Jogada10
·19 de julho de 2026
Santos acumula pontos perdidos por “trapalhadas” e segue colado no Z4 do Brasileirão

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·19 de julho de 2026

Após 46 dias de pausa, o Santos voltou a campo em um jogo oficial repetindo erros e enredo aos quais o torcedor já se habituou nesta temporada. A equipe fazia um jogo equilibrado e empatava com o Botafogo, no Nilton Santos, pela última rodada do primeiro turno. Porém, nos instantes finais uma trapalhada do sistema defensivo, especialmente do goleiro Brazão, resultou em gol do adversário. Assim, a derrota por 2 a 1 abre o segundo semestre da equipe na toada do primeiro.
Com o resultado, o Peixe segue na 16ª colocação do Campeonato Brasileiro, a mesma que ocupava quando houve a paralisação da competição para a disputa da Copa do Mundo. O Santos soma 21 pontos, com oito derrotas e aproveitamento de 36%, índice que costuma ser insuficiente para um clube permanecer na Série A. Ademais, a equipe só está fora do Z4 no momento porque o Vasco, com 20 pontos, perdeu para o Vitória por 1 a 0, em Salvador.
Em oito partidas da primeira metade do campeonato, o Santos esteve na frente ou reagiu, como no jogo contra o Botafogo, mas, com erros flagrantes, deixou pontos preciosos pelo caminho. São vitórias ou empates que deixariam o time em posição confortável, podendo ter objetivos mais nobres na competição e até focar mais nas Copas Sul-Americana e do Brasil.
As derrapadas no Brasileirão começaram antes de Cuca assumir o cargo de técnico da equipe. Logo nas três primeiras rodadas, sob o comando do argentino Juan Pablo Vojvoda, os vacilos foram fatais para o time somar um mísero ponto. Na estreia, contra a Chapecoense, na Arena Condá o Santos vencia por 2 a 1, de virada, até os 28 minutos do segundo tempo, mas levou três gols na reta final e amargou uma derrota de 4 a 2. O detalhe é que, mesmo em vantagem no placar, o Alvinegro levou gol de contra-ataque.
Na rodada seguinte, em seu primeiro jogo como mandante, o Santos também saiu na frente e teve um “apagão” defensivo fatal. Zé Rafael abriu o placar no clássico contra o São Paulo, na Vila Belmiro. No entanto, Calleri, livre na área, empatou de cabeça para o rival aos 21 minutos do segundo tempo.
Uma semana depois, na Arena da Baixada, em Curitiba, o cenário se repetiu. Gol de Víveros, “esquecido” pela defesa santista minutos depois de Vojvoda improvisar um esquema de três zagueiros, resultou em derrota do Santos por 2 a 1 para o Athletico-PR.

Com Cuca, Santos esteve na frente do placar em cinco partidas do Brasileirão e permitiu empate ou virada dos rivais – Foto: Raul Baretta / Santos FC.
Vojvoda foi demitido após derrota para o Internacional, pela 7ª rodada, e Cuca chegou à Vila Belmiro para sua quarta passagem pelo Santos. Com o profissional curitibano, a equipe teve uma notória melhora de desempenho, mas a incapacidade de sustentar resultados continua crônica.
Na 10ª rodada, o Santos visitou o Flamengo apostando em um jogo defensivo seguro. No início do segundo tempo, em um rápido contra-ataque, surpreendeu o rival com um gol de Lautaro Martínez. Porém, aos 21 minutos Pedro empatou e a solidez santista desabou. Jorginho, de pênalti, e Paquetá deram a vitória por 3 a 1 ao Rubro-Negro.
No entanto, seriam os confrontos contra Fluminense e Bahia que deixariam a cabeça do santista inchada. Contra os cariocas, pela 12ª rodada, na Vila Belmiro, o Santos ficou duas vezes na frente e permitiu a virada. Quando o placar apontava 2 a 2, Neymar desperdiçou duas oportunidades e, em uma escapada, o Tricolor conquistou a virada com John Kennedy, em mais um desencontro da defesa santista em jogada aérea.
Na rodada seguinte, contra o Bahia, na Arena Fonte Nova, o Santos fez 2 a 0 com gols de Benjamin Rollheiser ainda no primeiro tempo. Na segunda etapa, o sistema defensivo voltou a presentear o adversário, que empatou com dois gols em sete minutos. O goleiro Diógenes falhou em cobrança de falta de Luciano Juba no primeiro lance, e Willian José cabeceou livre para igualar a partida. Nos acréscimos, Lautaro Díaz desperdiçou chance de dar a vitória ao Santos ao tropeçar nas próprias pernas, em lance dantesco.
“É duro fazer uma partida como fizemos em grande parte do jogo e ter que explicar algumas situações. Tomamos um gol evitável, já conversei com o Diógenes. O canto do goleiro é o canto do goleiro. E eram 30 minutos do segundo tempo. As chances eram nossas. Nós tivemos as chances do terceiro. A estratégia estava certa. O planejamento deu errado depois do gol de falta ou depois do segundo. Depois disso, ainda tivemos as chances. Vou cobrar individualmente e coletivamente o que vi – internamente”, lamentou Cuca ao fim do jogo.
Em outros dois confrontos duros fora de casa o Santos saiu na frente e não conseguiu conter a reação do oponente. No clássico contra o Palmeiras, pela 14ª rodada, novamente Rollheiser inaugurou o marcador. O empate alviverde veio com o também argentino Flaco López, já na segunda etapa. Diante do Grêmio, em Porto Alegre, o filme do jogo contra o Fluminense se repetiu. O Santos ficou duas vezes na frente, com gols de Gabriel Barbosa, e permitiu a virada do adversário.
Ou seja, com Cuca o Santos ficou cinco vezes na frente do placar no Brasileirão e não sustentou o resultado – empates com Bahia e Palmeiras, e derrotas para Flamengo, Fluminense e Grêmio. Ou seja, só aí foram 13 pontos que a equipe deixou escapar. O lamento é ainda maior agora, pelo fato de o revés para o Botafogo ter ocorrido no lance final.
Essa sucessão de derrapagens também foi um problema para o Santos na fase de grupos da Copa Sul-Americana. Na estreia, contra o Deportivo Cuenca, no Equador, a equipe levou gol de empate em lance inusitado. Em escanteio sem marcação na primeira trave, Brasão caiu e entrou com a bola em uma espécie de “gol olímpico contra”
Nos dois jogos contra o Recoleta, o time abriu o placar e permitiu o empate por 1 a 1. No confronto da Vila Belmiro, o time paraguaio conseguiu a igualdade mesmo indo a campo com uma formação reserva. Nesse duelo, Neymar fez o primeiro, mas perdeu uma chance inacreditável de ampliar. Um pênalti tolo cometido por Luan Peres permitiu o empate na única chance dos paraguaios no confronto.
Na última rodada, o Santos abriu 2 a 0 contra o San Lorenzo, placar que daria a classificação direta para as oitavas. Mas, assim como ocorreu contra o Bahia, no Brasileirão, a equipe levou dois gols no segundo tempo e cedeu o empate na Vila Belmiro.
Esse acúmulo de falhas e desatenções custou ao Santos a vaga direta nas oitavas de final. Assim, o time precisará disputar dois jogos contra o Universidad Central, pelos playoffs, engrossando o já desgastante calendário com uma viagem para a Venezuela, na próxima terça-feira (21), que certamente cobrará um preço físico ao fim da temporada.
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