Isso não justifica perder para a Chapecoense. Eu falei: ‘Está no seu currículo. Você perdeu para a Chapecoense no final do campeonato. E você foi eliminado duas vezes aqui, na Arena. Está no seu currículo. Você tem que se virar'”, disparou Ale.
Durante a conversa, as organizadas também pediram que os jogadores deixem os problemas políticos e administrativos fora das quatro linhas e concentrem esforços na sequência do Brasileirão. Ale mencionou ainda o desejo de uma classificação para a próxima Libertadores.
“Eles falaram que vão dar a vida pela torcida do Corinthians. Esqueçam os dirigentes. Esqueçam esse cara que acabou com o nosso Corinthians. Vão pela torcida do Corinthians. Pela criança que chorou muito na quarta-feira. Pelo trabalhador que acordou cedo no dia seguinte e foi motivo de chacota no trabalho. Vão por nós. Vamos tentar uma vaga na Libertadores. Quem sabe não acontece algo como em 2011 e 2012, quando veio a redenção? É nisso que temos que acreditar”, comentou.
Departamento médico também entrou em pauta
A situação do departamento médico foi outro assunto levantado pelas torcidas. Ale citou o caso de Yuri Alberto, que se aproxima de dois meses afastado e tem previsão de retorno somente depois da Data Fifa, no início de outubro.
“A sensação que temos é que o Departamento Médico não conversa com o Departamento Físico. O Departamento Médico fala para trabalhar com determinada carga, e chega lá e trabalha com outra. Isso aconteceu também com o Memphis. Agora, não entendemos essa demora com o Yuri Alberto. E há também a questão do Departamento Físico. Você vê os jogadores se arrastando em campo, sendo poupados jogo após jogo. Então, em relação ao retorno do Yuri Alberto, está demorando muito. Fomos eliminados agora e só nos resta lutar no Campeonato Brasileiro. Infelizmente, é muito pouco para a história do Corinthians”, pontuou.
Ale também contou que os jogadores tiveram liberdade para expor suas insatisfações durante a reunião. Na avaliação dele, os relatos apresentados pelos atletas mostraram um ambiente interno bastante desgastado.
“Quando as coisas estão acontecendo da maneira correta, tudo funciona. O futebol também tem essas coisas. A bola simplesmente entra. Quando o ambiente está bom, as coisas fluem. O que senti aqui é que o ambiente está muito carregado. Os caras estão frustrados. Dá para sentir. O desabafo dos jogadores foi pesado”, revelou.
“Nós viemos com muita intensidade. Quando dei espaço para eles falarem, foi um choque de realidade muito grande. Não é que estejamos abraçando 100% das ideias deles, mas foi um choque de realidade. Nunca vimos um jogador desabafar tanto quanto eles desabafaram aqui, na frente do presidente”, completou.
Veja a nota divulgada pela Gaviões da Fiel
GAVIÕES EXIGE RESPEITO À FIEL TORCIDA
A eliminação não pode ser atribuída a um único lance. O pênalti desperdiçado foi apenas o reflexo de uma sequência de erros que vêm enfraquecendo o Corinthians há meses: falta de planejamento, ausência de comando no futebol, gestão ineficiente e decisões equivocadas.
Memphis, sua cobrança de pênalti foi irresponsável e displicente, e você foi o principal responsável pela eliminação na Conmebol Libertadores. Chegou o momento de corresponder ao investimento feito pelo Corinthians em sua renovação. Caso contrário, peça pra sair.
Garro, até quando as reclamações com a arbitragem substituirão o protagonismo esperado de um camisa 8? O Corinthians precisa de liderança e personalidade nos momentos decisivos.
Ao restante do elenco, a cobrança é clara: faltam entrega, comprometimento e atitude. O torcedor está cansado de discursos. Vestir essa camisa exige muito mais.
Nossa cobrança também se estende à diretoria presidida por Osmar Stabile, denunciado pelo Ministério Público de São Paulo, e a Armando Mendonça, que responde como réu em processo judicial. A atual gestão demonstra incapacidade para apresentar soluções concretas aos inúmeros problemas do clube. É inadmissível que o Corinthians permaneça há mais de 100 dias convivendo com restrições que limitam sua atuação no mercado, sem respostas efetivas.
Os conselheiros também têm responsabilidade. Ao resistirem à reforma estatutária e à profissionalização do clube, contribuem para a instabilidade que prejudica o Corinthians.
A comissão técnica igualmente precisa assumir sua parcela de culpa. As limitações do elenco não explicam derrotas para o lanterna do campeonato nem atuações tão abaixo do esperado em partidas decisivas. Fernando Diniz, o Corinthians precisa produzir mais.
O pênalti perdido foi apenas a consequência mais visível de um problema muito maior. Jogadores, comissão técnica, diretoria e conselheiros são responsáveis pelo momento atual.
A Fiel jamais abandonará o Corinthians, mas seguirá cobrando postura, competência, seriedade e respeito à história do clube.
O Corinthians exige respeito.







































