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·23 de agosto de 2026
Técnico do São Paulo impõe mão de ferro e linha dura

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O São Paulo encontrou em Júlio Baptista um treinador disposto a estabelecer limites claros na formação de seus jovens jogadores. De volta ao clube onde iniciou a carreira como atleta, o ex-meia adotou uma postura rigorosa no comando do Sub-20 e colocou a disciplina como um dos pilares de seu trabalho em Cotia.
Entre as medidas implementadas estão a restrição ao uso de celulares, a proibição de palavrões durante os treinamentos e punições esportivas para quem descumprir as regras estabelecidas. Para Júlio Baptista, o objetivo não é simplesmente impor autoridade, mas preparar os atletas para as exigências do futebol profissional.
“Existem normas, as normas são cumpridas e, se não se cumprem, isso tem consequências”, explicou o treinador ao ge.
Uma das primeiras mudanças promovidas por Júlio Baptista foi justamente em relação ao celular. O treinador percebeu que alguns jogadores chegavam aos treinamentos ainda dispersos após permanecerem conectados às telas.
Por isso, determinou que os aparelhos sejam guardados durante períodos como café da manhã, almoço e jantar em viagens, preleções e momentos que antecedem os treinamentos.
A regra inicialmente causou estranhamento entre os jogadores.
Segundo Júlio, houve casos de atletas que tentaram entrar no treinamento com o telefone escondido no calção. O treinador, então, endureceu a punição.
“Se eu visse qualquer jogador com o telefone, ele não ia treinar.”
A ideia é fazer com que os jovens entendam que cada comportamento tem uma consequência. Para o comandante do Sub-20, o jogador precisa aprender desde cedo que disciplina também faz parte da profissão.
Outra mudança implementada por Júlio Baptista foi a tentativa de eliminar os palavrões durante os treinamentos.
O treinador entende que xingamentos entre companheiros não contribuem para a evolução individual ou coletiva. Em vez disso, prefere que os jogadores sejam orientados e corrigidos de maneira objetiva.
A postura faz parte de uma filosofia maior de formação. Júlio acredita que o treinador da base não deve apenas ensinar questões táticas e técnicas, mas também contribuir para a educação e amadurecimento dos atletas.
“O importante é a conexão”, afirmou.
Para o treinador, o jovem precisa compreender que a cobrança existe justamente porque o objetivo é fazê-lo evoluir.
Júlio Baptista não esconde que pretende exercer autoridade sobre o elenco. Para ele, a principal ferramenta de controle de um treinador da base é a própria competição por espaço.
Se o jogador chega atrasado, desrespeita uma regra ou apresenta comportamento inadequado, pode perder treinamento, viagem ou até espaço na escalação.
Na visão do técnico, isso cria uma consciência maior nos atletas.
A mensagem é simples: quem quiser jogar precisa respeitar as regras e entregar desempenho.
“Quando você realmente consegue colocar limites, o jogador fala: ‘opa, é até aqui, se eu passar daqui eu tenho um problema, eu não jogo’”, explicou.
Outro ponto em que o treinador adota uma posição bastante firme é na relação com os familiares dos jogadores.
Júlio afirmou que não mantém conversas sobre futebol com os pais dos atletas e entende que a função deles deve ser apoiar os filhos, sem interferir nas decisões técnicas.
Para o treinador, o desempenho no treinamento é o principal critério para definir quem joga.
“O jogador, quando ele performa no treinamento, é visível. E o jogador que não performa no treinamento, ele não deve jogar. É simples.”
A avaliação, portanto, deve acontecer dentro do campo e durante o processo diário de preparação.
O retorno de Júlio Baptista ao São Paulo também tem um componente emocional. Revelado pelo clube, ele afirmou que aceitou voltar mesmo diante do momento turbulento vivido pelo Tricolor.
Inicialmente, a possibilidade era trabalhar no Sub-17, mas acabou assumindo o Sub-20.
Segundo Júlio, o clube precisa fazer com que os atletas compreendam a dimensão da instituição e estejam mais próximos da torcida.
A ideia é recuperar pilares que, na avaliação dele, foram deixados pelo caminho ao longo dos anos.
