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·17 de agosto de 2026

Revelado detalhes do contrato com a Ticketmaster: R$ 30 milhões na mão e até grana para o museu

Imagem do artigo:Revelado detalhes do contrato com a Ticketmaster: R$ 30 milhões na mão e até grana para o museu

O São Paulo escolheu a Ticketmaster como vencedora da concorrência pública para assumir a operação de venda de ingressos do estádio do Morumbi, em substituição à Total Acesso.

O processo foi iniciado em abril de 2026 e recebeu seis propostas originais, tendo a Ticketmaster e a NewC como finalistas. A proposta vencedora, considerada pela diretoria a mais vantajosa para aliviar o caixa do clube, será submetida à apreciação do Conselho de Administração e do Conselho Deliberativo antes da assinatura formal.


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Estrutura de Antecipação e Empréstimo

O pilar financeiro do acordo prevê o repasse de R$ 140 milhões ao clube, dividido em duas frentes:

Antecipação financeira (R$ 110 milhões): O montante será liberado em até 45 dias após a assinatura do contrato sob a modalidade de empréstimo. O São Paulo deverá quitar o valor em cinco anos, com incidência de juros equivalentes ao CDI acrescido de 1,99%.

Mecanismo de amortização: A devolução do empréstimo será atrelada às receitas de bilheteria dos jogos no Morumbi, com trava de pagamento mensal limitada a R$ 1,8 milhão. O teto garante estabilidade ao fluxo de caixa do clube tanto em meses de alta arrecadação quanto em períodos de menor movimentação.

Gestão do Camarote 29A (R$ 30 milhões): A Ticketmaster pagará R$ 30 milhões à vista após a assinatura para obter o direito de exploração comercial do camarote 29A por cinco anos. O espaço, utilizado pelo clube para ações de relacionamento, exigirá que a empresa compre ingressos adicionais em dias de shows. A Ticketmaster já opera a bilheteria dos eventos musicais no Morumbi por indicação da Live Nation.

Aportes Adicionais e Expansão de Serviços

Fora do pacote principal de R$ 140 milhões, o contrato estabelece um benefício adicional de R$ 6 milhões destinados exclusivamente à reforma do Museu do São Paulo.

A parceria contempla ainda a transição da gestão do programa de sócio-torcedor — atualmente sob responsabilidade da empresa Feng — para a Ticketmaster. A unificação das duas operações busca integrar os serviços, otimizar a experiência do torcedor e reduzir custos operacionais.

Taxas de Administração

O modelo tarifário proposto prevê:

Ingressos digitais: Taxa de administração de até 10% por bilhete vendido.

Ingressos físicos: Taxa de 8% nas vendas presenciais.

Sócio-torcedor: Cobrança de 8% por associado do programa.

Polêmicas de Bastidores

Conforme o AVANTE MEU TRICOLOR revelou, o contrato entre São Paulo e Ticketmaster vem sendo mais um fator de disputa política interna no clube do Morumbi.

Em meio à revelação de que o balanço semestral apontou um déficit de R$ 215 milhões no primeiro semestre — elevando a dívida consolidada do clube para a marca de R$ 1,1 bilhão —, a diretoria busca alternativas de alívio orçamentário. Contudo, a assinatura da carta de intenções para que a estadunidense Ticketmaster assuma a operação de ingressos a partir de 2027 virou moeda de troca no cenário político do Morumbi.

Grupos da base aliada da gestão (Legião, Participação, Vanguarda, Sou Tricolor e Sou São Paulo) articulam condicionar a liberação e aprovação do novo contrato comercial à votação da Reforma Estatutária, pautada no Conselho Deliberativo para a próxima segunda-feira (24).

Inicialmente propensos a barrar o texto da Reforma Estatutária por interpretarem que a proposta conta com forte influência do presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres de Abreu Júnior — o que tornaria sua aprovação uma vitória política do primncipal rival político do momento —, os grupos da situação passaram a utilizar a liberação do contrato com a Ticketmaster como trunfo nas negociações.

O movimento vem em resposta às barreiras impostas pela própria presidência do Conselho. Olten Ayres sinalizou a intenção de criar comissões internas para devassar todo o processo de concorrência da nova tiqueteira, com análise das propostas concorrentes (como a da empresa NewC), da confecção do edital e de eventuais vínculos entre membros da diretoria e a multinacional.

Mesmo sob a pressão de aliados do presidente Harry Massis para que a deliberação ocorra em ritmo de urgência, a tendência de bastidor é que a apuração e o trâmite no Conselho se desdobrem por, no mínimo, dois meses.

Investida da NewC e Reestruturação de Passivo

Para assumir o programa de sócios-torcedores, o São Paulo terá de arcar com a multa rescisória do contrato da Feng, que havia sido renovado no início de 2025 pelo ex-diretor de marketing Eduardo Toni (com cláusula de 11% sobre a primeira mensalidade de novos adeptos).

A diretoria são-paulina também avaliou uma proposta concorrente da NewC no valor de R$ 500 milhões — empresa responsável pelo reconhecimento facial do estádio do Palmeiras.

A oferta previa assumir as bilheterias, o sócio-torcedor e o direito de superfície do Morumbi.

Contudo, o Estatuto Social do clube veda a cessão do direito de superfície pelo presidente, inviabilizando a negociação com a NewC e selando a parceria com a Ticketmaster, com quem o São Paulo já possuía proximidade, visto que a empresa faz parte da mesma holding da Live Nation, também parceira do Tricolor para a realização de shows no Morumbi.

A proposta de caráter patrimonial prevê a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) vinculado ao direito de superfície do Morumbi, podendo alcançar aporte próximo a R$ 500 milhões a longo prazo (8 a 10 anos) para a quitação de dívidas bancárias onerosas.

Paralelamente à concorrência da bilheteria, a empresa dinamarquesa NewC — que integrou o processo licitatório original —, acompanhada de um parceiro financeiro, apresentou aos grupos políticos do clube uma oferta alternativa focada em reestruturação de dívidas.

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