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·03 de outubro de 2026

Técnico do Sub-17 detalha integração com profissional e processo de formação no Corinthians

Imagem do artigo:Técnico do Sub-17 detalha integração com profissional e processo de formação no Corinthians

O trabalho desenvolvido nas categorias de base do Corinthians, a aproximação com o elenco profissional e o planejamento para a formação de novos jogadores foram alguns dos temas abordados por Guilherme Nascimento, técnico do Sub-17 alvinegro. Em entrevista ao programa Sala do Esporte, o treinador detalhou os bastidores do departamento e explicou como o clube conduz o desenvolvimento dos jovens.

Guilherme também falou sobre a estrutura oferecida pelo Corinthians, o diálogo com Ricardo Drubscky, coordenador técnico das categorias de base, e o planejamento para a próxima edição da Copa São Paulo de Futebol Júnior. Segundo o treinador, parte dos jogadores que atualmente integram o Sub-17 deve ser aproveitada no grupo da Copinha de 2027.


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Foto: Carlos Freitas

Integração entre base e profissional

Um dos pontos abordados durante a entrevista foi a relação entre as categorias de formação e o futebol profissional. Guilherme afirmou que existe atualmente uma proximidade entre os dois departamentos, inclusive com jogadores do Sub-17 e Sub-20 participando de atividades com o elenco principal.

O treinador destacou o acompanhamento realizado por profissionais ligados à equipe de cima e citou Júlio César, Marcelo Paz e a comissão técnica de Fernando Diniz ao explicar como ocorre essa comunicação.

“Legal, hoje existe sim. Os dois setores, vamos chamar assim, base e profissional, trabalham de maneira bem aproximada. Tem alguns profissionais que fazem essa interlocução de uma forma mais aproximada. Hoje o Júlio César, que está na gerência do profissional, mas desde a partir do Marcelo Paz, também com a comissão do Fernando Diniz, eles estão sempre acompanhando, acompanhando os jogos. E os atletas têm frequentemente participado de atividades junto com o elenco profissional, tanto atletas do Sub-17 como também os atletas do Sub-20. Então hoje a gente tem um nível de aproximação muito interessante. O clube fala a mesma língua nos dois departamentos, base e profissional. Isso facilita esse processo de integração, de transição dos atletas quando ele tiver que se dar.”

Formação de jogadores e os desafios da transição

Questionado sobre possíveis carências de jogadores em determinadas posições no futebol brasileiro, Guilherme ponderou que o país continua produzindo talentos em diferentes funções. Para o treinador, porém, existem gargalos desde a iniciação até a transição para o futebol profissional.

O comandante do Sub-17 também chamou atenção para a necessidade de dar tempo aos jovens durante o processo de amadurecimento. Na avaliação dele, a cobrança imediata por resultados pode dificultar a consolidação de alguns atletas depois da formação.

“Legal. O Micali é uma referência no processo de formação, então com certeza ele deve ter abordado o tema com bastante profundidade. A gente, num trabalho de base, procura fomentar o futebol profissional como um todo, daquilo que a gente produz diariamente e entende que é necessário chegar em bom nível no profissional. A gente está escutando, da Copa para cá principalmente, voltou-se bastante a atenção para aquilo que se faz em relação às categorias de base, processo de formação. E o que eu posso relatar, vivendo na prática, trabalhando com isso diariamente já há alguns anos, é que o processo tem, sim, alguns gargalos.

Um gargalo na iniciação, um gargalo no processo de formação, que é onde eu estou, e também no processo de transição. Mas que o Brasil continua produzindo em profusão bastante talento de diferentes posições e funções, mas que às vezes alguns aspectos até culturais no processo da transição ou algumas demandas urgentes por resultados, acabam fazendo a gente talvez não ter a paciência para que esse talento se mature de uma forma adequada para servir da forma que todo mundo espera o profissional. Então, a gente está hoje no meio de uma disputa de um Campeonato Brasileiro Sub-17, no meio do Campeonato Paulista Sub-17, e sim, eu vi diversos bons potenciais de laterais, diversos bons potenciais meio-campistas.

