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·08 de setembro de 2026
São Paulo precisa mudar a lógica das contratações: desempenho em campo e retorno financeiro entram no centro da estratégia

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São Paulo precisa mudar a lógica das contratações: desempenho em campo e retorno financeiro entram no centro da estratégia
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Especialista em finanças no futebol aponta que clubes brasileiros ainda sofrem com decisões de curto prazo e defende planejamento que una desempenho esportivo, premiações e valorização dos atletas
O mercado da bola mudou, e os clubes brasileiros precisam acompanhar essa transformação. Para Moisés Assayag, especialista em finanças no futebol, uma contratação não pode ser analisada apenas pelo nome do jogador ou pela expectativa imediata de resultados.
A lógica, segundo o especialista, deve começar pelo desempenho esportivo. A partir de uma equipe mais competitiva, o clube pode gerar retorno financeiro por meio de premiações, receitas adicionais e, em determinados casos, valorização e venda dos atletas.
A avaliação ganha importância especialmente para clubes que enfrentam limitações financeiras e precisam fazer o dinheiro investido no futebol produzir resultado dentro e fora de campo.
Na visão de Assayag, o principal objetivo de uma contratação deve ser fortalecer o time.
A eventual venda futura do jogador pode entrar no planejamento, mas não deveria ser o único argumento para justificar o investimento.
“Não dá para imaginar que alguém vai investir para vender depois, a menos que isso seja uma estratégia sua explícita”, afirmou.
O raciocínio é particularmente relevante para clubes brasileiros. Ao contratar um atleta, a diretoria precisa considerar salário, direitos econômicos, luvas, duração do contrato e custo da operação, mas também o impacto que aquele jogador pode produzir no desempenho da equipe.
Uma contratação que ajuda o clube a conquistar títulos, avançar em competições e aumentar receitas comerciais pode apresentar retorno mesmo sem uma grande transferência futura.
Para o São Paulo, o debate é especialmente importante diante da necessidade de equilibrar competitividade e responsabilidade financeira.
O Tricolor precisa montar elencos capazes de disputar títulos, mas não pode transformar cada janela de transferências em uma corrida por soluções imediatas.
A lógica ideal passa por identificar posições prioritárias, estabelecer um perfil técnico e financeiro para cada contratação e avaliar o potencial de contribuição do atleta ao longo do contrato.
Nesse cenário, desempenho e sustentabilidade financeira precisam caminhar juntos.
Assayag avalia que parte dos clubes brasileiros continua tomando decisões com forte influência do curto prazo.
“A gente vê muito no Brasil ainda, infelizmente, movimentos geridos pelo curto prazo, pela necessidade de resultados para essa semana”, afirmou.
O problema é que decisões tomadas sob pressão podem levar a contratos longos, salários elevados e investimentos que não necessariamente correspondem ao planejamento esportivo.
Em vez de contratar apenas para solucionar uma deficiência momentânea, os clubes mais estruturados procuram encaixar cada reforço em uma estratégia de médio e longo prazo.
Outro ponto destacado pelo especialista é a busca crescente por jogadores jovens.
Atletas com menos de 23 anos passaram a despertar interesse ainda maior no mercado internacional. A lógica é relativamente simples: quanto mais cedo o clube consegue contratar um jogador com potencial, maior pode ser o período de utilização e também a possibilidade de valorização.
Segundo Assayag, a inflação de jogadores abaixo de 23 anos tem crescido em ritmo superior à média do mercado.
A disputa é ainda mais intensa por atletas com menos de 20 anos, justamente pela possibilidade de desenvolvimento e valorização ao longo dos anos.
Para clubes formadores como o São Paulo, esse cenário reforça a importância de Cotia e da integração entre base e futebol profissional.
A força financeira da Premier League também foi destacada na análise.
A janela internacional movimentou valores recordes, com mais de US$ 9,89 bilhões em taxas de transferência e mais de 12,5 mil movimentações internacionais no futebol masculino, segundo dados citados na reportagem.
Para Assayag, o período teve forte componente especulativo, principalmente diante do poder de investimento dos clubes ingleses.
A diferença financeira em relação a outras ligas europeias aumenta a capacidade da Premier League de contratar jogadores por valores elevados e, consequentemente, influencia todo o mercado internacional.
Apesar dos problemas ainda existentes, Assayag demonstra otimismo com a evolução da gestão no futebol brasileiro.
“Eu tô muito otimista com o movimento gradual que tem sido feito no Brasil de crescimento do volume de negócios, de profissionalização”, afirmou.
A tendência é que os clubes passem a analisar cada vez mais as contratações como investimentos esportivos e financeiros, e não simplesmente como respostas à pressão da torcida ou da tabela.
Para o São Paulo, essa mudança pode ser fundamental. Em um cenário de necessidade de recuperação financeira e competitividade esportiva, contratar melhor pode ser tão importante quanto contratar mais.
A questão, portanto, não deveria ser apenas “quem o São Paulo consegue contratar?”, mas principalmente “qual jogador pode entregar desempenho, ajudar o clube a ganhar mais e fazer o investimento valer a pena?”.
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