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·18 de fevereiro de 2026
"Tudo serviu como aprendizado": Sofia volta ao palco do primeiro título com a Seleção

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·18 de fevereiro de 2026

O estádio do Centro de Alto Rendimento de Futebol Feminino (CARFEM), em Ypané, guarda um capítulo especial na trajetória da zagueira Sofia. Foi ali, justamente no mesmo local onde a Seleção Brasileira está concentrada atualmente, que a defensora conquistou seu primeiro título sul-americano com a camisa da Amarelinha. Pelo Sub-17, ela não apenas levantou a taça como também deixou sua marca: fechou a goleada por 5 a 1 contra o Paraguai que garantiu o troféu continental.
Agora, ao disputar o Sul-Americano pela segunda vez na carreira, dessa vez pela Seleção Sub-20, Sofia retorna ao mesmo ambiente que ajudou a formar sua identidade na Seleção. Mais madura, ela carrega as memórias de uma campanha que marcou sua virada como atleta. "O Sul-Americano 17 foi a minha primeira competição importante com a seleção, e foi incrível. A gente ganhou, era uma energia muito boa também, com as atletas. Eu acho que eu não tinha tanta experiência quanto outras tinham, mas ao mesmo tempo fui crescendo junto com elas, porque era um elenco novo. Foi sensacional", relembrou, em entrevista à CBFTV.

Sofia durante partida contra o Paraguai no primeiro jogo da fase final do Sul-Americano Sub-20Créditos: Staff Images / CBF
O Estádio do CARFEM não foi apenas o cenário do título. Foi também onde Sofia marcou seu primeiro gol pela Seleção. Contra o Paraguai, diante de uma torcida adversária barulhenta, ela anotou o último gol da campanha campeã. "Meu primeiro gol com a seleção foi aqui no CARFEM, contra o Paraguai. Foi uma emoção incrível. Tinha torcida do Paraguai aqui, tambor batendo, eu fiz o último gol, o gol do título. Fiquei muito feliz de ter realizado esse sonho com a seleção, principalmente um campeonato daquele tamanho," disse.
A conquista foi seguida pelo Mundial Sub-17, experiência que trouxe novos desafios e ensinamentos. Eliminado ainda na fase inicial, o Brasil não alcançou o objetivo esperado, mas foi essencial no desenvolvimento da atleta. "Foi muito desafiador. Acho que ali eu cresci mais, sabe? Dei uma virada de chave. Acho que com derrota a gente aprende. A gente fechou o ciclo daquele jeito, com muitos aprendizados", afirmou.

Sofia durante partida contra o Peru no Sul-Americano Sub-20 no Paraguai Créditos: Staff Images / CBF
Natural do bairro do Grajaú, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Sofia começou a jogar futebol ainda criança, influenciada diretamente pelo irmão gêmeo. O vínculo entre os dois foi o ponto de partida para uma jornada que a levaria à Seleção Brasileira. "Comecei com uns seis anos, acompanhando meu irmão. Ele ia para para o futebol e eu para o balé. Aí eu falei: mãe, quero ir também. foi quando eu comecei com ele", contou.
Sofia começou na escolinha do Grajaú Tênis Clube, onde permaneceu até os 11 anos. Depois se afastou por falta de oportunidades para meninas na época. Mesmo assim, o futebol nunca deixou sua rotina. "Dos 11 até os 13, 14 anos, eu ficava todos os dias indo no clube com meu irmão jogar bola. Era eu e ele depois da escola".

Sofia durante treino da Seleção Brasileira Sub-20 em Ypané, Paraguai Créditos: Staff Images / CBF
Aos 15 anos, decidiu retomar o sonho de forma definitiva. A mãe encontrou uma peneira do Flamengo, e Sofia aproveitou a oportunidade. "Fiz a peneira, passei no Flamengo e fiquei primeiro no monitoramento, de 2022 até o início de 2023. Depois subi para o Sub-17 com 15 anos. E estou no Flamengo até hoje", comemorou.
"Todo mundo fala que foi um crescimento muito rápido. Quando joguei em 2023 no Flamengo, eu não sabia nem dominar no campo direito. Eu tinha muitos trejeitos do futsal. Aí comecei a aprender, aprendi a jogar de zagueira, porque eu era alta e rápida", completa.
A primeira convocação de Sofia foi para o Torneio de Algarve, em Portugal. Um dos momentos mais marcantes na sua trajetória. "Soltou a lista, eu estava em casa. Quando vi, comecei a chorar. Minha mãe chorou, meu irmão chorou, minha prima chorou. Foi inesquecível", relembrou.
O suporte familiar foi decisivo em cada etapa. O pai, flamenguista apaixonado, foi quem apresentou o futebol à filha com as idas aos estádio. A mãe e a avó assumiram o papel de apoio logístico e emocional, acompanhando treinos e viagens. O irmão, atleta de Polo Aquático do Flamengo, segue como um dos maiores incentivadores.
"Eu tenho um núcleo familiar maravilhoso. Para minha mãe é muito tranquilo. Para minha avó é mais difícil de entender que vou treinar todo dia, viajar, mas desde o início ela me levava para os treinos. Meu pai foi morar longe mas acompanha e quer saber de tudo. E meu irmão é 'babão'. Sempre que pode ele assiste meus jogos e eu os dele", contou.

Nayara, Sofia e Elu durante execução do Hino Nacional em partida do Sul-Americano Sub-20 no Paraguai Créditos: Staff Images / CBF
De volta ao Sul-Americano, Sofia agora vive um novo momento. Mais experiente, ela observa o crescimento da equipe ao longo da competição e encara o desafio com confiança. "A gente conversa muito com o grupo de ser uma crescente e chegar no dia 28 como melhor jogo da competição. Acho que aprendemos o que tinha que aprender na primeira fase, e agora cada jogo é uma final", afirmou.
A campanha até aqui trouxe obstáculos, desde o calor intenso até adversários tradicionais, como a Argentina. Tudo, segundo ela, serviu como aprendizado. "Foi uma fase difícil para entender o clima, a arbitragem, os outros times. Mas acho que agora é ir para cima com o máximo que a gente tem", explicou.
O Brasil encara a Colômbia às 20h (de Brasília) da próxima quinta-feira (19), pela segunda rodada da fase final do Sul-Americano Feminino Sub-20, no Estádio Luis Alfonso Giagni, na cidade paraguaia de Villa Elisa. Mesmo com a pressão das fases decisivas, para Sofia, o sentimento predominante é o melhor possível. "Vem um nervosismo a mais, mas ao mesmo tempo é muita motivação. A gente já viveu o que tinha que viver, já ganhou, já perdeu. Agora é mais motivação do que qualquer outra coisa", concluiu.









































