Rilany Silva analisa trajetória como técnica e projeta final do Sul-Americano Feminino Sub-17 | OneFootball

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·09 de maio de 2026

Rilany Silva analisa trajetória como técnica e projeta final do Sul-Americano Feminino Sub-17

Imagem do artigo:Rilany Silva analisa trajetória como técnica e projeta final do Sul-Americano Feminino Sub-17

Neste sábado (9), a Seleção Feminina Sub-17 disputa a final do Sul-Americano contra a Argentina, às 19h30 (de Brasília), no Estádio Defensores del Chaco, em Assunção (PAR). A treinadora da Amarelinha, Rilany Silva, falou sobre a preparação do Brasil e projetou o confronto.

“Nós projetamos a competição como seis missões. Essa é a nossa sexta missão. Desde o primeiro dia, todo dia nós vivemos o 9 de maio, então essa data está sendo construída há 32 dias e isso fortalece muito esse grupo”, disse.


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“São duas equipes que são bem diferentes na forma de jogar. Nós jogamos de uma maneira muito mais associativa e coletiva, e a Argentina joga de uma maneira mais sobre transições, contra-ataques e aposta muito na capacidade física da sua equipe. Acredito que será um jogo de duas forças diferentes e que talvez quem mexer melhor a peça do tabuleiro, no momento crucial, tenha mais vantagem", completou.

Na véspera do grande jogo, Rilany concedeu entrevista exclusiva à CBF TV e abordou diversos temas como sua mudança de jogadora para treinadora, o quarto lugar na Copa do Mundo Sub-17 no ano passado, sua amizade com a auxiliar técnica Bia Vaz, entre outros. Confira a entrevista completa:

TRANSIÇÃO DE JOGADORA PARA TÉCNICA

Rilany tem extensa carreira como atleta. Como zagueira, ela conquistou duas Copas América com a Seleção Brasileira em 2014 e 2018, além de triunfos pelos clubes que jogou, como em destaque: Copa do Brasil (Santos, 2008), Campeonato Brasileiro (Ferroviária, 2014), Taça de Portugal (Benfica, 2019), vice-campeonato da Champions League ao lado de Marta (2014, Tyresö).

Ela contou como foi essa transição de dentro de campo para a beira do gramado e como surgiu a vontade de se tornar treinadora. Além da Seleção Feminina Sub-17, Rilany treinou a base do Benfica e do Corinthians, e foi auxiliar técnica da equipe principal feminina do Cruzeiro.

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Seleção Brasileira Feminina campeã da Copa América do Chile; Rilany com a camisa 13Créditos: Lucas Figueiredo/CBF

“Eu comecei a pensar nos dois últimos anos (da carreira como jogadora). A virada de chave de fato foi quando eu saí da Espanha para Portugal. Em Portugal eu já estava mais ajudando fora de campo, ajudando as minhas colegas. Eu era sempre muito atenta à parte tática. E aí foi surgindo uma sementinha de ‘será que faz sentido eu ir para esse lado?’.”

“Quando eu estava na Seleção, nas conversas de mesa, após café, almoço, lanche… o Vadão (técnico) sempre falava que eu tinha algo que poderia me conectar a isso (ser treinadora) e eu achava que não fazia muito sentido, mas acabou por acontecer. Não foi algo planejado. Quando acaba a vida de jogadora você pensa ‘agora vou ter final de semana', mas como técnica a rotina é ainda pior a nível de demanda, mas é algo que, se eu pudesse escolher novamente há 5 anos, eu escolheria a mesma coisa.”

RELAÇÃO COM AS ATLETAS

Em novembro de 2025, durante a Copa do Mundo Feminina Sub-17, a FIFA publicou uma matéria em que o tema principal era o trabalho de Rilany com a Seleção Brasileira e a opinião das jogadoras sobre isso. No Mundial, ela atingiu o feito histórico de levar o Brasil a uma semifinal jamais disputada antes.

Um dos pilares da técnica é a boa convivência entre comissão e atletas. Rilany afirmou que a relação positiva é construída de forma natural e verdadeira.

“Eu vi essa matéria, acho que saiu em novembro, se eu não me engano, e eu só vi muito tempo depois e eu fiquei bem feliz. Não é algo proposital, algo que eu planeje ou que eu quero que elas (as atletas) pensem sobre mim. Eu só tento ser de verdade e isso acaba gerando uma boa relação. Tem um respeito muito grande, uma admiração mútua e acaba sendo algo natural.”

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Jogadoras abraçam Rilany ao comemorar classificação para final do Sul-AmericanoCréditos: Staff Images/CBF

4º LUGAR NA COPA DO MUNDO SUB-17 2025

Chegar à semifinal e ficar em quarto lugar na Copa do Mundo Feminina Sub-17 foi histórico para o Brasil. Até então, o melhor resultado do país havia sido chegar às quartas de final em 2010, 2012 e 2022.

Questionada se tinha noção do grande feito, Rilany destacou que, sim, foi uma campanha histórica, mas que toda a equipe gostaria de ter finalizado a competição com uma medalha.

“Depois da Copa do Mundo, eu cheguei no Brasil e já viajei logo para a Tailândia para um evento da FIFA, então eu não vivi o pós-Copa e o quão impactante foi. Em relação ao resultado, o que fica para nós, o que mais marca para mim, é que nós não conseguimos a medalha. Estávamos tão perto de um feito histórico, de uma medalha para a categoria.”

