Central do Timão
·06 de maio de 2026
Romeu Tuma avalia votação da reforma do Estatuto e defende decisão final da Assembleia Geral

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·06 de maio de 2026

O Conselho Deliberativo do Corinthians concluiu mais uma etapa da discussão sobre a reforma do Estatuto do clube. Após a votação realizada no órgão, o tema deve seguir para análise da Assembleia Geral dos associados. Depois da reunião, o presidente do Conselho Deliberativo, Romeu Tuma Jr., falou com a imprensa sobre o andamento do processo, comentou divergências envolvendo a votação e avaliou os impactos das mudanças debatidas.
Ao iniciar a entrevista, Romeu afirmou que, apesar de discordar de alguns pontos discutidos durante a sessão, considera que o saldo geral foi positivo. “Acho que, apesar de eu discordar de algumas coisas, por exemplo, da questão do texto-base, nós já vínhamos falando há muito tempo que as questões que tivessem três alternativas, as duas mais votadas deveriam ser deliberadas pela Assembleia Geral. Até porque no Estatuto não tem nada que diga que o Conselho tem que votar ou deliberar o que vai ou não para a Assembleia Geral.”

Foto: Reprodução / Instagram
Na sequência, o dirigente explicou como interpreta o papel do Conselho Deliberativo dentro do processo de alteração estatutária do Corinthians e reforçou que, em sua visão, a decisão definitiva deve partir dos associados.
“Na questão da reforma estatutária, o Estatuto é muito claro. O artigo 45 fala que quem delibera é a Assembleia Geral. O Conselho tem que reconhecer a necessidade de alteração do Estatuto, isso já foi reconhecido duas vezes por unanimidade. Constitui-se a comissão, ela faz o trabalho, recepciona todas as propostas, emendas, enfim, depois o texto-base vai para a Assembleia Geral.”
Romeu também relembrou o período de elaboração da proposta e destacou a participação de diferentes setores do clube durante o processo.
“Essa etapa foi cumprida. Foram mais de dois anos de trabalho. Acho que o Corinthians nunca teve uma proposta tão democrática quanto essa, com participação de inúmeros atores.”
O presidente do Conselho Deliberativo afirmou ainda que a possibilidade de os associados não deliberarem sobre determinados temas gera frustração.
“Então, por esse lado, fica uma frustração não deixar o associado, que é o poder maior, o poder principal do clube, deliberar sobre isso. Eu ainda acredito que isso vai acontecer.”
Ao comentar a situação política e administrativa do Corinthians, Romeu classificou o momento vivido pelo clube como grave e afirmou que a reforma do Estatuto é necessária para evitar novos problemas internos.
“Ao mesmo tempo, nós vivemos uma crise moral, financeira e ética que nunca existiu na história do Corinthians. E a gente busca salvar o clube. Eu acho que só uma efetiva reforma do Estatuto, com vários mecanismos que já foram amplamente debatidos e expostos, pode dar alguma luz para que o Corinthians consiga realmente se salvar.”
Ainda sobre o cenário do clube, o dirigente mencionou os pareceres recentes da auditoria e voltou a defender mudanças estruturais.
“A gente viu os pareceres da auditoria, principalmente, e vive uma situação muito grave. Então, se a gente não tiver condições de criar mecanismos efetivos no Estatuto para coibir uma série de coisas que acontecem há muitos anos, a gente não vai conseguir salvar o clube.”
Durante a entrevista, Romeu também apontou temas que considera avanços importantes dentro da reforma estatutária.
“Eu acho que algumas decisões foram tomadas, importantes, e criam alguma esperança. Por exemplo, o fim das chapinhas. O voto individual é uma esperança muito boa, porque você consegue fazer com que alguns acordos e alguns conchavos comecem a se desmontar.”
Outro ponto destacado pelo dirigente foi a adoção do voto aberto nas deliberações.
“Ficou claro também que o voto aberto, que a gente pregou desde o começo, deu sequência nisso: a transparência de mostrar publicamente quem é quem e quais são os interesses defendidos.”
Apesar dos pontos positivos citados, Romeu criticou a possibilidade de reeleições indefinidas dentro do clube, tema que voltou ao debate após a não aprovação do texto-base.
“Um retrocesso que eu acho perigoso, com a não aprovação do texto-base, foi a liberação de indefinidas reeleições. Isso é muito perigoso.”
O presidente do Conselho Deliberativo também comentou a inclusão do Fiel Torcedor no processo eleitoral do Corinthians e avaliou que a mudança pode alterar significativamente o cenário político do clube.
“Quando a gente consegue fazer essa retroatividade para três anos, para igualar com os associados, é um grande avanço. Você vai ter pelo menos o dobro, quase o triplo de pessoas decidindo a próxima eleição.”
