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·29 de agosto de 2026

SAFIEL responde declaração de presidente do Corinthians e se compromete a elaborar oferta para quitação da Arena

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  1. Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

No final da tarde desta sexta-feira (28), a SAFIEL, grupo que propõe a transformação do Corinthians em Sociedade Anônima do Futebol (SAF) através da compra de ações por parte dos torcedores, anunciou em suas redes sociais que aceita elaborar uma proposta vinculante dita publicamente pelo presidente Osmar Stabile.

De acordo com o comunicado divulgado pela SAFIEL, o presidente do Corinthians aceitou a ideia de assinar uma proposta vinculante com o grupo mediante ao compromisso de antecipação de parte dos valores propostos no projeto. Um dos propósito da medida teria como intuito viabilizar o processo de quitação da Neo Química Arena – dívida de mais de R$ 600 milhões.


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Foto: Reprodução/Instagram

Em entrevista à ESPN Brasil na manhã desta sexta-feira, Osmar Stabile comentou sobre o encontro com o SAFIEL, que durou cerca de quatro horas na última segunda-feira (24), no Parque São Jorge. Na reunião em questão, ele havia afirmando que assinaria a proposta não-vinculante apresentada pelo grupo no começo de junho caso o grupo pagasse o débito referente ao estádio.

“Ninguém (outras SAFs) nos procurou. Quando você procura SAF no mercado, pode aparecer alguma, o Corinthians nunca procurou ninguém, nunca recebeu nenhuma oferta, a não ser da SAFiel. Estou aceitando conversar com várias empresas que vêm aqui tentando nos ajudar. A SAFiel, pela primeira vez, pediu uma reunião oficialmente documentada, não de boca, não pela imprensa. Não tem problema nenhum, a gente tem data, tem momento. Nós conversamos por quatro horas e entendemos a maneira, porque só através de um projeto que eles mandaram não dava para entender. Colocamos nossas dúvidas para eles e eles levaram algumas de imediato, e depois a gente vai mandar outras centenas de perguntas.”

“Não é simples chegar aqui e falar ‘olha, eu consigo resolver’. Nós temos que ter responsabilidade. Falar na mídia, colocar o público contra uma gestão é muito fácil, dizer que tem o dinheiro… É fácil demonstrar se tem dinheiro, se não tem dinheiro, é só vir aqui, a gente abraça e chora junto, não tem problema nenhum. O que eu preciso é que o cara chegue aqui com recurso. Tem um contrato aí que eles falam que tem um documento vinculante ou não vinculante, eu não quero nem saber disso. Traz aqui R$ 600 milhões, paga a Arena, traz o papel vinculante, eu assino. Pode ser vinculante, porque essa história do não vinculante não é verdade, você assina, no final ela vira vinculante. Eu não tenho problema nenhum, eu só quero deixar o legado do pagamento da Arena, ponto“, disse.

A SAFIEL, em nota afirma que aceita dar prosseguimento com a proposta, desde que “atendidos os princípios da boa-fé e da segurança jurídica.” O movimento também ressalta que uma negociação desta dimensão deverá acontecer em conformidade com o estatuto do Corinthians.

O grupo, que tem Eduardo Salusse e Carlos Teixeira como os principais idealizadores, ainda comentou que se compromete a seguir os trâmites burocráticos necessários e que planeja iniciar as conversas na próxima segunda-feira (31), quando irão procurar a diretoria corinthiana para dar “início imediato da elaboração da minuta da nova proposta e demais providências necessárias para estruturar a operação com a indispensável segurança jurídica para as partes.”

Confira abaixo a nota oficial da SAFIEL:

A SAFiel aceita construir a nova proposta vinculante sugerida publicamente pelo Presidente Osmar Stabile e alerta sobre a necessidade das aprovações estatutárias pelo Corinthians.

Fechado, Presidente Osmar Stabile! O Presidente declarou que assinaria uma Proposta Vinculante (definitiva) com a SAFiel mediante o compromisso de antecipação de parte do total dos aportes previstos no Projeto, visando viabilizar recursos para a quitação da Neo Química Arena.

Proposta aceita, desde que atendidos os princípios da boa-fé e da segurança jurídica.

Sabemos também que uma decisão dessa dimensão envolve os ritos estatutários do Sport Club Corinthians Paulista. Respeitamos esses processos e estamos prontos para percorrê-los com a seriedade e a responsabilidade que o Corinthians merece.

Já na segunda-feira, a SAFiel procurará a diretoria do Corinthians para início imediato da elaboração da minuta da nova proposta e demais providências necessárias para estruturar a operação com a indispensável segurança jurídica para as partes.

Do lado do Projeto SAFiel não faltará disposição para transformar a proposta sugerida pelo Presidente em um compromisso formal e vinculante.

Pelo Corinthians com responsabilidade, sempre.

Estrutura da operação prevê captação entre R$ 2,5 bilhões e R$ 3 bilhões – Clique aqui para conferir detalhes da proposta na íntegra

A proposta prevê a constituição da SAFiel como uma sociedade anônima responsável por absorver integralmente o chamado “Perímetro do Futebol” do Corinthians. Entre os ativos que seriam transferidos estão direitos econômicos e federativos de atletas, contratos de patrocínio, licenciamento, transmissão, infraestrutura esportiva e administrativa, marcas, bancos de dados e passivos vinculados à atividade futebolística.

O modelo apresentado estabelece uma meta inicial de captação de R$ 2,5 bilhões, com possibilidade de ampliação para até R$ 3 bilhões em caso de excesso de demanda dos investidores.

Segundo o documento, os recursos captados serão destinados prioritariamente à reestruturação financeira do clube, incluindo o pagamento ou renegociação das dívidas do futebol, investimentos em elenco profissional, categorias de base, infraestrutura, tecnologia e programas de governança e compliance. A proposta prevê ainda aporte inicial de até R$ 50 milhões para o clube social.

Em contrapartida à transferência do futebol para a nova sociedade, o Corinthians receberia participação acionária na SAF, royalties pela utilização da marca e da identidade institucional – estimados em aproximadamente R$ 600 milhões ao longo de dez anos -, além de um fee, espécie de taxa de remuneração pela parceria e pela estruturação da operação, correspondente a 2% do valor captado.

O projeto também estabelece um modelo de participação popular. As ações ordinárias com direito a voto seriam destinadas exclusivamente a torcedores corinthianos, com investimento mínimo previsto de R$ 250. Cada CPF teria limite máximo de participação de 2% do capital votante, mecanismo que busca impedir a formação de grupos controladores e garantir a pulverização acionária. Investidores institucionais poderiam ingressar apenas por meio de ações preferenciais sem direito a voto, caso fosse necessário complementar a captação.

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