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·27 de setembro de 2026

Sem a Superbet, como fica o São Paulo? Governo negocia crédito de até R$ 20 bilhões aos clubes após proibição das bets

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O Governo Federal intensificou as negociações com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e dirigentes de clubes para a criação do Programa Nacional de Reestruturação Financeira do Futebol Profissional.

O plano prevê uma linha de crédito especial de até R$ 20 bilhões destinada a clubes associativos e Sociedades Anônimas do Futebol (SAFs), visando atenuar os impactos econômicos causados pela publicação da Medida Provisória que decretou a suspensão das casas de apostas online no país.


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A iniciativa visa permitir que as agremiações substituam passivos de curto prazo e com juros elevados por financiamentos com taxas atrativas custeadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Trata-se de uma operação de crédito convencional — com recursos oriundos do superávit financeiro da União de 2025 —, afastando qualquer possibilidade de anistia ou perdão de dívidas.

A concessão dos empréstimos será intermediada por instituições financeiras credenciadas, que assumirão integralmente o risco de crédito das operações, isentando a União de eventuais inadimplências — modelo similar ao aplicado ao Plano Safra no setor agronegócio. A proposta será apresentada oficialmente nos próximos dias e tramitará no Congresso Nacional por meio de Medida Provisória.

Oficialmente, o São Paulo, por meio de seu presidente ou qualquer outro canal, ainda não se manifestou sobre o tema, a não ser em recente nota conjunta com outros clubes nacionais pedindo a permanência das bets. Segundo informado pelo UOL, a Superbet — patrocinadora de São Paulo e Fluminense — já notificou as duas instituições sobre a eventual dissolução contratual em cenário de veto governamental. O Tricolor, no entanto, não confirmou o aviso de sua parceira comercial.

Destinação restrita e vedações operacionais

O texto normativo estabelece regras rigorosas para o emprego dos recursos, limitando a utilização do capital ao equacionamento de dívidas estruturais e ao aporte em patrimônio. O crédito poderá ser direcionado para:

  • Quitação de débitos trabalhistas e pendências de direitos de imagem acumulados;
  • Regularização de passivos tributários e previdenciários junto à Receita Federal, INSS e FGTS;
  • Reagrupamento e amortização de empréstimos bancários e dívidas cíveis;
  • Investimentos em infraestrutura de centros de treinamento e categorias de base.

Em contrapartida, o programa proíbe expressamente o uso do montante para despesas operacionais do dia a dia do futebol profissional, como pagamento de folha salarial corrente, contratação e luvas de atletas ou custos logísticos. No caso das SAFs, fica vedada a distribuição de lucros e dividendos aos acionistas com base nos recursos captados.

A minuta prevê sanções severas para descumprimentos contratuais: eventuais desvios de finalidade ou atrasos nas parcelas acarretarão o vencimento antecipado do montante global e a exclusão imediata do programa.

Condições de pagamento e motivação econômica

O desenho financeiro projeta prazos diferidos de amortização, oferecendo até 20 anos para a quitação total do contrato e período de carência de dois anos para o início dos pagamentos. Em determinadas modalidades de repactuação, a instituição financeira repassará os valores diretamente aos credores do clube.

A aceleração da pauta no Ministério da Fazenda ocorreu após o diagnóstico do impacto financeiro decorrente da proibição das bets. Projeções governamentais e do mercado esportivo indicam uma perda anual superior a R$ 1 bilhão apenas em patrocínios diretos de camisas, além de retração severa nos contratos de naming rights de torneios e arenas, exploração de placas de publicidade e cotas comerciais de transmissão.

A articulação entre o Poder Executivo e os dirigentes esportivos vem sendo costurada desde o mês passado, em reunião que contou com a presença de presidentes de clubes, como Corinthians e Internacional, e de representantes da cúpula da CBF.

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