Júlio Baptista também fez críticas ao calendário das categorias de base no Brasil. Para ele, a quantidade elevada de partidas pode prejudicar justamente o principal objetivo da formação: ensinar.
O treinador considera excessivo o número de jogos disputados por algumas equipes Sub-20 durante a temporada e defende uma maior valorização dos períodos de treinamento.
Na visão dele, treinar é fundamental para desenvolver tomada de decisão, entendimento tático e inteligência de jogo.
“O mais importante é que o jogador consiga chegar à parte profissional melhor preparado.”
Esse conceito está diretamente relacionado à maneira como Júlio enxerga o futebol.
Com formação de treinador na Espanha e experiência no futebol europeu, Júlio Baptista defende equipes capazes de controlar as partidas.
O treinador gosta de times que tenham posse de bola, ocupem o campo ofensivo e saibam interpretar os diferentes momentos da partida.
Para ele, o futebol moderno exige mais do que velocidade e transição.
O jogador precisa entender quando acelerar, quando controlar, onde ocupar o espaço e como aproveitar uma superioridade numérica.
Essa inteligência, segundo Júlio, é desenvolvida principalmente pela repetição dos conceitos nos treinamentos.
Júlio Baptista também analisou a perda de protagonismo dos técnicos brasileiros no cenário internacional.
Na avaliação do treinador do São Paulo, a chegada de profissionais estrangeiros ao futebol brasileiro está relacionada, entre outros fatores, à maior atualização metodológica.
“O treinador brasileiro perdeu espaço a partir do momento que não se atualizou.”
O ex-jogador defende que o Brasil mantenha suas características, mas incorpore conceitos modernos de treinamento, organização e tomada de decisão.
Para ele, não se trata de copiar o futebol europeu, mas de adaptar conhecimentos à realidade brasileira.
Apesar de estar concentrado no trabalho com o Sub-20, Júlio Baptista não esconde que pretende comandar uma equipe profissional no futuro.
Ele iniciou sua trajetória como treinador na Espanha, trabalhando no Valladolid, e afirma que os anos de preparação no futebol europeu lhe deram uma base importante.
Ainda assim, não demonstra pressa para dar o próximo passo.
O treinador entende que sua passagem pela base do São Paulo pode ser fundamental para consolidar sua metodologia e ganhar experiência antes de assumir uma equipe profissional.
“Eu não tenho pressa, estou criando o meu caminho e, quando a oportunidade existir, a única coisa que sei é que eu vou estar bem preparado para ela.”
A filosofia implantada pelo treinador no Sub-20 deixa clara a prioridade: formar jogadores preparados para o futebol profissional dentro e fora de campo.
Celular controlado, palavrões vetados, cobrança por comportamento, pouca abertura para interferência externa e valorização extrema do treinamento fazem parte de um modelo que Júlio Baptista considera necessário para recuperar a disciplina e a identidade na formação do São Paulo.
A aposta é que os jogadores cheguem ao profissional não apenas com qualidade técnica, mas também com maturidade, entendimento de jogo e responsabilidade para vestir a camisa do Tricolor.
Por que Júlio Baptista proibiu o celular no São Paulo Sub-20?O treinador entende que o uso excessivo do aparelho prejudica a concentração dos jogadores antes dos treinamentos e determinou horários específicos para que os celulares sejam guardados.
Júlio Baptista proibiu palavrões nos treinamentos?Sim. O treinador considera que xingamentos entre jogadores não contribuem para a orientação e evolução dos atletas.
Qual é a filosofia de Júlio Baptista no São Paulo Sub-20?O técnico valoriza disciplina, posse de bola, controle do jogo, tomada de decisão e treinamento como principais ferramentas para a formação dos jogadores.
Júlio Baptista pretende trabalhar no futebol profissional?Sim. O treinador afirmou que se considera preparado para assumir uma equipe profissional, mas não tem pressa e pretende continuar construindo sua carreira.
Júlio Baptista já trabalhou como treinador na Europa?Sim. Antes de retornar ao São Paulo, ele teve experiência no Valladolid, na Espanha, onde acumulou anos de aprendizado e preparação para a carreira como técnico.












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