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·28 de setembro de 2026

Técnica do Corinthians projeta jogo de volta da final do Brasileirão Feminino e comenta sobre desfalques

Imagem do artigo:Técnica do Corinthians projeta jogo de volta da final do Brasileirão Feminino e comenta sobre desfalques
  1. Por Fabio Luigi / Redação da Central do Timão

Na tarde do último sábado (26), o Corinthians entrou em campo na Neo Química Arena para receber o São Paulo pela primeira partida da final do Campeonato Brasileiro Feminino de 2026, e acabou sendo superado por 2 x 1, de virada. O tento das Brabas foi anotado pela meia Gabi Zanotti, ainda no começo da primeira etapa. Depois de abrir o placar, o Alvinegro viu o rival crescer na partida e acabou levando o segundo gol na etapa complementar.

Após a partida, a técnica Emily Lima concedeu entrevista coletiva e fez uma análise da derrota das Brabas no primeiro capítulo da decisão da competição nacional. Além disso, a comandante comentou sobre os desfalques da equipe, como a zagueira Érika e a meio-campista Ana Vitória. A treinadora do Corinthians ainda foi questionada sobre as expectativas para a partida de volta no próximo fim de semana, manifestou certo descontentamento com a atitude do time em certos momentos do jogo e justificou algumas mudanças táticas para a decisão, como a presença de Juliete como titular, ao invés da volante Dayana Rodríguez no setor defensivo.


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Foto: Rodrigo Gazzanel/Agência Corinthians

Emily Lima também discorreu sobre o aumento da competitividade do futebol feminino ao longo das últimas temporadas, visto o investimento mais intenso de outros times na modalidade, e sobre os dias a mais de descanso do rival até o primeiro jogo da decisão. Por fim, exaltou a recepção da torcida do Corinthians antes da partida na entrada do estacionamento da Neo Química Arena e explicou o fato da jovem atacante Jhonson ter iniciado o Majestoso entre as reservas

Confira abaixo as respostas da técnica Emily Lima na entrevista coletiva aos jornalistas:

Confiança no elenco pela reversão do resultado no Morumbis

“Eu acho que é seguir o trabalho essa semana e tentar motivá-las da melhor forma possível. Ajustar o que precisa ser ajustado e tentar recuperar o máximo possível das jogadoras que estão com algum incômodo. A gente não vai ter a torcida, mas temos a força do grupo. Eu acho que o grupo já mostrou isso no jogo anterior com uma menos. Hoje foi um comportamento muito estranho do grupo. Muitas vezes eu vinha aqui assistir e a gente não via esse comportamento. Eu acho que é acreditar na força do grupo e tirar o melhor de cada uma. Tirar o melhor de nós para que a gente possa ir para lá e fazer um bom jogo.”

Aumento da competitividade no futebol feminino e investimento mais forte também das outras equipes na modalidade

“Eu acho que a tendência do futebol feminino é ir modificando esse cenário (de hegemonia). A gente está falando de dez anos atrás. Eu enfrentei o Corinthians algumas vezes e só tinha duas, três equipes. Hoje a gente evoluiu dentro do país, temos mais equipes. Então, esses números vão se igualando cada vez mais. A equipe que tem mais investimento, que tem o seu departamento profissional. Isso vem acontecendo, não só com São Paulo, mas com outras equipes também. A gente consegue identificar o próprio Bahia, que profissionalizou o futebol feminino, deu a estrutura para fazer o melhor trabalho possível. E as coisas acontecem. Então, eu acho que esses números vão diminuindo cada vez mais e isso é bom para o futebol feminino.”

Recepção da torcida do Corinthians antes da partida

“E a recepção foi super legal. Eu acho que elas ali dentro do campo, dentro do ônibus, já sentiram a energia. Elas têm uma tradição de entrar no campo cantando a música do Corinthians, então dali mesmo já começou, acho que é uma energia muito positiva, muito bacana. A conversa foi exatamente isso, nada está acabado, a gente já saiu de uma situação como essa, parecida como essa e a gente tem que trabalhar essa semana e ir para lá e tentar buscar o título. Foi essa a conversa, fechamos, rezamos e finalizamos.”

Análise da partida de ida da final do Brasileirão Feminino entre Corinthians e São Paulo

“Acho que é uma análise muito igual. Foi um jogo muito aberto para as duas equipes. Tiveram momentos muito bons do Corinthians, momentos muito bons do São Paulo. Estatisticamente falando, as duas equipes tiveram mais ou menos 50% de posse de bola. Nos números quantitativos, a gente teve mais finalizações, escanteios, chutes a gol, mas o São Paulo foi eficaz. Nós fomos eficientes e elas foram eficazes. E acabaram aproveitando a oportunidade em um jogo que você não pode falhar. Acontece, como aconteceu.”

