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·03 de setembro de 2026

Treta nervosa entre Presidentes no São Paulo atrasa a instituição e escancara jogo de poder acima do bem do clube

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Faltando poucos meses para a próxima eleição presidencial do São Paulo, o clima entre os dois principais poderes do clube segue tenso. A relação já desgastada entre a diretoria executiva, comandada por Harry Massis, e a presidência do Conselho Deliberativo, ocupada por Olten Ayres, ganhou mais um capítulo com o imbróglio em torno do contrato com a Ticketmaster para a gestão de ingressos do Morumbis.

O episódio mais recente

O acordo com a Ticketmaster, negociado pela diretoria e considerado por Massis como fundamental para quitar pendências salariais e resolver problemas de fluxo de caixa, já foi aprovado pelo Conselho de Administração do clube. Falta, porém, o aval do Conselho Deliberativo — e é justamente aí que mora o impasse: Olten Ayres optou por não colocar o contrato em votação de imediato, criando uma Comissão de Análise, formada por quatro conselheiros (três da oposição e um da situação), para avaliar detalhadamente o acordo, após questionamentos levantados pela NewC, concorrente da Ticketmaster no processo de concorrência.

Em áudio vazado, revelado pela imprensa nos últimos dias, Massis deixou clara sua insatisfação com a demora, defendendo a aprovação como essencial para a saúde financeira do clube: “Eu preciso que vocês ajudem a fazer o presidente do CD colocar na pauta para ser votado. Porque se segurar e não for votado, não vamos cumprir nada. Não vai ter dinheiro para pagar nada, tá?”

Já Olten Ayres justificou a criação da comissão em nota oficial: “A situação financeira do São Paulo torna ainda mais necessária a avaliação rigorosa de compromissos que possam afetar suas receitas. A urgência na obtenção de recursos deve ser acompanhada de informações completas sobre custos, garantias, obrigações e consequências da contratação.”

Uma rivalidade que já dura meses

O atrito entre os dois dirigentes não é novo. Massis assumiu a presidência do São Paulo em janeiro de 2026, após a renúncia de Julio Casares — ex-presidente e antigo aliado político de Olten Ayres. Desde então, a relação entre os dois poderes do clube nunca foi de fato pacífica.

Em fevereiro, Olten recebeu uma denúncia sobre suposta participação de Chris Massis, filha do presidente, na venda irregular de ingressos para shows no Morumbis, e chegou a convocar reunião extraordinária do Conselho Consultivo para discutir um possível processo de impeachment contra Massis. O órgão se reuniu, mas o presidente permaneceu no cargo.

Acusações cruzadas e investigação policial

O embate se intensificou em abril, quando Massis protocolou pedido de expulsão de Olten do clube, sob acusação de gestão temerária ligada a supostas irregularidades em uma proposta de reforma estatutária. Durante a apuração do caso, a Comissão de Ética do São Paulo chegou a encaminhar à Polícia Civil um pedido de investigação por suposta falsidade ideológica envolvendo Olten Ayres, relacionado a um documento que, segundo a comissão, teria sido entregue já pronto a dois membros do Conselho Consultivo apenas para assinatura.

Em resposta, Olten tentou trocar os membros da Comissão de Ética, mas foi impedido pelo próprio vice, João Farias, que também determinou o afastamento do presidente do Conselho de qualquer decisão ligada às investigações sobre sua própria gestão. Diante do impasse, Olten pediu afastamento temporário do cargo para preparar sua defesa. Em junho, porém, o pedido de afastamento definitivo protocolado por Massis foi recusado, e Olten retomou suas funções — resultado interpretado, à época, como uma vitória da oposição. Em julho, o Ministério Público arquivou a denúncia de falsidade ideológica por entender que a conduta investigada não configurava crime.

A resposta política contra Massis

O jogo de acusações também teve capítulo contrário ao presidente executivo: em julho, conselheiros do clube apresentaram representação pedindo o afastamento de Massis e a abertura de processo disciplinar, citando supostos indícios de gestão temerária, violações estatutárias e comprometimento da governança — um dos pontos levantados era justamente o atraso nos salários do elenco. A representação, no entanto, foi arquivada pela Comissão de Ética.

Nesse contexto, a aprovação do contrato com a Ticketmaster e a entrada dos R$ 140 milhões previstos no acordo passaram a ser vistas internamente não apenas como solução para o caixa do clube, mas também como forma de aliviar a pressão política sobre a gestão de Massis.

O pano de fundo eleitoral

A disputa entre os dois dirigentes funciona, na prática, como termômetro da corrida eleitoral que se aproxima: a eleição dos novos conselheiros está marcada para a segunda quinzena de novembro, e o pleito para a presidência do clube, para a primeira quinzena de dezembro. Massis ainda avalia se será candidato à reeleição, enfrentando a concorrência de outros conselheiros, como Adilson Alves Martins. Do lado da oposição, Olten Ayres chegou a apoiar inicialmente uma candidatura de Rogério Caboclo, mas, diante da rejeição ao nome do ex-presidente da CBF entre a torcida, o grupo deve indicar Marcelo Portugal Gouvêa Jr. como candidato.

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