Então, assim, continuamos formando e talvez a gente tenha que discutir também a qualificação, sim, desse processo de formação e talvez escutar um pouquinho mais aquilo que vem de forma como demanda, aquilo que as pessoas esperam que esses jogadores integrem, mas também discutir um pouquinho do processo de transição, o processo de aproveitamento desses jogadores no departamento, no profissional, de um modo geral, para que essa quantidade de bons jogadores que a gente continua tendo, que a gente continua formando, consiga de fato fazer o processo de transição e de se estabelecer no futebol profissional, trazendo o resultado que eles esperam.”

Guilherme destaca estrutura encontrada no Corinthians

Com passagens recentes por Athletico-PR e Atlético-MG, Guilherme também foi questionado sobre as diferenças estruturais encontradas no Corinthians. O treinador reconheceu a estrutura dos antigos clubes, mas afirmou ter encontrado boas condições de trabalho no departamento de formação alvinegro.

Segundo Guilherme, as mudanças promovidas na estrutura da base e o trabalho de profissionais como Claudinei Alves, conhecido como Damião, Bruno e Ricardo Drubscky contribuíram para criar um ambiente adequado ao desenvolvimento dos jogadores. O técnico ainda ressaltou que as decisões relacionadas ao futebol são tomadas por critérios técnicos.

“Boa, legal, Léo, boa tarde. É legal entrar nesse tema, assim, eu estive no ano passado no Athletico Paranaense, né, no ano anterior eu estive no Atlético Mineiro, são dois clubes que têm uma estrutura que dispensa apresentações, né, mas propriamente do Athletico Paranaense, com uma estrutura que integra base e profissional, né, então utiliza-se dos mesmos espaços, das mesmas tecnologias, mas quando eu venho para o Corinthians, e talvez essa resposta possa surpreender um pouco, eu encontro um clube com uma condição de trabalho muito, muito importante, uma condição de trabalho muito boa para esse processo de formação de atletas, né.

“O Corinthians, ele, talvez da metade do final do ano para cá, na base, passou por alguns processos de mudanças, né, e aí desde a chegada do diretor executivo da base, que é o Damião, juntamente ali do Bruno, que faz a coordenação administrativa, e do Ricardo Drubscky, que faz a coordenação técnica, eles têm conseguido entregar para a gente uma condição de trabalho muito importante dentro daquilo que a gente precisa para, de fato, formar jogadores de elite, né.

“Então, assim, o CT nosso de categoria de base, que é um CT anexo ao CT profissional, ali no espaço do Joaquim Grava, é um CT que entrega todas as condições para a gente trabalhar bem, a performance dos atletas, assim, é extremamente funcional. Se a gente for entrar na diferença, talvez, ali no Athletico Paranaense, se a gente tivesse um luxo de alguma coisa, mas assim, funcionalmente, aquilo que a gente precisa dispor de materiais, de tecnologia, tudo isso está entregue hoje ali no nosso departamento de base, e hoje a gente tem o Corinthians com uma categoria de base completamente limpa, né.

“Então, assim, eu quando estava de fora, mas já dentro do mercado, a gente escutava falar algumas coisas, de algumas influências, de quantidade de jogadores, hoje não, hoje as categorias trabalham com uma quantidade muito adequada de jogadores, né. Todo mundo que está no Corinthians hoje merece estar no Corinthians, né, tanto de staff, quanto de atletas.

“Então, hoje, a partir da chegada do Damião, aí a minha chegada em novembro do ano passado, o que eu pude perceber é um ambiente muito bom para se trabalhar, uma estrutura muito eficaz, que oferece aquilo que a gente precisa para estar em bom nível, e uma condição política que não influencia em nada, ou seja, nossas decisões hoje na base do Corinthians são puramente técnicas, né.

“E o resultado disso já vem aparecendo, quanto na performance das próprias categorias de base em campo, e daqui a pouco a gente vai ver na oferta de jogadores no futebol profissional também.”

Jogadores do Sub-17 podem disputar a Copinha

A montagem do elenco para a Copa São Paulo de Futebol Júnior de 2027 também já faz parte das discussões internas. De acordo com Guilherme, o planejamento não depende apenas das categorias inferiores, já que a utilização de jovens pela equipe profissional interfere diretamente na composição do Sub-20.

O treinador explicou que o calendário do time principal e a possibilidade de utilização dos atletas mais velhos da base precisam ser considerados antes da definição. Ainda assim, antecipou que uma parcela significativa do atual Sub-17 deverá integrar o grupo preparado para a Copinha.

