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·31 de agosto de 2026

São Paulo vendeu Rodriguinho, buscou Cauly, não olha para a base e ainda busca soluções fora na meia

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Tricolor arrecadou R$ 17,3 milhões com Rodriguinho, investiu cerca de R$ 3 milhões no empréstimo de Cauly e continua sem encontrar soluções para um elenco que carece de vitalidade

Há decisões no futebol que precisam ser analisadas pelo resultado, não pela justificativa utilizada no momento em que foram tomadas. E o caso de Rodriguinho e Cauly é um daqueles que, com o passar do tempo, ficou difícil de defender do ponto de vista esportivo.

O São Paulo vendeu Rodriguinho ao Red Bull Bragantino por aproximadamente R$ 17,3 milhões. O meia realmente não deixou saudades no Morumbi. Viveu uma passagem marcada por problemas físicos, teve dificuldade para ganhar sequência e jamais conseguiu se consolidar como uma peça indispensável.

Até aí, tudo bem. O problema começa quando olhamos para o jogador que o São Paulo escolheu para ocupar esse espaço.

O clube buscou Cauly em uma operação de empréstimo que envolveu aproximadamente R$ 3 milhões. A priori, parecia uma solução interessante: transformar um jogador que não vinha entregando em uma receita importante e trazer alguém considerado mais pronto para o elenco.

Só que o futebol não vive de “a priori”. Vive de desempenho. E, até aqui, Cauly entregou muito pouco ao São Paulo.

O erro não foi vender Rodriguinho. Foi não acertar na reposição

É importante separar as coisas. Não existe motivo para transformar Rodriguinho em jogador que ele não foi no São Paulo. O meia não conseguiu ter regularidade, conviveu com lesões e não deixou uma marca relevante no clube.

Portanto, vender Rodriguinho não é o problema desta história. O problema é o São Paulo arrecadar R$ 17,3 milhões, buscar uma reposição por R$ 3 milhões e, depois, perceber que o jogador contratado não consegue produzir o futebol esperado.

É aí que entra a responsabilidade do departamento de futebol. Porque contratar jogador experiente, com salário elevado e custo de operação não pode ser uma decisão baseada apenas em nome ou currículo.

Tem que existir retorno em campo. E quando esse retorno não aparece, a conta fica ainda mais pesada para um clube que atravessa dificuldades financeiras.

Enquanto isso, a base espera

E aqui está talvez a parte mais difícil de compreender. O São Paulo possui uma das categorias de base mais tradicionais do futebol brasileiro. Produz jogadores, revela talentos e construiu historicamente parte de sua identidade justamente através dos atletas formados em Cotia.

Mas, quando o profissional precisa de soluções, a primeira resposta muitas vezes continua sendo: contratar. Contratar jogador mais experiente. Contratar jogador mais caro. Contratar jogador que aumenta a folha. E os garotos? Esperam.

Pedro Ferreira é um exemplo que chama atenção. Titular da Seleção Brasileira Sub-20 e reconhecido como um jogador de enorme potencial, o jovem ainda não recebe no profissional a sequência que muitos esperavam.

E isso precisa ser discutido. Não estamos dizendo que Pedro Ferreira deveria necessariamente ser titular do São Paulo amanhã. Estamos dizendo que um clube financeiramente pressionado precisa descobrir se seus próprios ativos podem resolver problemas que hoje custam dinheiro no mercado. É uma diferença enorme.

Matheus Alves: outro patrimônio que o São Paulo não conseguiu transformar em valor

O caso de Matheus Alves também incomoda. O jogador foi negociado em 2025 por um valor considerado baixo diante do potencial que apresentava. E o episódio reforça uma pergunta que deveria ser feita dentro do São Paulo:

qual é exatamente o planejamento para os jogadores de Cotia? Se o clube acredita no jogador, por que não desenvolvê-lo e utilizá-lo? Se não acredita, por que não valorizá-lo antes de vender? O que não pode acontecer é o São Paulo abrir mão de um jovem por pouco dinheiro e, posteriormente, gastar milhões buscando no mercado uma solução que pode nem sequer ser melhor.

