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·10 de setembro de 2026

TCHAU QUERIDO: CONSELHO APROVA EXPULSÃO DE JULIO CASARES DO SÃO PAULO

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O Conselho Deliberativo do São Paulo decidiu em votação aberta na última quarta-feira (9) pela expulsão do ex-presidente Julio Casares do quadro associativo do clube. A votação teve 224 votos a favor contra dois, com cinco abstenções.

A deliberação segue a recomendação unânime emitida pela Comissão de Ética do órgão. O pleito foi iniciado às 22h (de Brasília) sem a presença prevista do ex-cartola.


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A representação formulada contra o ex-mandatário reúne uma série de acusações com foco central no suposto uso da estrutura, de ativos e da marca do clube para o favorecimento de familiares e pessoas do seu círculo pessoal, ferindo os princípios estatutários de impessoalidade e moralidade.

Decidida a vida de Casares na política interna são-paulina, o ex-dirigente agora continua sendo investigado pelo Ministério Pùblico Estadual e a Polícia Civil por supostos crimes de desvio de dinheiro do clube e outras irregularidades.

Por meio de nota divulgada por seus advogados, Casares se manifestou sobre a decisão do Conselho.

“A defesa de Julio Casares, exercida pelos advogados Daniel Bialski, Bruno Borragine, André Bialski e Bruna Luppi, externa sua perplexidade e espanto com o abusivo desfecho do procedimento do São Paulo Futebol Clube, que para além de cercear o exercício defensivo, mediante a inviabilização da disponibilização e produção dos elementos probatórios que desmistificam as ilações atribuídas a Julio Casares, se pautou em cunho eminentemente político, com ares de perseguição, cenário escancarado com o próprio prosseguimento de procedimento já esvaziado ante a anterior desassociação de Julio Casares dos quadros do Clube”, diz o texto.

“A defesa reitera a lisura e regularidade da atuação de Julio Casares junto ao São Paulo Futebol Clube e sua confiança de que, no momento oportuno, será reconhecida pelas Autoridades Judiciárias”, completa a nota.

Além da expulsão, o Conselho tricolor também aprovou que Casares indenize o clube com base no Artigo 11 do Estatuto Social, que diz que a penalidade de indenização “é aplicável ao associado que (…) causar dano ou prejuízo material ao clube”. O valor ainda será apurado.

O relatório da Comissão de Ética, do relator Luiz Braga, cita a constatação de aproximadamente R$ 7 milhões em saques das contas do clube “cuja documentação não permitia comprovar adequadamente origem, finalidade e destino”.

Outro argumento da Comissão de Ética são os gastos no cartão corporativo do São Paulo. O relatório cita compras em estabelecimentos de luxo, restaurantes, charutaria, salões de beleza, despesas médicas e medicamentos pessoais, além de compras até em petshops.

O caso foi revelado em julho deste ano, mostrando que Casares gastou R$ 1 milhão no cartão corporativo do São Paulo. Entre os gastos estão 71 idas ao Esch Café, uma casa de charutos, 53 pagamentos ao Gero, um dos restaurantes mais badalados da capital paulista, e diversas despesas em lojas de luxo.

Casares devolveu R$ 560.401,74 ao São Paulo em novembro do ano passado, quando já era investigado por possíveis irregularidades em sua gestão.

As acusações do processo administrativo

O documento detalha episódios que associam diretamente a gestão de Casares a benefícios concedidos a parentes e aliados:

  • Massa de Ingressos de Cortesia (R$ 1,2 milhão a familiares): Entre 2023 e 2025, o clube retirou 4.743 ingressos cortesia para espetáculos e shows no Morumbi, somando R$ 3,4 milhões. Desse montante, 782 ingressos (avaliados em R$ 560,5 mil) foram destinados aos filhos do ex-presidente — que não exercem representação institucional —, e outros 931 ingressos (R$ 667,3 mil) foram retirados por sua ex-esposa, Mara Casares. A acusação questiona a finalidade do volume e a ausência de prestação de contas.
  • Caso Mara Casares: A representação destaca que a ex-esposa do dirigente seguiu retirando centenas de ingressos mesmo após ter sido expulsa do clube por envolvimento na exploração clandestina de camarotes no estádio.
  • Uso Comercial da Marca sem Licenciamento: O texto cita a ex-namorada de Casares, Jacqueline Meirelles, que ocupava diretoria no Departamento Assistencial. Segundo o documento, ela utilizou a marca e o escudo do Tricolor para promover e vender produtos privados (como vestidos e pulseiras) sem a comprovação de contrato de licenciamento válido.
  • Uso Indevido das Instalações: A atual namorada do ex-mandatário, Mara Carvalho, é citada por utilizar frequentemente as quadras de tênis do clube sem figurar como sócia ou dependente estatutária, sem registros de convites formais.

Contexto de expurgos no Morumbi

O julgamento de Julio Casares é o desdobramento mais severo de uma devassa administrativa promovida no clube. Com a expulsão confirmada, o ex-presidente se juntará a outros nomes recentemente desligados do quadro social são-paulino pelo escândalo do camarote clandestino e outras irregularidades, como Douglas Schwartzmann, Mara Casares, Márcio Carlomagno e Antônio Donizeti Gonçalves (Dedé do Social).

A tese central da acusação sustenta que o São Paulo, por sua natureza de associação civil sem fins lucrativos, foi gerido de forma incompatível com o interesse público ao ser tratado como extensão dos interesses privados de seu mandatário.

Casares se despede do São Paulo após mais de 20 anos de notoriedade nos bastidores. Ganhou os holofotes a partir de 2006, no segundo mandato de Juvenal Juvêncio, quando assumiu a diretoria de marketing, mas já havia colaborado anteriormente com gestões passadas. Acumulou cargos relevantes na política do Morumbi desde então até assumir a presidência em 2021.

Sob suas rédeas nos cinco anos, conquistou três títulos (Paulista de 2021, Copa do Brasil de 2023 e Supercopa do Brasil de 2024), mas aumentou significativamente a dívida do clube em uma gestão marcada pelo personalismo de suaimagem pública e falta de transparência, além de manobras políticas que permitiram se reeleger em 2023 e sufocar a oposição. Além dos casos de corrupção, ficou marcado por episódios nebulosos, como o grande número de empréstimos bancários, a assinatura de um FIDC que pouco trouxe de resultado concreto, contratações caras e inúteis (como Galoppo, Nikão e James Rodríguez) e a nebulosa tentativa de vender a base do clube.

Primeiro presidente a sofrer impeachmeant na história do São Paulo, Casares é o terceiro a ser expulso do quadro associativo por decisão do Conselho ma era moderna do clube. Antes dele, José Eduardo Mesquita Pimenta e Fernando Casal de Rey chegaram a sofrer a mesma punição, mas conseguiram retornar à política do Morumbi por via judicial. Outros, como Antonio Leme Nunes Galvão e Carlos Migul Aidar foram julgados pelo órgão, mas acabaram absolvidos.

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