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Seleção Feminina Sub-17 ficou em quarto lugar na Copa Mundo 2025Créditos: Fabio Souza/CBF

“Eu entendo a grandiosidade de fazer história, mas eu também entendo que a Seleção Brasileira é sobre troféus, medalhas e quando eu digo isso as pessoas falam: "Não, você fez algo histórico, por que está assim?". Porque eu sei o quão perto a gente estava e escapou por um fio.”

“Quem viveu a Copa do Mundo com a gente entende que, quando eu falo nós perdemos a medalha, de fato foi pela campanha que a gente fez, da maneira como a gente estava na competição, a maneira como aquele grupo abraçou e que a gente não tinha dúvida de que iríamos conseguir. Mas o futebol é jogado e o que elas construíram não será apagado nunca no mundo.”

AMIZADE COM BIA VAZ, AUXILIAR TÉCNICA DA SELEÇÃO SUB-17

Rilany Silva e Bia Vaz são amigas de longa data. As duas jogaram juntas e repetem a dobradinha como técnicas. Antes de trabalharem na Seleção Brasileira, Bia era técnica da equipe feminina Sub-20 do Corinthians e Rilany sua auxiliar. Já no time sub-17 do Timão, as funções eram invertidas.

Rilany não poupou elogios à sua auxiliar técnica na Seleção Sub-17, que também é treinadora da categoria Sub-15 da Amarelinha.

“Eu convido a Bia há 1 ano, desde que eu cheguei aqui (na Seleção). Pelos objetivos de vida profissional dela, ela achou que ainda não era a hora de aceitar e eu sempre respeitei isso. Antes de ser a auxiliar da Seleção Brasileira Sub-17 e a treinadora da Sub-15, ela é uma das minhas melhores amigas. Joguei com a Bia desde 2010, então a gente se conhece muito e a gente foi criando uma relação de muito respeito e admiração.”

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Bia Vaz e Rilany se abraçam após Brasil avançar à semifinal do Sul-AmericanoCréditos: Staff Images/CBF

“A Bia é um ser humano muito fantástico, com um coração sonhador e otimista. Assim como eu, ela também teve suas inseguranças no início como treinadora para entender se fazia sentido ou não. Quando ela se tornou treinadora, eu ainda era jogadora, e quando eu conheci a Bia treinadora, no Corinthians, eu acabei complementando ainda mais a admiração que eu tinha por ela.”

“Quando eu estou com dúvida de alguma coisa ela fala: "É isso, se você acredita vamos", e vice-versa. A gente se apoia bastante, ela é uma rede de apoio que acho que qualquer pessoa deveria ter. Quem conhece a Bia sabe do que eu tô falando.”

PRIMEIRA FINAL COM A SELEÇÃO

No Sul-Americano em 2025, o Brasil foi vice-campeão. Na época, a segunda fase do torneio era disputada no formato de hexagonal final, em que as três melhores equipes de cada grupo da fase inicial se enfrentavam e a seleção com mais pontos era a campeã continental.

Em 2026, a Conmebol mudou o torneio para ter semifinal e final. Com isso, Rilany alcançou a sua primeira decisão com a Seleção Brasileira.

A treinadora falou sobre o vice-campeonato do ano passado e como a equipe chega para o duelo contra a Argentina neste sábado (9).

“O ano passado doeu bastante. Eu tinha acabado de chegar na Seleção. O ponto mais importante, e que não acontece do dia para a noite, é você entender em quão pouco tempo você tem que fazer essa equipe jogar futebol, porque elas vêm de culturas e escolas diferentes e você tem que fazer todo mundo pensar igual. A campanha do ano passado, em que mesmo de forma invicta a gente não ganhou, me fez repensar e rever treinos e jogos.”

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Seleção Feminina Sub-17 vice-campeã do Sul-Americano 2025Créditos: Nelson Terme/CBF

“Agora, tendo a primeira final, com uma melhor visão, o melhor entendimento dos cenários, do que elas precisam, de como chegar nelas, de como atingi-las o mais rápido possível e de uma maneira efetiva, eu acho que a gente chega melhor preparada do que o Sul-Americano passado."

“É uma equipe que tem jogadoras com uma capacidade de leitura, entendimento e absorção muito grande, e isso facilita muito o nosso trabalho. É um agregado de entender o contexto, ter amadurecido como treinadora da Seleção Brasileira, entender o que precisa nesses poucos dias que a gente está junto e ter um grupo que dá uma resposta absurda.”

“É difícil pensar em mim. Eu penso em mim quando é para corrigir algo. Quando algo não acontece como deveria, eu sempre olho para mim e fico pensando ‘o que eu poderia ter feito melhor?’. Quando as coisas acontecem de uma maneira boa, eu olho para todo mundo que está aqui, que me ajuda, que compartilha o dia a dia e que facilita muito o meu trabalho. A área da nutrição, da psicologia, da fisioterapia, da preparação física, eles facilitam muito o meu trabalho. Eu só tenho mesmo que pensar no jogo e nas estratégias, porque está tudo pronto. Essa integração me faz ser uma melhor treinadora.”

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Rilany Silva durante confronto entre Brasil e Chile pela semifinal do Sul-AmericanoCréditos: Staff Images/CBF

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