Esporte News Mundo
·17 de agosto de 2026
São Paulo coloca em votação proposta para gestão de ingressos; veja detalhes

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·17 de agosto de 2026

O São Paulo definiu a Ticketmaster Brasil como a empresa escolhida para assumir a gestão da venda de ingressos do Morumbis. A proposta apresentada pela empresa foi considerada a melhor pelo clube após o processo de concorrência, mas o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Conselho de Administração e pelo Conselho Deliberativo.
Entre os principais pontos da proposta está a antecipação de R$ 110 milhões ao São Paulo. O valor será disponibilizado até 45 dias após a assinatura do contrato e funcionará como um empréstimo, que será quitado pelo clube ao longo de cinco anos.
A devolução terá juros atrelados ao CDI mais 1,99%. O pagamento será realizado com parte da renda líquida obtida pelo São Paulo em partidas disputadas no Morumbis, limitado a R$ 1,8 milhão por mês.
Na prática, mesmo que o clube registre uma arrecadação líquida de R$ 10 milhões em determinado mês, o valor destinado à Ticketmaster para o pagamento do empréstimo não poderá ultrapassar R$ 1,8 milhão. O limite também será aplicado em períodos sem receitas de jogos.
Camarote 29A também entra no acordo
A proposta prevê ainda que a Ticketmaster ficará responsável pela administração do camarote 29A durante cinco anos. Pela exploração do espaço em partidas e eventos, a empresa desembolsará R$ 30 milhões ao São Paulo logo após a assinatura do contrato.
Atualmente, o camarote é utilizado pelo clube para ações de relacionamento e não possui comercialização própria de ingressos. Em shows, a Ticketmaster também terá de adquirir as entradas necessárias para o espaço.
A gestão dos ingressos de apresentações musicais no Morumbis já é realizada pela Ticketmaster por escolha da Live Nation, empresa responsável pela exclusividade dos shows no estádio até 2031.
Sócio-torcedor pode ficar sob responsabilidade da Ticketmaster
Outro ponto incluído nas negociações é a administração do programa de sócio-torcedor. Atualmente, o serviço é comandado pela Feng.
A intenção do São Paulo é concentrar a operação de ingressos e do programa de associados em uma mesma empresa. O clube avalia que a mudança pode reduzir os custos das duas operações, que atualmente são realizadas separadamente.
Pela gestão da venda de ingressos, a Ticketmaster terá direito a uma taxa de até 10% sobre cada entrada comercializada. Para ingressos físicos, a taxa será de 8%. No programa de sócio-torcedor, a cobrança prevista também é de 8% por associado.
Ticketmaster venceu concorrência com a NewC
O São Paulo abriu o processo de seleção em abril e recebeu seis propostas. Na etapa final, Ticketmaster e NewC permaneceram na disputa pela operação do estádio.
A proposta inicial da NewC previa uma antecipação de R$ 90 milhões, com juros de CDI mais 5,5% e prazo de cinco anos para devolução. A empresa também ofereceu R$ 13 milhões pela administração do camarote 29A, em um modelo que combinava valores fixos e variáveis.
Durante as conversas, a NewC chegou a apresentar ao clube a possibilidade de levantar até R$ 500 milhões por meio de um fundo de investimentos liderado pela Angá Asset. A ideia era utilizar os recursos, inclusive, para auxiliar na quitação de dívidas bancárias do São Paulo.
Essa segunda proposta, porém, não foi formalizada oficialmente pela empresa. Por isso, o clube considerou na avaliação apenas a oferta apresentada no edital e concluiu que a Ticketmaster oferecia as melhores condições.
Clube analisou riscos jurídicos do acordo
Antes de avançar com a proposta, o São Paulo também buscou uma avaliação jurídica sobre a parceria. O parecer, elaborado pelo professor Vicente Bagnoli, possui 73 páginas e apontou baixo risco para o clube.
A análise ganhou importância diante de questionamentos envolvendo a relação entre Ticketmaster e Live Nation. Em abril de 2026, a Justiça dos Estados Unidos reconheceu a monopolização do setor de entretenimento no país pela Live Nation e pela Ticketmaster.
No Brasil, também existe uma representação anônima apresentada à Superintendência-Geral do Cade relacionada ao contrato do Morumbis com a produtora musical.
Apesar da ligação entre as empresas, o parecer considerou que a Ticketmaster não possui posição dominante no mercado brasileiro de gestão de ingressos, com participação estimada entre 0% e 10%.
O contrato em análise pelos conselhos do São Paulo ainda conta com cláusulas de proteção ao clube. Caso a Ticketmaster enfrente problemas na Justiça brasileira que comprometam a parceria, o São Paulo poderá rescindir o acordo unilateralmente e sem pagamento de multa.
A aprovação pelos órgãos internos do clube será o próximo passo para que a Ticketmaster possa assumir oficialmente a operação.







