Romeu afirmou que o clube precisará acelerar o processo de cadastramento dos torcedores aptos para que eles consigam participar já da eleição presidencial marcada para novembro.
“A gente precisa correr para que isso entre em vigor rápido, o cadastro seja feito e seja apurado quem está em dia nos últimos três anos para poder votar já na eleição de novembro. Eu acho que isso muda totalmente o quadro eleitoral. Não existe mais favorito.”
Segundo ele, a ampliação da participação no pleito modifica diretamente o cenário político do Corinthians.
“Abre o clube para as pessoas de fora participarem. O Corinthians começa a respirar, ainda que por aparelhos, mas você já tem um quadro completamente modificado.”
Ao fazer um balanço da votação, Romeu citou a pressão sofrida durante o processo e afirmou que alguns conselheiros deixaram de comparecer ou votaram de maneira diferente do que gostariam.
“A gente lutou muito para chegar aqui. Foi um trabalho duro da comissão, muita pressão. Muita gente deixou de vir porque sofre pressão. Muita gente votou em coisas que não queria votar.”
Na sequência, o dirigente utilizou uma metáfora para definir o atual momento político do clube.
“A gente conseguiu, pelo menos, escapar do inferno. Estamos no purgatório, mas já dá uma chance de voltar escada acima.”
Romeu também afirmou que, mesmo sem todas as mudanças desejadas, o processo representa um avanço importante para o Corinthians.
“No balanço geral, a gente conseguiu romper uma barreira muito difícil. O sacrifício pessoal e familiar de algumas pessoas, inclusive nós, vai chegar a mexer em algumas pilastras que pareciam intocáveis. Então, sim, a gente consegue avançar. Isso é importante.”
O dirigente ainda destacou que acredita em novas mudanças até a realização da Assembleia Geral.
“Nós vamos ter uma possibilidade de mudar a história do Corinthians e eu espero que a gente consiga mais até a Assembleia Geral.”
Ao comentar o histórico recente da tramitação da reforma, Romeu relembrou a audiência pública realizada em fevereiro e explicou como o texto-base foi encaminhado aos conselheiros.
“Em fevereiro, quando a gente teve a última audiência pública, depois dela surgiram algumas propostas, a comissão se reuniu e fez o texto-base. Quando a gente encaminhou o texto-base para todo mundo, inclusive está no site, foi avisado naquele momento que as propostas que tinham mais de três itens, os dois mais votados seriam deliberados pela Assembleia Geral.”
Romeu também explicou como ocorreu a votação envolvendo o texto-base durante a reunião do Conselho Deliberativo.
“O texto-base tinha três propostas. Uma era aprovar, a segunda era aprovar com alterações pontuais e a terceira era reprovar. Então você tinha efetivamente três propostas e duas disputaram diretamente: aprovar e reprovar.”
Segundo o dirigente, esse cenário reforça o entendimento de que o tema ainda deve passar pela Assembleia Geral dos associados.
“Eu não tenho dúvida de que nós tínhamos três propostas, duas foram votadas e, por isso, acho que a Assembleia Geral de Sócios tem que deliberar.”
Romeu também comentou a ação judicial que tentou suspender a Assembleia Geral e criticou a condução do processo.
“O juiz não deu liminar no primeiro momento, teve recurso e ele negou novamente. Na minha opinião, houve uma tabelinha entre o clube réu e o autor. E aí o juiz não tinha o que fazer. Se o autor combina com o réu e o réu concorda com o autor, o juiz dá liminar.”
Ainda sobre o tema, ele afirmou que em nenhum momento a Justiça considerou irregular a convocação feita pelo presidente do Conselho Deliberativo.
“Em nenhum momento foi falado ou tratado que o edital estava ilegal ou irregular por ter sido feito pelo presidente do Conselho. Quem faz a convocação e a pauta é o presidente do Conselho, isso é indiscutível.”
Romeu voltou a defender que apenas os associados têm legitimidade para aprovar ou reprovar as mudanças propostas no Estatuto. O dirigente também criticou práticas políticas adotadas anteriormente dentro do Corinthians.
“Quem delibera é a Assembleia Geral. E se a Assembleia Geral não quiser, ela reprova. Está tudo certo, isso é democracia. O que tinha era um costume criado nos últimos anos, em que um grupo tinha maioria absoluta e decidia o que ia ou não para votação, e o sócio era obrigado a engolir.”
Por fim, Romeu afirmou que o clube precisa evitar retrocessos políticos e reforçou a importância da participação democrática dos associados.
“O que não pode é o Corinthians retroceder e virar novamente uma ditadura como a gente tinha”, finalizou.







































