Jogada10
·18 de setembro de 2026
Sem Dinizismo, Corinthians desmorona no pós-Copa e tem ano perdido

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·18 de setembro de 2026

A eliminação na Libertadores foi o ponto culminante da trajetória desgovernada do Corinthians após a pausa para a Copa do Mundo. Diante do Estudiantes-ARG, a equipe chegou à sétima derrota em 13 jogos desde a retomada das competições. O sonho frustrado de chegar à semifinal do torneio pela primeira vez em 14 anos soma-se à queda na Copa do Brasil e à maior sequência de derrotas no Brasileirão em duas décadas.
Antes da parada, a equipe vinha em uma ótima sequência sob o comando de Fernando Diniz, com campanha sólida na fase de grupos da Libertadores e nas cercanias do G5 do Brasileirão. Nos 16 primeiros jogos com o técnico, foram apenas três derrotas. Embora com um estilo de jogo que pouco remetia ao que distingue a carreira do treinador, o chamado “Dinizismo”, com troca de passes constantes e movimentação para criar superioridade numérica, o aproveitamento era animador. No entanto, no retorno, especialmente após a perda de Yuri Alberto por lesão, o pouco que havia de identidade de jogo se perdeu e os maus resultados se acumularam.
“Tenho uma responsabilidade grande. Não conseguimos encontrar soluções. O nosso jogo de reestreia foi contra o Remo, jogamos de maneira fluida, atacando e defendendo bem. Depois de sete dias, machucaram no mesmo momento Yuri e André. Tivemos jogos com histórias diferentes. Houve críticas da parte de vocês, concordei com elas. Hoje, faltou mais manejo, mais agressividade”, declarou Diniz, após a queda na Libertadores, lembrando a trajetória no período pós-Copa.

Série de cinco derrotas no Brasileirão é a pior do Corinthians em 20 anos – FOTO: Gilvan de Souza/Flamengo
Fernando Diniz estreou no Corinthians com vitória sobre o Platense-ARG por 2 a 0, fora de casa. Entre esse jogo, pela fase de grupos da Libertadores, e o triunfo por 3 a 1 sobre o Grêmio, em Porto Alegre, o último antes da pausa para a Copa do Mundo, foram 16 partidas, com nove vitórias, quatro empates e três derrotas, um aproveitamento de 64,6%. No recorte após o Mundial, esse índice caiu para 35,6% – quatro vitórias, quatro empates e sete derrotas, em 15 jogos, apenas um a menos que a amostragem anterior.
Em meio à crise financeira e política que o clube vive há alguns anos, havia expectativa de ir longe em uma dos torneios para salvar a temporada, como aconteceu no ano passado com o título da Copa do Brasil. Porém, a equipe sucumbiu nas quartas de final do torneio nacional e da Libertadores, e agora terá pouco de mais de dois meses de foco apenas no Campeonato Brasileiro, competição em que acumula cinco derrotas consecutivas, pior série do clube na competição em 20 anos. Não à toa, o Timão está atualmente na 14ª colocação, com 32 pontos, apenas quatro acima da zona do rebaixamento.
Mesmo em 2024, quando correu risco de queda para a Série B, o Corinthians foi semifinalista na Copa do Brasil e na Sul-Americana. De quebra, com uma arrancada na reta final do Campeonato Brasileiro, ainda conquistou vaga na Libertadores do ano seguinte, cenário muito improvável neste ano.

Memphis Depay só tem um gol na temporada e perdeu pênalti no último lance contra o Estudiantes – Foto: Rodrigo Coca / Corinthians
No empate por 0 a 0 com o Athletico-PR, a terceira partida após a volta das competições, o atacante Yuri Alberto se lesionou. Desde então, sem seu artilheiro, o Corinthians vive uma inoperância ofensiva flagrante. A equipe marcou apenas 10 gols em 12 jogos, média inferior a um por partida (0,83), mostrando a dependência que tem do seu camisa 9.
Pedro Raul e o jovem Gui Negão, as opções para o setor, marcaram juntos três gols no período. Com isso, Fernando Diniz utilizou Memphis Depay como jogador mais avançado em algumas partidas. Porém, o astro holandês vive uma temporada ruim. O jogador, que renovou contrato em meados de agosto, teve apenas um momento de brilho desde então, a assistência para Breno Bidon em gols de vitória sofre o Rosario Central, nas oitavas da Libertadores.
Diante do Estudiantes, Memphis perdeu um pênalti no último lance da partida. Ao chutar a bola por cima da trave de Muslera, o holandês decretou a eliminação corintiana e saiu vaiado de campo. O camisa 10 está há seis meses sem balançar as redes. Na temporada, seu único gol saiu em 15 de março, no empate por 1 a 1 com o Santos, no Brasileirão.
“Tem muito serviço prestado pelo clube, é muito difícil bater o pênalti. Foi um dos jogos mais importantes da história do clube, um clube com 116 anos e apenas uma Libertadores conquistada. Não perdeu só o Memphis, perdeu todo mundo”, afirmou Diniz, saindo em defesa de Memphis.

Corinthians perdeu quatro jogos na Neo Química Arena após a Copa do Mundo – Foto: Rodrigo Coca / Ag. Corinthians
A trajetória claudicante do Corinthians no pós-Copa passa por fiascos na Neo Química Arena. Em seu estádio, a equipe perdeu quatro das sete partidas no período. Além do revés fatal para o Estudiantes, na Libertadores, foram três derrotas no Brasileirão, incluindo uma para a lanterna Chapecoense, que não tinha nenhuma vitória fora de casa na competição.
Antes da parada para o Mundial, Fernando Diniz só havia perdido um jogo no comando do Corinthians na Neo Química Arena. O resultado negativo foi para o Platense, na última rodada da fase de grupos da Libertadores, quando a equipe já havia garantido a liderança da chave.
Portanto, no próximo domingo (20), contra o Fluminense, pelo Campeonato Brasileiro, o Corinthians terá a missão de dar uma resposta à sua machucada torcida. Na Neo Química Arena, a equipe buscará interromper não só a série de cinco derrotas consecutivas na competição como reencontrar a força diante da Fiel e, ao menos, dar mostras de que não será um fim de ano lutando contra o rebaixamento.
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