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·23 de agosto de 2026

“Vão ter que pagar”: Abel bota preço em Allan e provoca o City

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Abel Ferreira falou por 25 minutos no Nubank Parque depois da vitória por 4 a 1 sobre o Vasco e passou boa parte deles fazendo o contrário do que se espera de um treinador que acabou de golear: defendeu o adversário, cobrou a própria torcida e cravou o preço de Allan antes que o Manchester City o faça.

O preço de Allan e a garantia sobre a quarta-feira

A negociação com o Manchester City foi o assunto que abriu a entrevista. Abel não fugiu, mas mudou o eixo da conversa: em vez de falar do que perde, falou do que o mercado ainda não entendeu sobre o jogador.


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“Eu só acho que essas equipas querem um jogador como o Allan porque ele faz o que 90% dos pontas aqui não conseguem fazer, que é atacar e defender no corredor todo.”

É por isso que quem quiser levar o Allan vai ter que pagar muito. As melhores equipas do mundo não compram meio jogadores, não compram só jogadores que atacam. Compram jogadores que atacam e jogadores que defendem.

Abel Ferreira, técnico do Palmeiras

O treinador citou Pedro Neto, do Chelsea, que ele próprio treinou, como referência de preço para esse tipo de atacante — na conta dele, 100 milhões de euros. E completou:

“40 milhões para um jogador. Parabéns para a comissão técnica, parabéns para a formação do Palmeiras, parabéns para a nossa presidente, parabéns para o nosso diretor. Agora, se vai ser vendido ou não, não sei. E neste momento é nosso jogador.”

Perguntado se conta com o atacante contra o Santos, na quarta-feira, a resposta foi imediata:

“Enquanto ele for jogador do Palmeiras, conto com ele de manhã, à tarde e à noite.”

E sobre o que acontece com o time se a venda se confirmar:

“Se o Allan sair, uma coisa eu te garanto: podemos perder qualidade, mas não vamos perder competitividade. Isso eu dou-te a minha palavra.”

O que ele disse no intervalo, com nome e sobrenome

Abel contou o teor da conversa do vestiário. Não foi ajuste de quadro tático — foi provocação individual, dirigida nominalmente aos dois atacantes que depois marcaram três dos quatro gols.

“Uma das coisas que eu lhes perguntei ao intervalo foi se individualmente os jogadores do Palmeiras não são capazes de fazer mais um bocadinho. Foi quase que desafiá-los. Isto é o melhor que nós conseguimos fazer com a equipa. Isto é o melhor que tu consegues fazer, López. Isto é o melhor que tu consegues fazer, Roque.”

Ele fez questão de separar o que é responsabilidade de quem escala e o que é responsabilidade de quem joga.

“O treinador tem responsabilidade tática e essa eu assumo. Eles sabem quando as coisas não estão pela tática, eu digo-lhes: o problema hoje foi do treinador, que o treinador não ajudou os nossos jogadores. Mas eles também sabem que, como jogadores do Palmeiras, têm que ter coragem, têm que ser audazes, têm que arriscar.”

A estrutura não mudou; mudaram os nomes nas posições

Contrariando a leitura de que o Palmeiras virou o jogo com um ajuste de esquema, Abel disse que manteve exatamente a mesma saída de bola, só com outros jogadores ocupando os espaços — Agustín Giay dando largura pela direita e Allan por dentro.

“Na segunda fase eu fiz exatamente a mesma coisa, mas com jogadores diferentes. Demos uma saída a três na mesma, demos largura na mesma por um jogador por fora, metemos jogadores por dentro, não mudou absolutamente nada. O que mudou foi que os jogadores que faziam essas posições eram outros.”

Sobre os dois gols de Flaco López, de fora da área, foi ainda mais direto: creditou ao jogador, não ao plano.

