Deus me Dibre
·07 de janeiro de 2026
Tite dá primeira coletiva no Cruzeiro, exalta projeto, estrutura e projeta briga por títulos

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·07 de janeiro de 2026

O técnico Tite foi apresentado oficialmente nesta terça-feira como novo comandante do Cruzeiro e concedeu sua primeira entrevista coletiva na Toca da Raposa II. Em sua fala inicial, o treinador destacou o projeto esportivo do clube, o ambiente de trabalho encontrado e a sintonia com a diretoria, além de projetar uma equipe competitiva, capaz de evoluir ao longo do tempo e brigar por títulos na temporada de 2026.
Logo na abertura, Tite fez questão de agradecer ao presidente Pedro Lourenço e ao CEO Pedro Junio pela forma como foi recebido e ressaltou a importância da estrutura oferecida pelo clube.
“Primeiro eu quero agradecer ao presidente (Pedrinho) e ao Pedro Junio, pela forma como fomos recebidos. Pressões por resultados e títulos são inerentes da nossa atividade. O que tem de diferente é um ambiente de trabalho que proporciona uma preparação de qualidade pro jogo. Esse agradecimento por isso que foi implantado no Cruzeiro.”
Tite também destacou o acolhimento recebido da torcida celeste e reforçou o compromisso com valores como honestidade, lealdade e transparência. O treinador lembrou do carinho da Nação Azul desde a época em que esteve na Toca da Raposa II com a Seleção Brasileira e disse que espera retribuir dentro de campo.
“Eu fui acolhido pela torcida. A Nação Azul, quando estivemos jogando aqui com a Seleção Brasileira, fez assim comigo. Esse carinho e acolhimento, eu quero retribuir. A honestidade, a lealdade e a transparência é inegociável. Tomara que eu tenha associado a competência pra retribuir esse carinho com o torcedor.”
Questionado sobre o momento vivido pelo Cruzeiro, Tite deixou claro que a decisão de aceitar o convite passou, antes de tudo, pela convergência de ideias com a diretoria.
“Nós conversamos antes de qualquer assunto que fosse financeiro, das ideias comungadas. É a manutenção da equipe base, da estrutura já montada que é inevitável ao longo do tempo as suas conquistas seguindo esse mesmo padrão, quer o Tite esteja ou não. Nós temos essa sintonia. Mesmo que eu saiba que isso valoriza mais os jogadores que estão aqui. Mas é esse trabalho que foi dirigido até agora, para que ele possa evoluir e crescer nesse aspecto. Aí ele te aproxima da possibilidade de título.”
Ao falar sobre modelo de jogo, Tite apontou diferenças e evoluções em relação a trabalhos anteriores, tanto em clubes quanto na Seleção Brasileira.
“Em termos táticos, por vezes uma pressão individual na saída de bola no adversário. Um ataque posicional sem ser engessado, mas que dê liberdade criativa. De jogadores entrelinhas que possam gerar a criatividade, aumentar o potencial ofensivo. É uma equipe equilibrada, que fez 55 gols, com 21 do Kaio Jorge, mas que foi da equipe toda, da staff toda, dos funcionários. Cada um tem uma contribuição pra que esse gol aconteça. É uma estrutura que proporciona ele ser goleador. Eu tenho que ter a capacidade não de implantar o que eu quero como ideal como sistema tático, porque ele já está desenvolvido no 4-2-3-1, no 4-4-2 como marcação. Estabelecer uma variação? Sim. Trazer um atleta que possa contribuir nesse aspecto pra gerar competitividade na própria equipe? Talvez sim. Potencializar os jovens nesse primeiro jogo? Sim.”
Tite elogiou o desempenho coletivo da equipe na última temporada, citando os 55 gols marcados e os 21 anotados por Kaio Jorge, reforçando que o protagonismo individual é fruto de um contexto coletivo bem estruturado. Segundo ele, o desafio agora é potencializar o que já existe, ajustar variações táticas e, se necessário, trazer peças que aumentem a competitividade interna, sem descaracterizar o grupo.
