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·15 de agosto de 2026

Rosário Central se manifesta e rebate o Corinthians após episódio de racismo envolvendo Hugo Souza

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  1. Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

O Corinthians encarou o Rosário Central, da Argentina, no Estádio Gigante de Arroyito, na noite da última quinta-feira (13), em duelo de ida das oitavas de final da Conmebol Libertadores de 2026, e ficaram no empate sem gols. Em caso de nova igualdade no jogo de volta, a decisão acontecerá nas penalidades máximas.

O confronto entre as equipes ficou marcado por um episódio de racismo, direcionado ao goleiro do Corinthians, Hugo Souza, por parte da torcida adversária. O árbitro da partida, Andrés Matonte (URU) chegou a acionar o protocolo de racismo da Conmebol. Nesta sexta-feira (14), quase um dia depois do término da partida, o Rosário Central publicou uma nota oficial rebatendo a versão do Corinthians sobre os atos discriminatórios e, ao mesmo tempo, questionando a atitude da torcida corinthiana presente no estádio.


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Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

Em sua versão, o Rosário Central afirma que torcedores do Corinthians realizaram, antes e durante a partida, provocações direcionadas à torcida argentina. O comunicado cita que os corinthianos exibiram as notas de peso demonstrando deboche em relação ao cenário econômico da Argentina e exibiram uma camisa da Espanha, que bateu os hermanos na final da Copa do Mundo de 2026, por 1 x 0.

O time de Rosário ressaltou que reunirá os materiais gravados e enviará as imagens à Conmebol para formalizar uma denúncia. O adversário do Corinthians ainda argumenta que a ação tomada por Hugo Souza foi estratégica por parte do arqueiro para aliviar a pressão que a equipe corinthiana vinha sofrendo naquele momento da partida. Mesmo com as contestações, o clube argentino pondera que iniciou uma apuração interna para descobrir se houve, de fato, atos discriminatórios. Em caso de identificação de tais autores, a instituição garante que as devidas punições serão aplicadas.

O Corinthians, após a partida, havia publicado uma nota cobrando atitudes cabíveis por parte da organizadora da Libertadores, que é justamente a Conmebol, além de investigações mais aprofundadas sobre o episódio. Em entrevista à ESPN Brasil depois do final do jogo, o camisa 1 do Alvinegro detalhou as ofensas que recebeu.

Infelizmente toda vez que a gente vem aqui é assim, o jogo todo, parece uma coisa comum, que não pode ser. É o jogo todo chamando de macaco, mono, negro de merda. Isso é uma coisa que acontece frequentemente aqui. Minha única atitude que posso fazer é comunicar o juiz, porque infelizmente é algo que acontece com frequência aqui. O que tem de fazer é tentar manter a cabeça no jogo e torcer para que isso um dia mude”, comentou.

Corinthians e Rosário Central voltarão a se enfrentaram na próxima quinta-feira (20), às 21h30 (de Brasília), na Neo Química Arena, pela partida de volta das oitavas de final da Conmebol Libertadores. Caso se classifique às quartas de final, o Timão irá encarar Estudiantes-ARG ou Universidad Católica que, na primeira partidas das oitavas em solo argentino, empataram por 1 x 1.

Antes do jogo decisivo, o Corinthians retornará aos gramados pelo Campeonato Brasileiro. Neste domingo (16), às 19h30 (de Brasília), o Timão receberá o Cruzeiro, na Neo Química Arena, pela 23ª rodada da competição nacional. Sem perder há seis jogos no torneio, o Alvinegro busca seguir subindo na tabela, já que, neste momento, ocupa a sétima colocação com 32 pontos – oito vitórias, oito empates e seis derrotas – 24 gols marcados e 20 sofridos.

Protocolo da Conmebol contra o racismo

Depois de Andrés Matonte acionar o protolo, Di María solicitou aos torcedores do Rosário Central que parassem com os xingamentos direcionados ao goleiro. Na sequência, o locutor do estádio também fez alertas aos presentes na partida.

