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JB Filho Repórter

·31 de agosto de 2026

Uma vitória preocupante do Grêmio por conta disso aqui que aconteceu

Imagem do artigo:Uma vitória preocupante do Grêmio por conta disso aqui que aconteceu
  • O Grêmio venceu a Chapecoense por 3 a 1 na Arena, mas o resultado não pode esconder uma atuação bastante preocupante. É justamente aquele tipo de jogo que serve para mostrar que análise de futebol não pode ser resumida a ganhar ou perder. O Tricolor somou três pontos, virou uma partida em que começou atrás e não chegou a correr grande risco no placar depois da virada, mas continuou mostrando muitos dos mesmos problemas que aparecem há meses no trabalho de Luís Castro.
  • Mesmo com cinco mudanças em relação ao time que começou o Grenal, a escalação gremista continuava forte para enfrentar uma Chapecoense que vive uma situação extremamente complicada no campeonato. Pavón apareceu na lateral direita, Enamorado começou pelo lado, Braithwaite foi o centroavante e Danilo Barbosa entrou no meio porque Noriega estava suspenso. Villasanti ficou mais preso na marcação, enquanto Krovinović recebeu um pouco mais de liberdade para construir. A ideia parecia clara, mas o funcionamento novamente deixou muito a desejar.
  • A Chapecoense começou melhor e o 1 a 0 não surgiu por acaso. Antes mesmo de abrir o placar, já havia criado oportunidades e obrigado Everton a trabalhar. O gol aconteceu depois de uma sequência em que o visitante ocupava melhor o campo e conseguia chegar com facilidade. Para um Grêmio jogando na Arena, contra um adversário cheio de limitações, começar dessa maneira já era um sinal bastante ruim.
  • A reação pelo menos foi rápida. Aos 17 minutos, Enamorado aproveitou o rebote de uma cobrança de falta, finalizou forte, a bola desviou em Gustavo Martins e matou o goleiro. Dez minutos depois veio a virada com Pavón, aproveitando uma bola mal afastada depois de escanteio. O problema é justamente aquilo que aconteceu entre um gol e outro: praticamente nada. O Grêmio virou sem construir uma sequência de pressão ou produzir futebol suficiente para justificar aquela mudança no placar.
  • O terceiro gol, já no segundo tempo, também surgiu em bola parada. Depois de cobrança de escanteio no primeiro poste, Gustavo Martins apareceu para cabecear e fazer 3 a 1. Ou seja, os três gols gremistas nasceram de situações muito específicas: rebote de falta, sobra de escanteio e cobrança de escanteio. Todos valem exatamente a mesma coisa, claro, mas isso ajuda a explicar por que a torcida vaiou o time mesmo quando o Grêmio foi para o intervalo vencendo por 2 a 1.
  • Luís Castro também percebeu que o desempenho não era bom e começou a mexer relativamente cedo na segunda etapa. Mesmo depois do terceiro gol, o Grêmio continuou errando passes importantes, principalmente em zonas perigosas, e permitindo que a Chapecoense entrasse em sua defesa com uma facilidade que não deveria acontecer. Wallace precisou fazer um grande bloqueio em uma dessas jogadas e Everton voltou a aparecer logo depois. Os dois acabaram entre os destaques de uma partida contra um adversário que, teoricamente, deveria exigir muito menos do sistema defensivo gremista.
  • Individualmente, também existem muitos problemas. Pavón se esforçou, fez o gol e mostrou dedicação, mas ainda precisa entregar mais. Amuzu entrou e novamente passou uma sensação de distanciamento do jogo. Braithwaite teve outra atuação muito fraca e praticamente não participou das construções ofensivas. É aquele famoso caso em que parece existir um jogador a menos quando o time tem a bola. Carlos Vinícius entrou depois, mas também não conseguiu melhorar muito. É um atacante muito dependente de o restante da equipe produzir para que ele receba a bola dentro da área e finalize.
  • Villasanti também esteve muito abaixo. Errou fundamentos simples e apresentou uma versão muito distante daquele jogador que normalmente passa segurança no meio-campo. Pode existir uma questão física, principalmente porque voltou recentemente de lesão, mas a quantidade de erros chamou atenção. Krovinović, por outro lado, fez um primeiro tempo interessante quando recebeu liberdade para avançar e participar mais da construção, mas caiu fisicamente depois do intervalo.
  • E esse é outro problema que precisa ser colocado na conta. O Grêmio voltou a morrer fisicamente no segundo tempo. Krovinović já havia demonstrado isso no Grenal e novamente perdeu rendimento. Outros jogadores também caíram muito. É compreensível no caso do croata, que ficou bastante tempo sem ritmo competitivo, mas fica mais difícil justificar quando acontece de maneira coletiva. Luís Castro está no clube desde o começo da temporada, teve período de preparação e inclusive uma longa parada no calendário. Neste estágio do ano, o time já deveria apresentar uma condição física e uma mecânica de jogo mais consistentes.
  • No fim, todas essas críticas individuais também chegam ao treinador. Não dá para apontar Pavón, Amuzu, Braithwaite, Villasanti e outros jogadores sem perguntar por que quase todo o time apresenta dificuldades ao mesmo tempo. O Grêmio ainda não tem movimentos ofensivos coordenados de maneira natural. Muitas vezes o jogador recebe a bola e só então começa a procurar o que fazer. Falta o lateral passar no momento certo, o volante recuar para oferecer a saída, o meia atacar o espaço e o atacante puxar a marcação. Falta uma mecânica mais clara.
  • Esse talvez seja o ponto mais preocupante do trabalho de Luís Castro. O Grêmio tem momentos, ou “espasmos”, em que consegue construir alguma coisa, mas ainda não apresenta uma sequência de movimentos que permita reconhecer claramente um time treinado ofensivamente. Para o tempo de trabalho que a comissão já teve, deveria existir muito mais naturalidade.
  • A vitória por 3 a 1 é importante, principalmente porque o Grêmio precisa pontuar e respirar no Campeonato Brasileiro. Ninguém está dizendo que os três pontos não valem ou que vencer virou um problema. O que não dá é utilizar o placar para concluir que o time jogou bem.
  • Contra uma Chapecoense extremamente limitada, foi suficiente. Contra adversários melhores e, principalmente, pensando na decisão do Grenal pela Copa do Brasil, talvez não seja. O Grêmio venceu, mas continua deixando a sensação de que seus principais problemas estão exatamente no mesmo lugar. E é isso que torna uma vitória aparentemente tranquila também bastante preocupante.
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