Jornal do Fla
·21 de maio de 2026
Um Flamengo que precisa ser lembrado da própria grandeza na Libertadores

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·21 de maio de 2026


No futebol moderno, o ingresso caro compra o conforto, mas frequentemente silencia a alma. No Maracanã, os R$ 4 milhões de renda e os mais de 53 mil presentes contra o Estudiantes pareciam, durante todo o primeiro tempo, uma plateia de teatro assistindo a uma sessão de cinema gelada.
Sob o frio do Rio de Janeiro, a passividade da arquibancada era o espelho exato de um Flamengo em campo que parecia esquecer o próprio tamanho na América.
O tetracampeão continental aceitou, sem grande resistência, o clima amarrado imposto pelos argentinos. Foram 45 minutos arrastados, picotados pelas malandragens do Estudiantes e por uma arbitragem confusa de Esteban Ostojich, que chegou a marcar um pênalti em Bruno Henrique para depois anulá-lo fora da área.
O Flamengo mantinha os seus habituais 68% de posse de bola, mas o dado parecia uma mentira estatística. O domínio era estéril, o meio-campo não criava e o time assistia ao relógio correr com uma letargia irritante.
Até o Maracanã parecia conformado com o roteiro burocrático. Foi então que a necessidade de ser Flamengo falou mais alto no vestiário.
A mudança de postura na etapa final passou por um time que voltou do intervalo reclamando com a arbitragem e tentando empurrar o adversário. Na segunda etapa, mais do que a posse de bola, o time rubro-negro partiu para cima como quem estava determinado a superar a catimba argentina com futebol.
Contudo, quando coletiva ainda tenta se ajustar, a Libertadores exige hierarquia. E ela veio da velha guarda. Daqueles que sabem exatamente o peso de vestir o Manto Sagrado em noites de copa.
Aos 19 minutos, Bruno Henrique, o homem de três finais e dois títulos pelo clube, chamou a responsabilidade na individualidade, costurou a marcação pela esquerda e forçou o erro de Muslera.
No rebote, quase sem ângulo, a bola caiu nos pés de Pedro. O Camisa 9 esbanjou o repertório técnico que Leonardo Jardim tanto elogiou na coletiva e cravou o gol da classificação de perna esquerda.
O gol de Pedro não mudou apenas o placar; ele resgatou a atmosfera do estádio. Foi ali que a arquibancada enfim inflamou, abandonando a postura de espectadora para jogar junto.
O reflexo do gol e da pressão foi tamanho que o treinador rival, Alexander Medina, flagrado pelo banco de reservas, se deu por vencido na busca pela vitória e pediu aos seus atletas apenas o empate: “Vamos virar? Não. Vamos por igualar, um gol, um gol…”. Não conseguiu.
Com a vantagem, o Flamengo teve os espaços que queria. Samuel Lino flutuou por dentro, Carrascal parou em Muslera e a equipe controlou os minutos finais com a autoridade que se espera do atual campeão.
O triunfo por 1 a 0 garante a liderança do grupo e a vantagem de decidir as oitavas em casa, mas deixa uma lição clara para a diretoria e para o elenco: o Flamengo não pode ser um time gelado. A Libertadores não se importa para números vazios e nem o silêncio de um público distante de suas raízes.
No sábado (23), contra o Palmeiras, será necessária a energia desde o primeiro minuto. Um pedido da própria torcida ao entoar ‘Sábado é guerra’ após garantir a vaga na Libertadores.
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