Nesta semana, a Conmebol lançou o “Manual para identificação e Prevenção de Condutas Discriminatórias do Futebol Sul-Americano.” O material em questão apresenta conceitos, estatísticas, exemplos de comportamentos e recomendações para evitar atos como estes. O protocolo antirrascista é dividido em três etapas. Na primeira, a arbitragem recebe uma denúncia feita pelo atleta ou integrante do time de árbitros e, com isso, interrompe a partida.

O próprio juiz, se presenciar tal, ato, pode iniciar o procedimento. Já na segunda fase, o árbitro comunica a paralisação e suspensão do jogo, além de mensagem no telão e do locutor do estádio. Caso, os xingamentos das arquibancadas continuem, a arbitragem encerra o jogo. Depois, a equipe ligado ao atleta ou torcedor responsável pelo ato poderá sofrer uma punição com uma derrota por WO, depois de análise e julgamento pela Conmebol

Confira abaixo a nota oficial do Rosário Central-ARG na íntegra:

O Rosario Central volta a repudiar enfaticamente todo ato de racismo, discriminação e provocação no âmbito de uma partida de futebol.

Na noite de ontem, quinta-feira (13), no jogo contra o Corinthians disputado em nosso Estádio Gigante de Arroyito pelas oitavas de final da CONMEBOL Libertadores, torcedores da equipe visitante protagonizaram atos que, a nosso ver, resultam racistas, discriminatórios e provocadores em relação aos jogadores do Central e à nossa torcida, fatos que ocorreram durante a disputa da partida e também após o seu encerramento. Nesse sentido, cabe referir-se à já repetida exibição de notas da moeda nacional, o que configura uma clara ofensa e deboche ao nosso país; a isso somou-se a exibição de uma camisa espanhola, em outro ato de provocação ao nosso público.

Estes fatos resultam inadmissíveis e de uma gravidade que não devemos naturalizar.

Nosso clube conta com provas que colocará à disposição da CONMEBOL para que intervenha diante destes reiterados atos, que consideramos claramente provocadores e discriminatórios, e que lamentavelmente se repetem toda vez que nos cabe enfrentar algumas equipes brasileiras.

No mesmo sentido, solicitaremos à CONMEBOL que investigue e exija do árbitro da partida as provas que respaldem, de forma irrefutável, os supostos xingamentos e atos racistas que o goleiro do Corinthians denunciou de forma unilateral durante o jogo. A respeito disso, cabe mencionar o contexto em que o citado jogador fez sua denúncia: ela ocorreu logo após sua equipe ter ficado com dez jogadores devido a uma expulsão, e no momento em que o Central estava atacando, empurrado por seu público. A discriminação é um tema sério demais para ser utilizado como um artifício a serviço da conveniência desportiva, e estamos dispostos a denunciar aqueles que pretendam valer-se dela com esse fim.

Com relação a este fato denunciado, ainda não encontramos nenhuma imagem de atos dessa natureza no local do campo em que se encontrava o goleiro no momento em que fez a denúncia.

Sem prejuízo do exposto, o Rosario Central encontra-se realizando uma investigação interna sobre qualquer ato de violência ou discriminação que possa ter ocorrido por ocasião da referida partida. Se no âmbito dessa revisão aparecer algum torcedor do Rosario Central envolvido em uma conduta passível de punição, o clube será implacável na aplicação das medidas correspondentes. O Rosario Central destina todo tipo de recurso para desativar e desestimular qualquer forma de discriminação dentro de nossa instituição, e o fazemos não por obrigação, mas por convicção. Nesse caminho vamos continuar, redobrando esforços para prosseguir na construção de um clube que defenda esses valores.

Por último, não podemos deixar de ressaltar nossa preocupação a respeito de um padrão que se repete e que consideramos necessário expor, referente à impunidade por parte de certos clubes na busca por obter vantagem desportiva através da ameaça permanente de denunciar e amedrontar o adversário da vez.

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