Um dos pontos mais enfatizados pelo treinador foi a importância do cuidado com a saúde mental. Tite revelou que encontrou no Cruzeiro um ambiente de acolhimento e suporte, algo que considera essencial no futebol de alto rendimento.
“Primeiro, eu tô muito feliz de estar no Cruzeiro. Eu sei que a gente precisa de resultado, eu sei que a gente precisa vencer, que precisa de título. Mas eu sei que tem todo um processo que leva a isso. O atleta de alto nível, o técnico de alto nível, tem exigência de cobrança muito alta. Essas questões mentais acabam te pressionando muito. Encontrei a paz, o amor e o carinho e tomara que eu possa desenvolver meu trabalho legal.”
“O nosso dia a dia, o atleta emite sinais por vezes da pressão, do bom momento que não está, da falta de confiança. Eu sei, mesmo estando fora, que teve um atleta que teve necessidade disso e teve por parte da direção o afago. Eu sei, que pro Kaio Jorge fazer 21 gols, o passado dele todo, o quanto ele foi abraçado. Eu sei de todos os atletas, do Fagner o quanto essa relação se estabelece. Do quanto é importante ter esse respaldo enquanto equipe e comando. Eu falei com os atletas: vocês querem um técnico que vai acertar tudo? Esse cara não sou eu. Mas a ideia de fazer as coisas corretas e ser suporte de confiança.”
Sobre a utilização de jovens atletas, Tite defendeu um processo cuidadoso e integrado. Para ele, um grupo coeso facilita a entrada dos garotos, evitando avaliações precipitadas.
“Vamos colocar de uma forma geral. De oportunizar. Quando tu tem um grupo de trabalho coeso, fica mais fácil do garoto entrar e não ter um falso negativo ou um falso positivo, que é o desafio que temos no próximo jogo. A gente ter essa consciência e passando essa ideia de forma conjunta, é oportunizar. É vir jogadores de qualidade, manter os que estão e abrir espaço pros garotos.”
Ao comentar a negociação envolvendo o meio-campista Gerson, Tite destacou a versatilidade do jogador e explicou que as decisões de mercado passam por uma avaliação coletiva do que é melhor para o Cruzeiro.
“Em termos táticos, quando a gente coloca o nome do jogador não é o técnico. Ela é comum nessa situação. O que é melhor para o Cruzeiro. O que nós buscamos numa equipe equilibrada? Daqui a pouco tu tem um jogador que pode contribuir na situação de articulação e criação – e o Gerson tem essa capacidade – e joga em duas, três funções também. Ele é externo/meia, ou ele é de meia central, ou de segundo médio como jogou comigo na Seleção. Versátil, que te dá uma possibilidade de utilização maior. Tu começa a ter uma versatilidade sem inchar o grupo.”
Sobre o empréstimo de Gabigol ao Santos, o treinador adotou um discurso pragmático, desejando sucesso ao atacante e reforçando o foco no elenco atual: “A gente olha pra frente. Eu quero pensar na utilização do Neyser, do Chico que tá chegando. Desejo sucesso pra ele no trabalho, que possa retornar e dar ao Cruzeiro, no momento que for conveniente a melhor situação possível. Quero focar no meu trabalho. Que eu tenha felicidade de estar no Cruzeiro.”
Por fim, Tite comentou o calendário do futebol brasileiro, classificando-o como desafiador, e ressaltou a importância de um trabalho integrado entre as áreas física, médica e psicológica. O treinador afirmou que, neste primeiro momento, o foco estará no Campeonato Mineiro, com a utilização dos atletas condicionada ao aspecto físico.
“É desafiador. Talvez seja o adjetivo utilizado. O calendário, o acúmulo de competições e toda a necessidade de profissionais na área fisiológica, nutricional, área médica, consciência dos atletas, para que a gente tenha a saúde física, em termos psicológicos, a pressão forte. Num primeiro estágio nosso foco é o campeonato mineiro, a utilização dos atletas vai depender do condicionamento físico.”
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