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·08 de agosto de 2026
Rui Costa ainda não entendeu e não admite o mal e destruição que causou ao São Paulo

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Ex-executivo faz balanço de cinco anos no Tricolor, reconhece falhas na condução da saída de Crespo, mas defende decisões tomadas durante período marcado por pressão, críticas e dificuldades financeiras
Rui Costa encerrou sua passagem pelo São Paulo após mais de cinco anos no clube e, ao fazer um balanço de sua trajetória, adotou um discurso de defesa do trabalho realizado. O ex-executivo reconheceu que algumas decisões poderiam ter sido conduzidas de maneira diferente, mas afirmou deixar o Tricolor com a consciência tranquila. Entrevista feita pelo portal ge.
Para parte significativa da torcida são-paulina, porém, a avaliação é bem diferente.
A saída de Rui Costa aconteceu em junho de 2026, depois de um período em que o dirigente passou a ser um dos principais alvos das críticas relacionadas ao futebol do clube. Entre os episódios mais contestados está a decisão pela saída de Hernán Crespo e a escolha de Roger Machado como substituto.
Em entrevista, Rui Costa afirmou que a decisão pela saída de Crespo foi resultado de avaliações internas e não de um episódio isolado.
O dirigente, entretanto, admitiu que a condução daquele processo poderia ter acontecido em outro momento.
A declaração chama atenção porque a mudança no comando técnico acabou tendo consequências importantes para o São Paulo. Roger Machado foi contratado para substituir o argentino, mas permaneceu menos de dois meses no cargo antes de ser demitido.
Na avaliação de Rui Costa, a decisão foi tomada de maneira responsável e compartilhada internamente.
O ex-executivo também ressaltou que a comunicação de uma decisão faz parte da gestão e que o episódio serviu como aprendizado profissional.
A relação entre Rui Costa e a torcida são-paulina se deteriorou principalmente nos últimos meses de sua passagem pelo clube.
O dirigente passou a ser associado a decisões consideradas equivocadas no departamento de futebol e acabou se tornando um dos principais alvos das cobranças vindas das arquibancadas e das redes sociais.
Rui Costa, por outro lado, afirmou que a pressão faz parte da função de um executivo de futebol e que não permitia que fatores externos determinassem suas decisões.
Segundo ele, o responsável pelo futebol precisa proteger o elenco e manter equilíbrio mesmo em momentos de crise.
Rui Costa chegou ao São Paulo em janeiro de 2021, durante a gestão de Julio Casares. Ao longo de sua passagem, trabalhou posteriormente também com Harry Massis Jr., que assumiu a presidência do clube em 2026.
O dirigente destaca que participou de um período de reconstrução institucional e financeira do São Paulo.
Em seu balanço, Rui Costa citou três títulos conquistados e cinco finais disputadas como parte dos resultados de seu trabalho.
O ex-executivo também afirmou que encontrou o clube em uma situação delicada, principalmente do ponto de vista financeiro.
“Foi o trabalho mais longo e também um dos mais desafiadores da minha carreira.”
Apesar disso, o discurso de Rui Costa não convenceu uma parcela da torcida, que entende que os problemas enfrentados pelo São Paulo durante o período também tiveram relação com decisões tomadas pela própria estrutura do futebol.
A situação financeira do São Paulo esteve entre os principais desafios durante o período em que Rui Costa ocupou o cargo.
O clube precisou adotar medidas para equilibrar suas contas, administrar um elenco de alto custo e lidar com dificuldades para realizar investimentos no mercado.
Em 2026, a situação chegou a um ponto ainda mais delicado, com o São Paulo enfrentando inclusive um transfer ban imposto pela FIFA em razão de uma dívida relacionada à contratação de Marcos Antônio.
A diretoria precisou buscar recursos para quitar a pendência e liberar novamente o registro de jogadores.
Embora Rui Costa não possa ser responsabilizado isoladamente pela situação financeira do clube, o período em que esteve no departamento de futebol inevitavelmente faz parte da avaliação de sua gestão.

Mesmo diante das críticas, Rui Costa afirmou que trabalhou durante os cinco anos pensando no que considerava melhor para o São Paulo.
O dirigente reconheceu que algumas escolhas não produziram os resultados esperados, mas atribuiu parte das dificuldades às variáveis naturais do futebol.
Segundo ele, decisões precisam ser tomadas pensando no projeto e não apenas nos resultados imediatos.
A declaração, entretanto, evidencia uma diferença importante entre a avaliação do profissional e a percepção de parte dos torcedores.
Enquanto Rui Costa enxerga sua passagem como um período de reconstrução, muitos são-paulinos avaliam que o clube poderia ter obtido resultados esportivos e administrativos melhores.
Entre todos os acontecimentos de sua passagem, a saída de Hernán Crespo continua sendo um dos episódios mais lembrados.
A contratação de Roger Machado, posteriormente demitido em pouco tempo, aumentou ainda mais a pressão sobre a diretoria e sobre Rui Costa.
Agora, meses depois, o próprio dirigente admite que a condução do processo poderia ter sido diferente.
É justamente esse ponto que permanece como uma das principais marcas de sua passagem pelo clube.
Depois de deixar o São Paulo, Rui Costa retornou a Porto Alegre e passou a avaliar novas possibilidades profissionais.
O nome do executivo chegou a ser relacionado ao Grêmio durante o período eleitoral, clube onde já havia trabalhado anteriormente.
Rui Costa afirmou que pretende continuar trabalhando no futebol brasileiro, mas que pretende escolher cuidadosamente seu próximo projeto.
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