JB Filho Repórter
·20 de setembro de 2026
Tá com uma cara do que vai acontecer no Inter e a direção só tem uma coisa para fazer!

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·20 de setembro de 2026

O Internacional caminha a passos largos para uma situação cada vez mais desesperadora no Campeonato Brasileiro. A derrota para o São Paulo deixou o time afundado na zona de rebaixamento e agora a conta ficou muito pesada. Faltam 10 jogos. A projeção para escapar passa por algo próximo de cinco vitórias e um empate. Cinco vitórias em 10 rodadas para um Inter que tem apenas sete vitórias em todo o campeonato. É campanha de time que precisaria, daqui para frente, ter aproveitamento de briga por Libertadores para simplesmente não cair. Então não é exagero dizer: na normalidade, hoje, o Inter cai.
E é por isso que Paulo Pezzolano passa a correr um risco muito maior de demissão. Até agora, no momento da gravação, ele segue como treinador. Só que existe uma Data Fifa pela frente, duas semanas para trabalhar e uma situação em que alguma coisa precisa mudar. O Inter já insistiu, já esperou evolução, já teve tempo de trabalho e continua no Z4. Entre seguir exatamente da mesma maneira e morrer abraçado com o treinador, talvez a direção entenda que chegou a hora de morrer atirando e tentar alguma coisa diferente.
Contra o São Paulo, o Inter começou novamente com uma linha de cinco. Dois volantes protegendo a frente da área, Alan Patrick numa função de meia e falso 9, recuando para tentar organizar, com Carbonero e Bernabei atacando os espaços. A ideia era bastante clara: ter menos a bola, proteger-se e acelerar quando recuperasse. Só que tudo foi por água abaixo muito cedo. Maripán comete um pênalti completamente desnecessário ainda no começo da partida. Ficou olhando apenas para a bola, não percebeu Luciano chegando por trás, colocou o pé e derrubou o atacante. O São Paulo abriu o placar e, a partir dali, fez exatamente o que qualquer adversário deveria fazer contra este Inter: entregou a bola.
“Pega aí, Inter. Joga.”
E o que aconteceu? Nada.
Esse é um dos maiores problemas da equipe. Quando pode ficar recuada, defender e jogar no erro do adversário, ainda consegue competir. Foi assim contra a Chapecoense. Só que quando precisa assumir a partida, propor, trabalhar a bola e desmontar uma defesa posicionada, o Inter simplesmente não sabe o que fazer. O São Paulo percebeu isso, baixou um pouco as linhas e deixou o Colorado com a posse. Vitinho até teve uma chance no primeiro tempo, mas perdeu. Alan Patrick fez outra atuação muito abaixo do que já mostrou. Carbonero não conseguiu produzir como em outras partidas. E o time ficou tocando, tocando, sem encontrar nada.
E aí também entra a qualidade individual do elenco. Não dá para esconder isso. Nicolás Eliasson entra e, em determinado momento, vai cobrar uma falta e manda uma bola praticamente na bandeira de escanteio do outro lado. Sanabria entra depois e continua mostrando justamente aquilo que já preocupava quando foi contratado: é um centroavante que não faz gols. E eu ainda fico tentando entender como João Vítor, que entrou muito bem contra a Chapecoense, ganhando duelos e mostrando personalidade, não recebe uma oportunidade maior enquanto outras peças seguem entrando sem entregar resposta.
Só que falar apenas dos jogadores também seria fácil demais. Pezzolano precisa entrar nessa conta. E muito. Quando o Inter precisava ser diferente, ele foi previsível novamente. No intervalo, coloca Allex no lugar de Matheus Bahia e Thiago Maia na vaga de Bruno Henrique. Trocas absolutamente normais. Depois, Vitinho não vai bem e quem aparece na ponta direita? Aguirre. Mais adiante, quando precisa buscar o jogo, coloca Sanabria e tira Carbonero. Atacante por atacante, lateral por lateral, volante por volante. Poxa, Pezzolano, me ajuda a te ajudar.
Porque o Inter está numa situação em que fazer o óbvio talvez não seja suficiente. Quando está perdendo e a Série B está cada vez mais perto, precisa existir algum tipo de ousadia, alguma mudança de estrutura, alguma tentativa de colocar mais gente na área, alterar o comportamento e fazer o adversário pensar. Só que o treinador que durante vários momentos da temporada inventou escalações e trocou sistema quase toda rodada, quando realmente precisa inventar alguma coisa para salvar o jogo acaba fazendo substituições absolutamente previsíveis.
E esse talvez seja o ponto mais difícil de defender no trabalho de Pezzolano. Não estamos em abril, maio ou junho. Já estamos praticamente em outubro e o Internacional segue sem uma resposta minimamente consistente. O time não melhorou ofensivamente, continua dependendo muito de jogar sem a bola, não encontrou um centroavante, Alan Patrick caiu de produção e o treinador também não consegue encontrar uma solução coletiva para compensar essas limitações.
Por isso, se a direção decidir trocar agora, não vai ser uma decisão surpreendente. Pelo contrário. A Data Fifa oferece algo que o Inter não teve em outras oportunidades: tempo. Um novo treinador teria cerca de 10 dias para trabalhar, entender o grupo e tentar montar alguma coisa diferente para as últimas 10 rodadas. Vai resolver? Ninguém sabe. O elenco continuará sendo o mesmo. A falta de qualidade em várias posições continuará existindo. Mas alguma coisa precisa ser tentada.
A conta hoje é cruel: cinco vitórias e um empate em 10 jogos. O Inter tem sete vitórias em todo o campeonato e agora precisa ganhar quase metade daquilo que venceu na temporada inteira em apenas 10 rodadas. É por isso que não dá mais para suavizar o cenário. A situação não é apenas ruim. É terrível.
Na normalidade, o Inter cai.
E entre continuar exatamente igual e aceitar esse destino, talvez tenha chegado a hora de tentar morrer atirando.







































