Uma informação preocupante sobre o contrato do Carlos Vinícius com o Grêmio
A renovação de Carlos Vinícius com o Grêmio deu uma complicada. A informação mais recente, trazida pelo Leonardo Müller, é de que o clube decidiu deixar a definição para o final da temporada. É isso mesmo: assinatura ou não de um novo contrato, com possibilidade de mais uma ou duas temporadas, ficou para dezembro. E quando uma negociação que vinha sendo tratada há algum tempo é empurrada para o fim do ano, alguma coisa não encaixou. Tudo indica que o problema seja financeiro, numa diferença entre aquilo que o jogador entende que merece receber e o que a direção gremista está disposta a pagar.
Esse adiamento tem risco. Carlos Vinícius já recebeu procura do México, já teve mercado no Brasil e o Corinthians chegou a trabalhar com valores maiores do que aqueles pagos atualmente pelo Grêmio. Então deixar tudo para dezembro significa conviver por mais alguns meses com a possibilidade de perder o principal atacante do time. Ainda mais porque aquela cláusula de renovação automática prevista no contrato não deve ser atingida. E mesmo que fosse, segundo a versão do próprio Grêmio, o jogador hoje recebe algo na casa dos R$ 800 mil e teria apenas um reajuste entre 5% e 10%. Para um Carlos Vinícius que voltou a decidir, fez dois gols num Gre-Nal histórico e é hoje o principal nome do ataque, provavelmente seria necessário melhorar bastante esse pacote para convencê-lo a permanecer.
E é aí que está o problema. Não houve acerto. Não existe contrato pronto para assinatura. O empresário do jogador esteve em Porto Alegre, acompanhou o Gre-Nal na Arena e, por mais que a versão oficial seja de que veio por conta própria, é evidente que conversas aconteceram. Se hoje nós temos informação de diferença de valores e de uma nova reunião apenas no fim da temporada, no mínimo as partes sentaram para discutir o assunto. E, pelo que se entende, chegaram numa conclusão parecida com: “Agora não dá. Vamos deixar para dezembro”.
O Diogo Rossi também trouxe uma linha interessante para explicar essa decisão. O Grêmio não quer assumir agora um compromisso financeiro que talvez não consiga pagar depois. E isso diz bastante coisa. Porque se o clube está segurando uma renovação do seu principal centroavante justamente por medo de assumir um valor acima daquilo que pode bancar, é porque a pedida não deve ser baixa. O Grêmio vem repetindo que acabou o “show do milhão”, que não vai mais sair distribuindo salários gigantescos para todo mundo, e Carlos Vinícius virou exatamente um teste dessa nova política. É um jogador que merece valorização, mas até onde o clube consegue ir sem repetir erros financeiros recentes?
Ao mesmo tempo, deixar para depois também pode custar caro. O futebol muda muito rápido. Hoje Carlos Vinícius está valorizado, decidiu Gre-Nal, tem mercado e naturalmente sabe disso. Amanhã pode aparecer uma proposta de fora ou um clube brasileiro disposto a colocar mais dinheiro na mesa. E aí o Grêmio vai precisar competir. Não necessariamente pagar qualquer valor que o jogador pedir, mas chegar em dezembro preparado para fazer uma proposta que faça sentido para os dois lados.
Agora, eu também acho difícil imaginar que o Grêmio simplesmente tenha deixado tudo aberto sem nenhum tipo de segurança. Isso é uma interpretação, não uma informação confirmada, mas me parece lógico que exista pelo menos uma conversa de confiança entre as partes. Algo na linha de: “Vamos terminar a temporada, depois sentamos de novo e ninguém vai fazer nada pelas costas até lá”. Porque seria muito arriscado para o Grêmio esperar três meses e, de repente, descobrir que Carlos Vinícius já assinou um pré-contrato com outro clube.
Então a situação hoje é essa: a renovação não está encaminhada, não está acertada e deu uma travada importante. Carlos Vinícius segue sendo jogador do Grêmio, segue como principal atacante do time e, provavelmente, vai terminar a temporada normalmente. Mas a definição ficou para dezembro. Até lá, vai existir angústia, especulação e mercado olhando. E quanto mais ele decidir jogos como decidiu o Gre-Nal, mais cara tende a ficar essa conversa.