“É muito mais mérito dele do que alguma coisa que tenha a ver com estrutura tática, uma alteração tática. É por isso que eles estão no Palmeiras. Por isso é que nós pagamos 8 milhões, ele agora vale 50, mas tivemos 3 anos aqui à espera dele. Com 2 anos toda a gente a assobiá-lo e a mandá-lo embora.”

O Vasco mereceu, e ele não aceitou a pergunta ao contrário

O trecho mais incisivo da entrevista veio quando o primeiro tempo foi apresentado como culpa exclusiva do Palmeiras.

“Porque é que não se dá mérito ao Vasco, que veio aqui e na primeira fase pressionou logo de uma forma fantástica o Palmeiras, que não deixou jogar? Quer dizer, os adversários são todos fracos quando jogam contra o Palmeiras.”

“Na primeira parte não posso dizer que nós tivemos algum mérito, mas o nosso adversário esteve muito bem. Vem de dois, três resultados muito bons, muito bem treinado, com bons jogadores, nos criou muitas dificuldades, sobretudo na primeira fase de construção.”

Ele acrescentou o dado de calendário que considera decisivo para explicar a queda do adversário no segundo tempo: o Palmeiras teve três dias de descanso, o Vasco teve dois.

“É perfeitamente normal que na segunda parte o nosso adversário perdesse pilhas. Porque o calendário não ajuda. Quem é que no futebol brasileiro consegue manter uma consistência o ano todo a jogar sempre bem? Nem o Chelsea, nem o City, nem o Barcelona conseguiam aqui.”

O recado à torcida sobre o primeiro tempo

Houve manifestação de impaciência da arquibancada nos 45 minutos sem gol, e Abel tratou disso sem rodeio — mas dividindo a conta com o próprio time.

“É isso que eu digo aos nossos torcedores: puxem pela equipa, sobretudo nos momentos em que falhou um passe, falhou um mau domínio. Já é difícil para o jogador, porque falhou, porque não quer falhar e falha.”

“Foi o que eu lhes disse ao intervalo: nós jogamos de dentro para fora. Nós temos que puxar pelo nosso público, envolvê-los. Tem que ser a equipa a puxar pelo torcedor.”

A resposta mais longa foi sobre a imprensa e as redes

Questionado por que o torcedor não desfruta do melhor momento da história recente do clube, o português falou por quase quatro minutos e criou uma expressão para separar o que lê do que ouve.

“Estás a falar da realidade virtual, que está aí na vossa mão, ou da realidade que nós sentimos? Estou aqui vai fazer 6 anos. Eu só tenho a agradecer por tudo o que os torcedores me falam, a mim e aos meus jogadores. Desde 2020, nenhum. Dizem: obrigado por tudo o que faz pelo Palmeiras, continue, não dê ouvidos a essa imprensa.”

“Nós estamos a viver o melhor período da história do Palmeiras. O Palmeiras sempre foi gigante, mas nunca foi tão consistente nos seus processos como é hoje.”

E revelou o que diz ao elenco quando o resultado não vem:

“Digo aos jogadores: olhem para aqui, não se deixem enganar por aquilo que vocês leem, porque aqui as notícias compram-se e vendem-se.”

“Jogar como se fôssemos amadores”

A última linha de raciocínio foi sobre pressão — e sobre por que, na leitura dele, o excesso de cobrança é o que trava o jogador jovem.

“Jogar como se fôssemos amadores, com paixão, não pensar na cobrança, meter o coração lá dentro. É jogar livre, é jogar solto, é jogar leve, é arriscar, é falhar e tentar outra vez.”

“Muitas vezes esses jogadores que vocês veem a passar maus momentos de forma é porque se cobram demais: eu não posso errar, eu não posso falhar. Sabem o que é que acontece? Vão errar, vão falhar, vão jogar mal, vão ser criticados.”

A entrevista na íntegra está na matéria com o vídeo da transmissão, e todas as coletivas do treinador ficam reunidas na página de coletivas de Abel Ferreira.

A leitura do Portal sobre a mesma partida, em vídeo, está na análise do 4 a 1 sobre o Vasco.

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