“Legal, já se pensa nisso, né, já está se aproximando até o período de inscrições, né. O processo de montagem de um elenco para a Copinha, ele é bem complexo, porque ele também depende daquilo que vem do futebol profissional.

“Então, por exemplo, esse ano o futebol profissional iniciou mais cedo, né, nesse calendário que foi proposto, os campeonatos estaduais iniciaram mais cedo, muitos clubes partiram de uma premissa de utilizar os seus jogadores mais velhos ali do Sub-20, que já estavam ali estourando a idade, Sub-21, porque a Copinha ainda permite atletas de 20, que vão fazer 21 anos, disputar ela. Então, alguns clubes utilizaram desses atletas um pouco mais velhos do Sub-20 para iniciar o campeonato estadual, e aí essas equipes fizeram a Copa São Paulo com um grupo mais jovem, né, atletas de 18 anos, recém-formados, e até atletas de Sub-17. Então, isso depende muito do planejamento macro que parte do profissional, né.

“A gente sabe que o Corinthians tem uma ligação histórica muito forte com a Copinha, e a Copinha, ela é um campeonato realmente formativo, né. Talvez ali é um ambiente onde o atleta já pode disputar um jogo com a presença massiva de torcida, com uma pressão, com transmissão ao vivo, com muita gente acompanhando, porque é um período que, no futebol profissional, dá uma pausa, e aí muita gente vira esse olhar para a Copinha. Então, eu estou querendo dizer que é importante a gente ter um time forte para competir e tentar vencer a competição, sim.

“Só que, lembrando que isso também se trata de um caráter formativo, né, que os atletas passarem por isso durante esse torneio, sobretudo aqui no Corinthians, é algo muito importante. Mas, sim, já estamos em conversas, né, boa parte desse grupo Sub-17 deve, sim, fazer parte do grupo que vai estar na Copinha no ano que vem, porque já vão ter idade e a gente já conversa nesse sentido. A definição que fica é a definição mais macro, né, de como vai ser a utilização de jovens com uma idade um pouco mais elevada, já no elenco profissional, caso as competições voltem a iniciar um pouco mais cedo e essa tendência de se manter nos próximos anos.”

Diálogo diário com Ricardo Drubscky

Na parte final da entrevista, Guilherme detalhou a participação de Ricardo Drubscky no cotidiano das comissões técnicas. Segundo ele, o coordenador mantém contato frequente com os treinadores e utiliza sua experiência prática e teórica para contribuir não apenas com a formação dos atletas, mas também com o desenvolvimento dos próprios profissionais responsáveis pelas categorias.

Apesar do alinhamento existente, Guilherme explicou que não há uma determinação rígida para que todas as equipes atuem exatamente da mesma maneira. Os treinadores mantêm suas próprias ideias, mas trabalham dentro de princípios discutidos em conjunto.

“A gente conversa quase que diariamente, né. Assim, o Ricardo tem uma presença muito ativa junto a nós, treinadores, né. Ele fala muito que pra gente conseguir formar da melhor forma, né, formar melhor os atletas, ele tem um papel importante de nos ajudar a nos formar como treinadores também.

“Ele tem uma vasta experiência, tanto em cargos de coordenação, de direção e também em comando técnico, né. Ele é um cara que também tem bastante conhecimento prático e teórico, né, escrevendo livros, como você bem citou. Então, assim, ele é um cara que tá muito próximo.

“Hoje a gente tem bastante liberdade pra trabalhar no Corinthians, assim. O Willian Batista, o treinador do Sub-20, tem as suas ideias, eu tenho as minhas ideias, os treinadores das categorias mais novas têm as suas ideias, mas a gente tem muita comunhão de pensamento, assim. Então, tem um alinhamento muito grande, apesar de serem pessoas formadas e criadas e com pensamentos de futebol um pouquinho diferentes, mas que, no geral, se alinham muito.

“E o Ricardo é a cabeça desse processo, ele faz parte disso, com a experiência que ele tem. Então, assim, não há, não sei se foi essa palavra, mas não é uma ingerência, ‘preciso que jogue assim, eu preciso que faça isso’, mas há uma constante conversa, um constante diálogo de como fazer, do porquê fazer, né, de quais objetivos do treino, de quais objetivos do jogo, da escolha de qual minuto faz sentido a gente oferecer para tal jogador, pensando no desenvolvimento dele. Então, é um cara que está muito próximo e nos ajuda bastante com a sua experiência, com certeza.”

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