Roberto Melo faz meio-campo e Sonda doa R$ 20 milhões para o Inter pagar salários atrasados
Delcir Sonda doou R$ 20 milhões ao Internacional. É isso mesmo. O dinheiro sairá da pessoa física de Sonda e terá um destino muito específico: colocar em dia valores atrasados com jogadores e funcionários do clube. A quantia ainda não entrou na conta colorada, mas a previsão é de que esteja disponível, no máximo, até segunda-feira. E existe um personagem importante nessa história: Roberto Melo, pré-candidato à presidência do Inter, foi quem fez o meio-campo entre Sonda e a atual direção comandada por Alessandro Barcellos.
Tudo começou com uma viagem de Roberto Melo a São Paulo. Ele se encontrou com Delcir Sonda, que está melhor e lúcido, e apresentou a situação bastante complicada do Internacional. Sonda então decidiu colocar R$ 20 milhões do próprio bolso para ajudar neste momento. Não é empréstimo bancário, não é antecipação de receita e, pela informação que temos, não é um dinheiro que o Inter terá que devolver. É uma doação. E Sonda deixou claro que quer esse valor direcionado para quem está trabalhando diariamente no clube: jogadores e funcionários.
Isso significa que o dinheiro não será usado para pagar transfer ban, não será destinado para banco, empresário ou clube estrangeiro que esteja cobrando alguma negociação antiga. O Inter tem uma pilha de outras contas e elas continuam existindo. A ideia aqui é outra: zerar aquilo que está atrasado internamente e tentar diminuir a tensão justamente numa reta final em que o clube está brigando contra o rebaixamento.
Hoje, pelos números apurados, a dívida imediata com jogadores está na casa dos R$ 14 milhões. Entram aí direitos de imagem atrasados, parcelas que ainda não foram quitadas e também compromissos como férias e 13º de alguns atletas de salários mais elevados que vêm sendo carregados desde o final do ano passado. Então, se os R$ 20 milhões entrarem como previsto, o Inter terá condição de quitar esse passivo de aproximadamente R$ 14 milhões e ainda ficar com algo em torno de R$ 6 milhões.
E esses R$ 6 milhões também não vão ficar simplesmente parados. O clube tem novas obrigações chegando. O salário CLT costuma ser pago no começo do mês e, depois, até perto do dia 20, aparecem os direitos de imagem. Então o valor restante pode servir justamente para impedir que o Inter quite o atraso hoje e crie outro atraso daqui a uma semana. A intenção de Sonda é dar um fôlego um pouco maior para que, pelo menos nesse pedaço da operação do clube, o problema pare de crescer.
É importante deixar claro também que R$ 20 milhões não resolvem a situação financeira do Inter. Nem perto disso. Existem transfer bans, dívidas com outros clubes e compromissos muito maiores acumulados. Os valores discutidos para resolver pendências externas chegam a dezenas de milhões de reais. Então ninguém pode achar que Delcir Sonda apareceu com R$ 20 milhões e acabou o problema. Não acabou. O que ele está fazendo é atacar uma emergência específica: colocar dinheiro na conta de jogadores e funcionários num momento em que o time está no Z4 e precisa desesperadamente de algum tipo de tranquilidade.
E obviamente existe também um componente político nessa história. Roberto Melo é pré-candidato à presidência do Inter e foi justamente ele quem intermediou essa aproximação. A campanha talvez ainda não tenha começado oficialmente, mas na prática todo mundo sabe que o movimento político já está acontecendo. Quando Melo aparece como o cara que conversa com Delcir Sonda e viabiliza R$ 20 milhões para ajudar o clube, existe uma mensagem muito clara sendo passada: “Eu tenho essa relação, eu consigo conversar com o Sonda e esse parceiro pode ajudar o Inter”.
Não há nada de escondido nisso. É parte do jogo político. Delcir Sonda historicamente é uma figura com enorme capacidade financeira e mantém relação próxima com Roberto Melo. Agora, no pior momento esportivo do Inter em muito tempo, essa parceria aparece de forma concreta, com dinheiro sendo colocado diretamente para tentar aliviar o caixa.
O mais urgente, porém, é o campo. A expectativa é de que esse pagamento também ajude a diminuir o desgaste com o elenco. Não dá para dizer que jogador vai correr mais simplesmente porque recebeu aquilo que já tinha direito de receber. Isso seria simplificar demais. Mas é evidente que trabalhar com salário e imagem em dia melhora o ambiente e retira pelo menos uma das várias tensões existentes no vestiário.
O Inter entra numa reta final em que qualquer detalhe pesa. Está lutando contra o rebaixamento, tem pressão da torcida, discussão sobre treinador, problemas financeiros e uma eleição começando a se desenhar nos bastidores. Nesse cenário, R$ 20 milhões não salvam o clube. Mas permitem apagar um incêndio importante.
Então a situação é essa: Delcir Sonda vai colocar R$ 20 milhões no Internacional, Roberto Melo fez a intermediação e a determinação é que o dinheiro seja usado para quitar atrasos com jogadores e funcionários. Aproximadamente R$ 14 milhões devem servir para colocar pendências atuais em dia e o restante poderá ser utilizado nas obrigações que vencem nas próximas semanas. É dinheiro para dar fôlego ao Inter agora.
E, querendo ou não, também é o primeiro grande movimento visível de uma eleição que ainda nem começou oficialmente.