Postura da equipe na partida e fatores que podem ter levado à virada do São Paulo contra as Brabas; Duda Mineira, zagueira revelada na base, falhou na origem do segundo gol adversário

“Eu não acho que é a postura, acho que a equipe entrou bem mas não soube controlar os momentos do jogo. No momento que a gente faz o gol, a gente está em alta e não podemos tirar o pé do acelerador, a gente tem que matar o jogo. Tem alguns pontos que eu fico pensando, é a primeira vez de algumas jogadoras disputando uma final pelo Corinthians, um ambiente que algumas delas nunca viveram, ver isso (estádio) lotado. Tem muitos pontos que a gente pode imaginar, mas só vamos descobrir no dia a dia, conversando com elas, como se sentiram. Isso tudo pode influenciar dentro das tomadas de decisões e de postura. A gente tenta avaliar o máximo possível para não expor ninguém, não expor o grupo, porque o que faltou foi um pouco de atitude no momento de uma dividida de bola, no momento de uma transição. A gente está em casa, a gente precisa do resultado e a gente precisa ganhar. Então foi mais ou menos isso, eu não acho que tenha faltado vontade ou algo assim, muito pelo contrário, eu falei que a vontade às vezes a gente tem que controlar um pouco para a gente não sair do trilho.”

Cobrança para as atletas no intervalo em relação ao São Paulo estar se sentindo melhor no jogo

“Eu acho que é dar sequência no que a gente vem fazendo. Nós fizemos dois jogos de quartas de final e de semifinal muito bons. Hoje eu acho que faltou sentir um pouco mais que o Corinthians sempre sentiu aqui dentro. É uma impressão muito minha, eu cobrei no intervalo do jogo. Parecia que o São Paulo estava na casa delas, foi uma impressão muito estranha que eu tive. E externei para elas no vestiário que isso não poderia acontecer.”

“No segundo tempo a gente entrou um pouco melhor, mas acabamos dando brecha para que as coisas acontecessem de uma forma negativa para nós. Mas eu acho que é dar sequência no trabalho na semana e motivar o máximo que a gente puder. A gente precisa de um gol para entrar no jogo novamente e é isso o que a gente vai fazer. O tamanho do Corinthians… Existe essa expressão de poder do Corinthians. E eu acho que a gente tem que utilizar isso a nosso favor, chegar lá e ser o que nós deixamos um pouco de ser hoje aqui em casa.”

Desfalques de Érika (zagueira) e Ana Vitória (meio-campista)

“A gente vem falando disso já há duas semanas. Então, a Erika já sofre com uma lesão crônica de joelho. E acabou que a gente perdeu ela por essas viagens. Esses tempos de um jogo para o outro e as viagens de avião. Ela sai bem do jogo, viaja de avião e chega mal. Ela viajou para Salvador e estava bem, terminou o treino bem. E ela chega em Salvador e é uma surpresa para a gente, que o joelho dela estava super inchado. A Ana Vitória a gente vai tentar sim com que ela esteja (disponível para o fim de semana). Ela já está em transição, acho que agora é o momento de tudo ou nada. E quanto mais jogadoras aptas a gente tiver, melhor.”

Problemas para escalar o setor defensivo, já que Thais Regina estava suspensa. Por que não ter escalado Dayana Rodríguez pela esquerda ao invés de Juliete?

“Comigo a Paola nunca fez essa função. A Dayana também nunca fez, mas sei que ela já fez na seleção (da Venezuela). Só que assim, uma coisa é a estratégia do que a seleção pede para ela lá e a função do que eles pedem para ela lá. E outra coisa é a função e estratégia que a gente pede aqui. Eu já trabalhei com a Juliete, ela já jogou nessa posição comigo lá no Santos. Então, a treinadora e jogadora tem confiança em situações que às vezes vocês não sabem. Eu estou externando agora, verbalizando para vocês que eu já tinha passado essa situação com a própria Juliete. E a confiança em colocá-la ali é porque ela já resolveu um problema nosso do passado e foi muito bem. Não é o ideal, mas neste momento, onde a gente não pode errar, a gente tomou essa decisão de colocá-la ali. E respondeu super bem do nosso ponto de vista.”

Sobre Jhonson iniciar o Majestoso, pela final do Brasileirão Feminino, no banco de reservas

“A Jhonson estava com incômodo e não daria para colocar a Zanotti e ela no mesmo tempo, porque as coisas poderiam acontecer de forma que a gente não quisesse. Porque as duas estavam menos recuperadas, vamos dizer assim, e elas tiveram algum tipo de incômodo no jogo anterior. Então o que a gente, eu e a Jaque (Ucella, auxiliar) conversando, uma entra em um tempo e a outra no outro. Foi conversado com elas isso, a Jhonson achou que foi uma melhor decisão mesmo, porque ela não sabia dizer se ela conseguiria jogar os 90 minutos, então para não expor também a equipe, não expor as jogadoras, a gente optou em colocar uma em cada tempo. No intervalo, a Zanotti fala ‘na hora de abrir passada, eu não consigo’, e a gente sabia disso, a gente fez uma reunião. A gente faz reuniões diárias com a parte médica e foi a melhor decisão que a gente via para o momento.”