Isso é gestão de patrimônio. E patrimônio mal administrado vira prejuízo.

O São Paulo ficou caro e não ficou melhor

Talvez esse seja o ponto central. O São Paulo conseguiu montar um elenco com jogadores de salários relevantes, mas isso não significa que tenha montado um elenco competitivo na mesma proporção.

Folha salarial alta não garante intensidade. Não garante velocidade. Não garante juventude.

Não garante pressão na saída de bola. Não garante capacidade física para suportar 90 minutos. E muito menos garante vitória.

O futebol moderno exige jogadores capazes de correr, pressionar, atacar espaços e competir fisicamente. E é justamente nesse aspecto que o São Paulo muitas vezes parece envelhecido e sem alternativas. Enquanto isso, jogadores jovens permanecem sem espaço. É uma equação que precisa ser revista urgentemente.

O torcedor paga a conta

O torcedor não está preocupado apenas com quanto Rodriguinho custou ou quanto Cauly custou. Ele quer saber uma coisa muito simples: o São Paulo ficou melhor?

Se a resposta for não, alguém precisa explicar por quê. Porque o clube não está em uma situação financeira que permita errar repetidamente no mercado. Cada contratação que não funciona custa dinheiro. Cada salário elevado de um jogador que não entrega custa dinheiro.

Cada jogador jovem vendido abaixo do potencial representa dinheiro que deixa de entrar no futuro. E cada temporada sem revelar e valorizar atletas significa depender ainda mais de contratações. É um círculo vicioso.

Vende barato. Compra caro. Paga salário alto. Não entrega. Volta ao mercado. E depois reclama que não há dinheiro.

O São Paulo precisa parar de ter medo da própria base

A solução não é simplesmente colocar dez garotos em campo. Isso seria irresponsável. A solução é muito mais simples: usar a base de maneira estratégica. Dar minutos.

Testar. Desenvolver. Proteger. Valorizar. E, quando houver mercado, vender pelo preço correspondente ao potencial do jogador.

Pedro Ferreira precisa ser avaliado. Outros jovens precisam ser avaliados. E jogadores como Matheus Alves precisam servir de aprendizado. Porque não adianta o São Paulo ser reconhecido por formar talentos se, quando eles chegam ao momento de dar o salto para o profissional, o clube prefere buscar uma solução pronta no mercado.

Cauly é apenas o símbolo de um problema maior

A discussão sobre Cauly não deveria ser transformada em uma caça ao jogador. Ele não é responsável pelo planejamento do São Paulo. O ponto é outro. Cauly representa uma decisão de futebol que precisa ser cobrada.

O São Paulo tinha Rodriguinho. Vendeu. Arrecadou R$ 17,3 milhões. Depois gastou aproximadamente R$ 3 milhões pelo empréstimo de Cauly. E, até aqui, o retorno esportivo dessa escolha está muito abaixo do que se esperava. Enquanto isso, o clube continua precisando de jogadores com vitalidade, intensidade e capacidade de mudar o ritmo das partidas. E jogadores jovens que poderiam ser avaliados continuam esperando.

Chega de pagar caro para ter pouco

O São Paulo precisa mudar a lógica. Não pode continuar aumentando a folha salarial enquanto reduz a qualidade das soluções dentro de campo. Não pode continuar vendendo patrimônio da base por valores baixos e depois gastar dinheiro para contratar reposições. Não pode continuar confundindo nome com desempenho.

E não pode continuar tratando Cotia como uma fábrica de jogadores para outros clubes. Cotia precisa servir primeiro ao São Paulo. Se um garoto tiver qualidade, que jogue. Se não tiver, que seja vendido com planejamento.

Se for vendido, que o clube retenha participação e maximize seu valor. E se for contratado um jogador de fora, que ele chegue para resolver. Porque o São Paulo não tem mais dinheiro — nem tempo — para errar dessa maneira. Rodriguinho pode até não deixar saudades. Mas a forma como o São Paulo vem tomando decisões sobre seu elenco deixa, sim, uma enorme sensação de desperdício.

E essa é uma conta que o torcedor não deveria mais aceitar pagar.

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