Único luso a jogar no Lillestrom saiu por <i>doping</i>: «Parecia que tinha matado alguém» | OneFootball

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·16 de setembro de 2026

Único luso a jogar no Lillestrom saiu por <i>doping</i>: «Parecia que tinha matado alguém»

Imagem do artigo:Único luso a jogar no Lillestrom saiu por <i>doping</i>: «Parecia que tinha matado alguém»

É já esta quarta-feira que o Torreense, vencedor da última edição da Taça de Portugal, faz a sua histórica estreia na Liga Europa. Os foliões de Torres Vedras, que militam atualmente na Segunda Liga, visitam os noruegueses do Lillestrom.

Desconhecido para boa parte do público português, este clube dos arredores de Oslo - capital da Noruega - é considerado um dos maiores daquele país, contando no seu palmarés com cinco campeonatos e sete Taças da Noruega. Mesmo assim, no alto dos seus 109 anos de história, tem uma escassa ligação a Portugal.


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Para começar, nunca teve um único treinador principal luso na sua já longa história - apesar da aposta recorrente em técnicos estrangeiros. A isto junta-se o facto de, em toda a sua história, ter tido apenas UM jogador português. Falamos de Daniel Fernandes, antigo guarda-redes e internacional português.

«O Lillestrom tem o melhor campo da Noruega»

Atualmente, com 42 anos, Daniel Fernandes terminou a sua longa carreira em 2023. Nascido no Canadá, foi um globetrotter que passou por Países Baixos, EUA, Espanha, Alemanha, Grécia, Roménia e Malta. Pelo meio, esteve um ano na Noruega. Ano esse - em 2017 - que deu muito que falar, uma vez que realizou apenas quatro jogos e esteve um ano suspenso por ter acusado doping.

«Fui porque era casado com uma norueguesa e tinha um filho lá, aproveitei para matar saudades. Apesar do problema que tive, foi uma boa experiência. O clube é muito familiar, os diretores e as pessoas são todos amigáveis e tem uma boa massa adepta histórica. É um clube bem conhecido na Noruega, que tem um estádio com boa relva. Lá na Noruega há poucos campos com relva. É uma boa cidade», começa por contar ao zerozero o antigo guardião, indo mais longe:

«A estrutura do Lillestrom tem tudo, o campo do clube é o melhor da Noruega. O problema da Noruega são as temperaturas, que afetam a forma como o campeonato é programado. É complicado para nós jogadores. Têm campos fechados para jogar quando está muito frio, com muito boas condições. Ainda assim, quem vem de fora sente a diferença. Com gelo, treinas no interior e em sintético

A história de Daniel Fernandes na Noruega tem pormenores relevantes. Chegou em 2017, realizou quatro jogos e acabou suspenso por um ano, por ter acusado positivo no controlo antidoping a uma substância proibida no país. Contudo, não é propriamente uma das substâncias em que se pensa logo quando se fala neste tema, daquelas que melhoram a performance de um atleta.

No caso, falamos de dextroanfetamina, um medicamento habitualmente utilizado no tratamento de défice de atenção, também conhecido como ADHD. O seu consumo era permitido, desde que notificado antecipadamente às entidades responsáveis, algo que Daniel Fernandes não fez, na altura.

«Eu estava a estudar, então pensei que nunca seria chamado naqueles dois meses que me faltavam para o controlo antidoping. Fui chamado, fui honesto e penalizado por um ano. Mas o clube tratou-me muito bem. A parte do Governo e do controlo antidoping é que foi mais duro. Por um lado foi bom, porque fui obrigado a conhecer o outro lado da vida de um atleta. Fiquei fora do futebol, tive tempo para pensar. Foi uma experiência difícil, mas, por outro lado, incrível. Sem problemas, não há vida. Se alguém estiver sentado em casa sem problemas, isso é o maior problema. No futebol, não tens só vitórias», esclarece-nos.

«Só piora o meu rendimento. Fui castigado por algo que não me estava a ajudar como jogador, mas são as leis. Tive de aprender a realidade da cultura e do clube. O clube esteve muito bem comigo. O Lillestrom é um clube familiar, trata as pessoas como humanos. Fora do clube foi diferente: com essa acusação de doping, parecia que tinha matado alguém. Saía pela cidade e olhavam para mim como se tivesse matado alguém. Na Noruega são muito rígidos nesta questões do doping. Se formos a uma farmácia, quase todos os produtos são naturais. Se tem alguma substância, tens logo de ter uma prescrição. A 'droga' que eu usava era vista quase como cocaína. Aquilo explodiu com essa acusação, mas tive de dar a cara», acrescenta.

Atualmente, o antigo internacional português - em duas ocasiões - trabalha em Portugal, numa agência de jogadores. De sorriso no rosto, recorda esses tempos difíceis, que o levaram a rejeitar o convite do Lillestrom - apesar de toda a situação do doping - de permanecer no clube. Findado o castigo, reforçaria o Farense, na altura, na Segunda Liga. Era o regresso a Portugal 16 anos depois, desde que esteve na formação do FC Porto.

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