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·26 de junho de 2026
Roberto Martínez: «Para chegar à final temos de ter talento e ser comprometidos, nós temos isso»

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A seleção nacional masculina realiza, esta sexta-feira, em Palm Beach, o último treino de preparação antes do jogo decisivo com a Colômbia, referente à 3ª jornada da fase de grupos do Mundial. Antes, o selecionador nacional Roberto Martínez fez a antevisão da partida e destacou o respeito que tem de haver com os colombianos, mas mantendo a personalidade demonstrada até aqui.
Melhor posição para Portugal: «Num torneio como este, não há caminho certo ou posição certa. O importante é chegar ao melhor nível. Isso só se consegue ganhando jogos. Foco é respeitar a Colômbia. É um jogo diferente a nível tático do que tivemos anteriormente. Foco é continuar o que fizemos no 2º jogo, melhorar aspetos a melhorar e utilizar os três jogos para preparar o segundo Mundial.»
Colômbia como afirmação perante as críticas: «Tivemos tempo para falar do barulho. Estamos concentrados para atingir o nosso melhor. Foi muito positivo para nós ter controlado todo o jogo 2, algo que não conseguimos no primeiro. O aspeto psicológico é muito importante e fizemos isso bem no jogo 2. Vamos precisar de fazer isso contra a Colômbia. Provavelmente é o primeiro jogo neste Mundial que jogamos fora de casa, aqui em Miami, onde há um número muito elevado de colombianos. É um bom desafio para nós.»
Luis Suárez em dúvida: «A Colômbia é uma equipa que acredita muito no que faz. O trabalho do selecionador tem continuidade e clareza de ideias. É mais importante a ideia que o jogador. Tem boa posse de bola, utiliza bem as zonas centrais e uma das melhores equipas na transição. A finalização do Luis Suárez destaca-se, mas há outros capazes disso. Falar da Colômbia é falar de uma ideia, falar de uma estrutura tática muito bem trabalhado. Gerir o balneário e o aspeto físico é importante, por isso é uma surpresa se ele gerir alguém.»
Teve menos treinos e possível gestão: «Ao contrário. O jogo com a Colômbia começou a ser preparado em março, quando estivemos no México. Tivemos 13 treinos em Miami para nos habituarmos ao clima. Os jogos em Houston, num estádio fechado, precisava de uma preparação diferente. Fizemos isso para o jogo de amanhã. Os jogadores estão preparados para o aspeto físico. É uma relva diferente e tudo o que preparámos foi desde o primeiro dia. Estamos preparados para o inesperado, gerimos o tempo. Não estar no relvado, não quer dizer que não estejamos a trabalhar. Estamos perfeitamente preparados.»
Possíveis mexidas no onze inicial: «A ideia é ter todos os jogadores preparados. Estamos numa altura em que a equipa pode fazer duas ou três mexidas e continuar ao mesmo nível. É essa a força do nosso balneários. Estão sempre prontos. Na nossa equipa, a palavra substituto não existe. Todos os 27 jogadores estão aptos, que é muito importante. A nível tático, precisamos de ajustar para respeitar o adversário. Mas também é importante sermos nós mesmos.»
Risco de voltar à exibição do jogo 1: «O grupo está num equilíbrio muito bom. Quando estamos juntos no treino podemos trabalhar tudo. O desempenho no jogo 2 deu confiança, força e isso é essencial. A atitude nos dois jogos continua e não perdemos isso. Equipa está a acrescentar constantemente. Precisamos de acrescentar o que um ambiente diferente pede, para termos a personalidade de sermos Portugal.»
Um Mundial agora, outro na fase a eliminar: «Para nós é importante poder avaliar os três jogos. Queremos continuar com o que fizemos, corrigir, alinhar e melhoras aspetos táticos, além de analisar o estado físico dos jogadores. O 2º jogo foi importante para unir o grupo e aspeto psicológico. Taticamente foi bem conseguido. Amanhã é um jogo importante, porque queremos ganhar e só depois podemos analisar como o balneário está.»
Importância da bola parada e inovação nessa área: «Não posso responder só em dois minutos. É o futebol moderno. O que acontece nas áreas é essencial. O desenvolvimento dos jogadores nas academias é entre as áreas, mas dentro delas é um desenvolvimento que vem depois. A qualidade e intensidade do cruzamento, de querer chegar à bola, é tudo. O Austin MacPhee está a fazer um trabalho fantástico. É bom poder marcar de bola parada, mas criar oportunidades é o que é consistente. Precisamos de jogar bem para utilizar a bola parada. No último terço ajuda ter a qualidade dos nossos jogadores e utilizar esses momentos.»
