Portal dos Dragões
·03 de julho de 2026
Roberto Martinez feliz com a vitória de Portugal e elogia Diogo Costa: “Está muito bem preparado”

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Portugal apurou-se para a próxima fase do Mundial de 2026 ao vencer a Croácia por 2-1, e Roberto Martínez terminou a partida com uma mensagem bem vincada: para ganhar, a equipa precisou de qualidade, inteligência de leitura e, acima de tudo, de resposta nos momentos de maior aperto. O selecionador destacou a primeira parte da equipa, valorizou a profundidade do banco e apontou Diogo Costa como uma das grandes figuras da noite. No final, deixou a síntese do essencial e garantiu: “Está preparado”.
No rescaldo de um jogo a eliminar, já sem a margem de erro típica da fase de grupos, Roberto Martínez mostrou-se satisfeito com a forma como Portugal soube lidar com um encontro de exigência máxima. O selecionador falou de maturidade competitiva, da capacidade para sofrer sem perder a convicção e da variedade de perfis que lhe permite mexer na partida sem desfigurar a equipa. Foi uma leitura de Mundial em estado puro, em que a perfeição dá lugar à capacidade de sobrevivência com lucidez.
Na análise global ao encontro, Martínez foi claro e enquadrou de imediato a diferença entre esta fase da prova e aquilo que ficou para trás. A sua leitura começou pela qualidade da primeira parte, mas ganhou outra dimensão quando o jogo obrigou Portugal a resistir e a manter a crença.
“Já não são os jogos de fase de grupos, são jogos em que se jogas bem precisas de marcar. A primeira parte foi fantástica a todos os níveis: capacidade de ler o jogo, a chegar ao último terço…”, afirmou. “Há sempre o perigo contra equipa como a Croácia em que precisas de valores de equipa, sofrer um golo e continuar a acreditar. É essa mentalidade que ajuda a ganhar um jogo. O jogo perfeito num Mundial já não existe. É capacidade de ser bom, de ter talento..”
Nas palavras do selecionador, há uma visão menos romântica e mais dura da competição: não basta jogar bem, é necessário transformar superioridade em eficácia e manter a cabeça quando o guião se complica. Foi essa resistência mental, mais do que qualquer ideal de controlo absoluto, que Martínez encontrou na noite de Portugal.
Quando a conversa passou para o banco e para as soluções disponíveis, o discurso assumiu outro tom: o de uma equipa construída com variedade e recursos para responder a cenários distintos. Martínez destacou nomes e características, sempre com a noção de que o coletivo vive dessa diversidade.
“É o que nós temos, muitos perfis diferentes, jogadores com experiência. Não há outro no Mundial que consiga bater o penálti como o Ronaldo fez e outro a entrar na área como o Gonçalo Ramos.”, sublinhou. “E depois Semedo, o Chico… e tínhamos mais para ajudar. A equipa está comprometida. O João Félix faz Mundial muito bom. Temos jogadores que precisam de estar prontos, o logro de Portugal é isso, estar juntos.”
O treinador reforçou ainda que essa riqueza individual só faz sentido quando se traduz em compromisso coletivo.
Nesta perspetiva, Portugal surge menos como uma equipa dependente de uma figura e mais como um organismo com alternativas, capaz de mudar de pele ao longo do jogo. A mensagem é evidente: o valor está tanto em quem resolve como em quem entra para alterar o rumo da partida.
Questionado sobre a possibilidade de ter sido esta a melhor exibição da Seleção, Martínez preferiu enquadrar a resposta na dureza própria da competição. E, sem esconder o orgulho, defendeu de forma firme a superioridade técnica e tática de Portugal, ainda que o encontro tenha tido sobressaltos.
“Estamos no Mundial, os jogos são muito competitivos. A nível técnico e tático fomos superiores à Croácia, só faltou o golo. Tivemos intensidade que ainda não tivemos antes, foi o primeiro desta intensidade.”, explicou. “Há a confusão de um lançamento lateral que pensamos que é nosso e no lance sofremos um golo. É fácil isso dar força à Croácia, a dinâmica era contrária. Tivemos coração e capacidade para utilizar diferentes perfis e a ajustar o que precisamos. É um dia para estar muito orgulhoso dos nossos jogadores. O jogo foi fantástico para o adepto. Passámos aos oitavos, num ano onde honramos Diogo Jota e André, também o pai de Ricardo Carvalho. Ficou 2-1, que é o 21 do Diogo Jota, contra a última equipa a quem ele marcou. Muitos sinais de uma força e uma energia do que o Diogo Jota era na Seleção, um foco de acreditar, de que temos uma responsabilidade de continuar a mostrar os valores. É a nossa luz no Mundial.”
Mais do que uma avaliação estética da exibição, o selecionador desenhou um retrato emocional da noite, em que intensidade, capacidade de adaptação e carga simbólica do resultado se cruzaram. O orgulho de Martínez não nasce de uma partida perfeita, mas de uma equipa que conseguiu manter o rumo quando o encontro ameaçou escapar.
Por fim, a conversa centrou-se nos momentos decisivos: as defesas de Diogo Costa, o impacto de Gonçalo Ramos e a alteração no meio-campo com a saída de Ronaldo. Foi aí que Martínez explicou com maior clareza a lógica das substituições e a leitura fina dos instantes do jogo.
“É importante utilizar os perfis que temos na equipa. A entrada do Gonçalo Ramos com o Cris na área podia condicionar muito, era o momento certo. Depois do golo a Croácia precisa de sair mais e arriscar, era momento para ter mais um médio e controlar a ligação Modric-Kovacic.”, analisou. “O jogo precisava disso nesse momento. Quando voltam a chegar à nossa baliza era momento para uma estrutura diferente. Diogo Costa já vimos contra a Colômbai que está preparado, é o capitão do seu clube, em maturidade cresceu muito. Estamos muito contentes por ter um guarda-redes como o Diogo Costa.”
Neste último olhar, percebe-se a matriz do selecionador: adaptar, mexer, proteger zonas críticas e confiar em quem tem de decidir quando a pressão aumenta. E se o plano coletivo foi, para Martínez, uma das chaves da vitória, a segurança de Diogo Costa surgiu como a confirmação de que Portugal tem guarda-redes para estes palcos.
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