Zerozero
·02 de outubro de 2026
Sinal mais no ataque, preocupação na defesa: a análise à vitória de Portugal

In partnership with
Yahoo sportsZerozero
·02 de outubro de 2026

Três em três. Sem Ronaldo, Portugal superiorizou-se na Dinamarca e venceu no Parken (2-4), na melhor exibição das três partidas da era Jesus. Quatro golos, com quatro marcadores distintos: Cancelo, Ramos, Vitinha e João Félix marcaram e colocaram a seleção das quinas a um ponto da próxima fase da Liga das Nações.
Apesar da vitória - num campo difícil, onde Portugal havia perdido na última visita - e da exibição esclarecida, nem tudo foi um mar de rosas. O zerozero analisou o que de bom foi feito e o que ainda há a melhorar no jogo português com Jorge Jesus ao leme.
Pese embora a primeira meia-oportunidade tenha sido da Dinamarca, num cruzamento de Daghim pela direita - que estava em fora de jogo, não assinalado - que andou a rondar a baliza de Diogo Costa, Portugal entrou bem no jogo.
Essa boa entrada acabou por surtir efeito rapidamente e, depois de atirar uma bola ao poste, Gonçalo Ramos assistiu Cancelo para o primeiro golo, no seguimento de uma bola parada. O avançado de 25 anos mostrou o porquê de ser a opção primordial de Jesus neste momento - não só neste lance, mas em toda a belíssima exibição que fez - com um ótimo apoio frontal para João Cancelo entrar na área e demonstrar a sua qualidade.
Depois do golo inaugural, Portugal abdicou um pouco de sair curto - principalmente no pontapé de baliza - e procurou jogar mais numa zona adiantada do terreno.
Nuno Mendes e Cancelo foram muito mais solução para sair de pressões do que os médios, pouco solicitados num primeiro momento. Vitinha, a jogar numa posição mais adiantada, diferente do que o estamos habituados a ver fazer no PSG, foi mais utilizado para ligar em meio-campo ofensivo.
No meio-campo contrário, os ataques de Portugal foram mais canalizados e, inclusive, tiveram mais sequência, pelo corredor direito. Apesar de ambos os extremos jogarem de pé trocado, Pedro Neto - à direita - foi o mais solicitado e teve mais influência em acelerações por esse flanco.
Gonçalo Ramos foi exímio nas ações de apoio e ataque à profundidade. O segundo golo português é uma obra de arte do Pistoleiro e demonstra na perfeição as características que fazem dele um avançado à imagem da ideia de jogo do selecionador.
Na segunda parte, existiu um crescimento claro de Bruno Fernandes no jogo. Mais por dentro, algo vagabundo - ora nas costas dos médios, ora a descair para um flanco -, o capitão da seleção conseguiu criar no último terço e gozar de uma das suas características mais fortes: o último passe.
Os dois médios começaram também a chegar mais a zonas de finalização. Três minutos antes do belo golo de Vitinha de cabeça - com um magnífico passe de Bruno Fernandes -, havia sido Rúben Neves a entrar na área e a obrigar Hermansen a uma boa defesa.
Com bola, mudança mais notória em relação à Era Martínez é a clara vontade de ser protagonista. Portugal teve menos posse do que na última visita a Copenhaga - derrota em 2024 - mas, quando a tem, olha para a baliza contrária como objetivo.
Tal como havia sido claro nos dois jogos anteriores, Portugal entrou a querer mandar na partida. O abafar do adversário na primeira fase de pressão é inequivocamente uma das prioridades de Jorge Jesus para o jogo português e isso voltou a ser notório: uma equipa posicionada alta no terreno e a tentar recuperar a bola o mais perto possível da área adversária.
Essa pressão expôs Nyland ao erro no jogo com a Noruega, e o mesmo voltou a acontecer com a Dinamarca. Aos 41´ Hermansen jogou mal, Rafael Leão recuperou e só não deu golo, pois o guardião dinamarquês se redimiu com uma bela defesa.
Porém, nem tudo são rosas nesta asfixiante pressão portuguesa. Os centrais lusos, Rúben Dias e Renato Veiga, são submetidos a constantes pressões individuais aos adversários que, conseguindo ligar com um colega, têm campo aberto para correr e ferir a baliza de Diogo Costa.
Rúben Dias está longe de ser um central veloz (apesar de ser rápido a pensar), o que deixa Portugal desprotegido nas costas quando a equipa adversária está de frente para o jogo com bola descoberta. O segundo golo dinamarquês é exemplo disso mesmo: Hojlund atraiu o central do Manchester City, o último homem de Portugal está cinco metros à frente da linha do meio-campo e, de frente para o jogo, Damsgaard lançou o ponta de lança dinamarquês nas costas de Rúben Dias, que não teve pernas para o acompanhar.
Este ponto estratégico obriga também, muitas vezes, a fazer falta - veja-se Renato Veiga com Haaland no último jogo - e expõe a equipa a sanções disciplinares.
O primeiro golo dinamarquês surge num canto... a favor de Portugal. A transição da turma escandinava foi rápida e bem trabalhada, mas os defensores portugueses preocuparam-se mais em defender a baliza do que o espaço e isso deixou Damsgaard sem oposição para armar o remate.
O jogador do Brentford rematou - grande golo - solto de marcação dentro da área, quando estão sete jogadores de Portugal dentro da mesma. Ou Renato Veiga, ou Vitinha, os homens que chegam por último, tem de se preocupar com a referência.
Ponto de partida positivo, mas ainda com muito por melhorar







