Preocupação em lidar com excesso de confiança: «É importante a nossa avaliação honesta e racional depois do jogo. Continuamos com o mesmo foco. O nível dos nossos jogadores tem a capacidade para perceber o que se passa dentro de campo. Não é um grupo emotivo, inexperiente. É um grupo que precisa de um aspeto racional e honesto.»
Esta é geração portuguesa para ser campeã mundial? «Há que perceber como se pode chegar à final do Mundial. Para isso, têm de estar comprometidos, dar tudo, ter o talento para vencer as melhores seleções. E os nossos jogadores têm isso. Agora é ir passo a passo e um dos passos é tentar fazer um bom jogo contra a Colômbia, que é exigente. Estamos focados no caminho. O que podemos controlar é amanhã parar as virtudes da Colômbia, controlar o jogo e sermos nós próprios.»
O que espera de uma Colômbia mais aberta: «É uma seleção com certeza do que é, com grande trabalho e continuidade da sua ideia. É uma seleção muito completa, com grande qualidade entre linhas, com jogadores como o James Rodríguez, o Quintero, o Jhon Arías, o Puertas. É uma equipa que não precisa de ter a bola para criar perigo, porque é muito boa na transição. São rápidos, com grande capacidade de chegar ao último terço. Não há segredos, o que demonstra que o Nestor Lorenzo trabalha a seleção como se fosse um clube, com grande competitividade nas posições, clareza tática. Os jogadores adoram representar a seleção. São um grande exemplo para quem está no Mundial.»
Importância de ter a experiência de Ronaldo na liderança do grupo: «O balneário tem um equilíbrio emocional muito bom, porque tem sentido de responsabilidade e exigência. Estar num Mundial obriga a isso. Há confiança, concentração. Esse equilíbrio emocional é muito importante. Ter um capitão com essa bagagem de ter estado em seis Mundiais é muito importante, mas também temos um bom grupo de liderança. Temos o capitão do Manchester United, dois dos capitães do Manchester City, o capitão do FC Porto, o capitão do Al Hilal.»
Expectativa e realidade da Colômbia: «Não há surpresa. É uma seleção muito competitiva, que já tem aspetos táticos muito claros. Ganhar ajuda o grupo. Vem com confiança, alegria, mas não há surpresas. É a seleção que esperávamos.»
Gestão dos amarelados: «Cada seleção tem os seus pontos importantes e tem de questionar. A ideia da Colômbia não muda. Foram muito consistentes nos últimos jogos do Néstor Lorenzo. E para nós é igual. É importante, num Mundial, ter competitividade. Não existe uma seleção onde se ganhe só com 11 jogadores. Não há jogos fáceis, têm de ser bem preparados. Estamos bem, mas respeitamos muito a Colômbia.»
Realidade do jogo dá liberdade para jogar? «No primeiro Mundial teria dito que sim. Queres planear tudo. Depois percebes que isso não acontece. Em 2018, Inglaterra e Bélgica estavam ambos qualificados quando se encontraram e o vencedor defrontaria o Brasil. A Bélgica venceu e a equipa cresceu. Vencemos o Brasil. O foco é vencer todos os jogos, criar a melhor atmosfera no balneário e ser capazes de vencer todos. A jornada não importa. Não há melhor jornada para vencer do que a atual.»
Equilíbrio dado pelo meio campo: «Tem sido interessante, porque quando eu cheguei à seleção em março de 2023, Vitinha não estava na equipa. Foi fascinante ver o talento dele a emergir. Depois chegou o João Neves. Mostra como a seleção deve ter sempre continuidade, para haver sincronização, mas abrindo a porta a novo talento. Portugal tem 10 milhões de habitantes e todos os dias há novos jogadores prontos a jogar. São jogadores inteligentes. Bernardo Silva, Bruno Fernandes, Vitinha e João Neves são, provavelmente, os melhores jogadores nas suas posições e são muito diferentes. É essa a nossa força. É um desafio arranjar esse equilíbrio, dar-lhes espaço na estrutura, mas é fascinante.»
Preparado para um jogo de Libertadores? «É importante estar preparado, porque um dos pontos fortes da Colômbia são os duelos e a competitividade. Nós precisamos de poder competir nesse aspeto, com cabeça fria, sem perder as emoções. O foco está no nosso desempenho, no que podemos controlar. O desafio de defrontar a Colômbia ajuda a melhorar nesse aspeto psicológico.»
Ruído afetou? «Para nós, o trabalho foi muito consistente. O ruído que veio de fora, após o jogo 1, não afetou o balneário. A verdade é que os jogadores estão concentrados. O que se passa nos jogos ajuda. Não tive tempo tempo de ver os outros jogos, mas estou à espera de um grande Mundial da Argentina.»
Treinador espanhol com mais jogos em Mundiais: «Jogar num Mundial já é difícil. Estamos numa sala com lendas do futebol espanhol. O mais importante é ter uma memória e estar num Mundial deixa-me orgulhoso.»
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