Declaração sobre tempo a mais de descanso por parte do São Paulo para o primeiro jogo da final do torneio

“Eu dei uma entrevista pós-jogo Bahia e o apresentador ficou bravo com a minha resposta. Porque é fácil ficar atrás da bancada enquanto chove, elas na chuveira e ele tomando café. Ele no ar-condicionado e elas num calor de 30 graus. Eu não reclamei, só falei que o São Paulo tinha dois dias a mais de recuperação e de treinamento. E ele achou ruim, né? Porque ele nunca pisou num campo de futebol. E a Gabi já é uma jogadora de 41 anos. É uma das jogadoras que tem a minutagem mais alta do elenco junto com a Thaís Ferreira. E a gente precisou cuidar dela essa semana. Chegou no intervalo, como sempre, a gente pergunta como tá todo mundo. E para abrir a passada ela falou, eu não vou estar 100%. E foi uma decisão que a gente tomou em outro momento também. É uma referência que a gente perde. Mas a gente tem as substitutas e a gente tem que buscar o melhor de cada um do elenco.”

Próximo compromisso e condições para ficarem com o título

O segundo jogo entre São Paulo e Corinthians está marcado para o próximo sábado (3), às 16h30 (de Brasília), no Morumbis. Se quiserem ficar com o título, as Brabas terão que vencer por dois gols de diferença. Em caso de triunfo por um gol, a disputa será nas penalidades máximas. As rivais, desta forma, jogam por um empate para ficarem com a taça.

Outras competições ainda nesta temporada

Além do Campeonato Brasileiro, nesta reta final de ano, as Brabas terão a disputa do play-in do Paulistão Feminino, contra o Red Bull Bragantino – detalhes a serem divulgados pela Federação Paulista de Futebol (FPF) – e, em outubro, a disputa da Conmebol Libertadores entre os dias 15 e 31 de outubro, no Equador. O Corinthians integra o Grupo A ao lado de Colo-Colo-CHI, Caracas-VEN e do segundo representante da Colômbia. Ao todo, o Alvinegro possui seis títulos do torneio internacional 2017, 2019, 2021, 2022, 2023, 2024 e 2025 – maiores campeãs.

Números de Emily Lima desde sua chegada ao Corinthians

Contratada na reta final de fevereiro para substituir Lucas Piccinato, a treinadora soma as seguintes estatísticas no comando das Brabas: 21 vitórias, dois empates e oito derrotas. Além disso, são 76 gols marcados e 30 sofridos. O aproveitamento é de 70%.

Campanha do Corinthians no Brasileirão Feminino

Na primeira fase do Brasileirão Feminino, vale lembrar, o Corinthians teve a segunda melhor campanha da primeira fase com 38 pontos – 12 vitórias, dois empates e três derrotas – 42 gols marcados e 18 sofridos – quarta melhor defesa. Nas quartas de final do Brasileirão, as Brabas despacharam o Cruzeiro ao vencerem pelo placar de 4 x 1 no agregado – 1 x 0 na ida (Independência) e 3 x 1 na volta (Estádio do Canindé). Já nas semifinais, por sua vez, a vítima da vez foi o Bahia. Na ida, vitória por 1 x 0 na Fonte Nova. No segundo jogo, em Itaquera, o Alvinegro repetiu o placar. Por sua vez, na partida de ida da final as comandadas de Emily Lima, conforme mencionado, perderam por 2 x 1. Desta forma, a campanha do Timão até aqui é de: 16 vitórias, dois empates e quatro derrotas – 48 gols marcados e 20 sofridos.

O Alvinegro é o maior vencedor do torneio com sete títulos, tendo chegado em todas as decisões da competição desde 2017. A modalidade foi reativada em 2016. Somente em 2017 e 2019 elas não ficaram com o título. A segunda partida da decisão desta edição acontecerá no próximo sábado (3), às 16h30 (de Brasília), no Estádio do Morumbis. As são paulinas decidem o campeonato em casa por ter feito melhor campanha ao longo da competição. Antes de chegarem à final, a equipe da Barra Funda teve os seguintes números:16 vitórias, três empates e duas derrotas; líder geral da primeira fase. A equipe da Barra Funda eliminou Grêmio e Flamengo nas quartas e semifinal, respectivamente.

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