Jogada10
·06 de janeiro de 2026
São Paulo: Polícia investiga saques no valor de R$ 11 milhões, e Casares discute renúncia

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A Polícia Civil investiga 35 saques em dinheiro, feitos na conta bancária do São Paulo, que totalizam R$ 11 milhões. As movimentações ocorreram entre janeiro de 2021 e novembro de 2025, segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeira (Coaf). A informação foi divulgada inicialmente pelo portal ‘UOL’.
Segundo o documento, as operações ocorreram em contas mantidas pelo clube no Bradesco e no Banco Rendimento, sendo 33 no primeiro e duas no segundo. O documento, porém, não informa o destino dos valores retirados. Em 2021, o clube retirou R$ 1,5 milhão em sete operações. Em 2022, houve seis saques que somaram R$ 1,2 milhão.
Na sequência, em 2023, o clube realizou seis retiradas que totalizaram R$ 1,4 milhão. Em 2024, contudo, o volume aumentou para R$ 5,2 milhões, distribuídos em 11 operações. Em 2025, até 25 de novembro, ocorreram cinco saques que alcançaram R$ 1,7 milhão.
O relatório indica, portanto, que os dois primeiros saques, em 2021, partiram de ações diretas de um funcionário do clube. Depois disso, porém, o São Paulo passou a utilizar empresa de transporte de valores em 28 operações. A investigação avalia se a mudança buscou dificultar a identificação dos responsáveis.
Segundo o Coaf, esse tipo de operação em dinheiro interrompe registros eletrônicos e dificultar o rastreamento do beneficiário da transferência. Bancos classificaram estes saques como movimentações atípicas e fora do padrão de mercado. O documento, inclusive, também registra falhas em cinco operações, sem identificação do responsável.
O São Paulo, no entanto, afirma que mantém registros contábeis de todas as retiradas. Segundo o clube, as despesas passaram por auditoria e foram informadas à Receita Federal. A diretoria nega a existência de saques sem documentação.

Polícia Civil investiga 35 saques em dinheiro feitos na conta do São Paulo que totalizam R$ 11 milhões – Foto: São Paulo FC
Paralelamente, a Polícia também investiga depósitos em dinheiro que somam R$ 1,5 milhão na conta pessoal do presidente do São Paulo, Julio Casares, entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Relatórios do Coaf, aliás, indicam que os valores entraram de forma fracionada e representaram cerca de 47% da renda registrada no período. Para efeito de comparação, o salário do dirigente representa apenas 19,3% da movimentação da conta.
Segundo os documentos, os depósitos ocorreram por meio de diversas operações em espécie, incluindo registros de até 12 entradas no mesmo dia e valores de R$ 49 mil, abaixo do limite de comunicação automática. Assim, o banco de Casares emitiu alerta ao Coaf em 2023 ao classificar as movimentações como fora do padrão.
A investigação divide a análise em três períodos e aponta entradas de R$ 1,1 milhão entre janeiro de 2023 e março de 2024, R$ 600 mil entre março e outubro de 2024 e R$ 415 mil entre outubro de 2024 e maio de 2025.
Os relatórios também indicam que a conta de Casares foi usada para pagar despesas de sua ex-mulher, Mara Casares, em 104 boletos bancários. A polícia, porém, não identificou, até o momento, ligação entre esses depósitos e os R$ 11 milhões sacados das contas do clube. Em nota, a defesa do dirigente, porém, afirma que as movimentações possuem origem lícita e que prestará esclarecimentos no curso da investigação (veja abaixo).

Julio Casares convocou reunião de emergência com aliados no São Paulo e discutiu possibilidade de renúncia da presidência – Foto: Divulgação/São Paulo
A divulgação do caso levou Casares a convocar reunião de emergência com diretores e aliados políticos na noite da segunda-feira (5). No encontro, houve pressão para que o presidente deixasse o cargo, como forma de reduzir impactos institucionais. Entretanto, Casares decidiu permanecer no posto. O mandatário do clube afirmou que deseja “provar sua inocência” e que está sendo alvo de “injustiças”. As informações também são do “Uol”.
Aliados, inclusive, alertaram sobre risco de perda de apoio interno e dificuldades de governabilidade. O tema do impeachment passou a circular entre grupos políticos do clube, diante da repercussão pública e da investigação em curso.
“Todas as movimentações financeiras de Julio contidas nos relatórios do Coaf possuem origem lícita e legítima, com lastro compatível com a evolução de sua capacidade financeira. Esclareça-se que antes de assumir a presidência do São Paulo Futebol Clube, nosso constituído desempenhou e exerceu funções de alta direção na iniciativa privada, com boa remuneração. Ademais, a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhadas e esclarecidas no curso das investigações -com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso à integralidade do inquérito policial”









































