Papo na Colina
·31 de julho de 2026
Vasco, Botafogo e Flu estão entre os 9 clubes da Série A que devem a jogadores; clube nega

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·31 de julho de 2026

O momento é de paradoxo no futebol brasileiro. Os clubes nunca faturaram tanto quanto agora — e, ao mesmo tempo, nunca deveram tanto aos próprios jogadores. Um levantamento publicado pelo jornalista Jorge Nicola escancarou o tamanho do problema: nove dos 20 times da Série A têm salários, direitos de imagem ou luvas em atraso com seus atletas. E o Vasco aparece nessa relação.
Mais do que um dado isolado, o retrato revela uma tendência preocupante: todos os inadimplentes fazem parte do seleto grupo dos clubes considerados grandes do país. Ou seja, o problema não está na periferia do futebol nacional — está no seu coração.
Segundo o levantamento de Jorge Nicola, o Brasil tem 12 clubes reconhecidos como os maiores do país. Desse total, nove aparecem com algum tipo de dívida em aberto com o elenco. São eles: Atlético-MG, Botafogo, Corinthians, Fluminense, Grêmio, Internacional, São Paulo, Santos e Vasco.
Para a torcida vascaína, o dado acende um alerta. Em um cenário no qual a diretoria movimenta o mercado em busca de reforços de peso, aparecer numa lista de inadimplência com o próprio elenco expõe a delicada linha entre ambição esportiva e equilíbrio financeiro — um desafio que, como mostra o mapeamento, está longe de ser exclusividade de São Januário.
Apesar do levantamento, o Vasco sempre negou possíveis atrasos na gestão Pedrinho. O presidente sempre deixou claro que os salários estão em dia.
Grandes com pendências
Clubes do “hall dos maiores” que aparecem com salários, direitos de imagem ou luvas em atraso:
Atlético-MG · Botafogo · Corinthians · Fluminense · Grêmio · Internacional · São Paulo · Santos · Vasco
O ponto mais intrigante do levantamento é justamente o contraste. Nunca circulou tanto dinheiro no futebol brasileiro — cotas de televisão, premiações internacionais e vendas milionárias engordaram os cofres dos clubes. Ainda assim, a conta com os atletas segue no vermelho em boa parte da elite.
A explicação passa por gestões desequilibradas, folhas salariais infladas e compromissos assumidos acima da real capacidade financeira. O resultado é um ciclo em que a receita cresce, mas os gastos crescem ainda mais rápido.
A gravidade da situação já ultrapassou as fronteiras nacionais e bateu à porta da Fifa. O Botafogo, por exemplo, chegou a acumular sete punições impostas pela entidade máxima do futebol, com dívidas que passavam dos R$ 200 milhões. Sem desembolsar um centavo, o Alvinegro se livrou das penas depois que sua SAF entrou em recuperação judicial.
O Corinthians convive neste momento com três transfer bans — eram quatro até a semana passada. Já São Paulo e Santos também estão impedidos de registrar novos atletas por não terem quitado as compras de Marcos Antonio (Lazio) e Jean Lucas (Monaco), respectivamente.
O problema não se limita à primeira divisão. Na Série B, o cenário é ainda mais alarmante: 11 dos 20 clubes também acumulam salários, direitos de imagem ou luvas em atraso, segundo o mesmo levantamento de Jorge Nicola.
A criação de uma agência de Fair Play Financeiro, encarregada de fiscalizar os clubes, prometia frear a bagunça. A entidade começou a operar em 2026, mas, na prática, pouca coisa mudou.
O caso do Santos é emblemático: o clube chegou a completar três meses de direitos de imagem atrasados, quitando apenas um deles recentemente. A situação é ainda pior para os atletas emprestados. Tiquinho Soares conseguiu a rescisão na Justiça após ficar sete meses sem receber os direitos de imagem e três meses de salário em carteira. Já Patrick, emprestado ao Remo, não recebe salário em carteira desde março, e os direitos de imagem estão parados desde a virada do ano.
No Corinthians, a pendência com Memphis Depay beira os R$ 45 milhões, valor referente a bônus acumulados ao longo dos dois anos de contrato que se encerram nesta sexta-feira — prêmios ligados a títulos, jogos, gols e assistências.
Um ponto merece esclarecimento. O Vitória chegou a ser citado na relação, mas a pendência do clube baiano se restringe a um litígio pontual com o goleiro Gabriel Vasconcelos. O presidente do Leão, Fábio Mota, garantiu inclusive que os salários vêm sendo pagos com 15 dias de antecedência — o que coloca o clube em outro patamar dentro do levantamento.
Em dia — Série A
Athletico-PR · Bahia · Chapecoense · Coritiba · Cruzeiro · Flamengo · Mirassol · Palmeiras · Red Bull · Remo · Vitória
Em dia — Série B
Athletic · Botafogo-SP · Criciúma · Cuiabá · Juventude · Londrina · Novorizontino · Operário · Vila Nova
O raio-x traçado por Jorge Nicola deixa uma mensagem incômoda para o torcedor brasileiro, vascaíno ou não: em um futebol que movimenta cifras recordes, manter a casa em ordem virou tarefa para poucos. E, enquanto a conta não fecha, quem mais sente o peso são os próprios jogadores.
O raio-x traçado por Jorge Nicola deixa uma mensagem incômoda para o torcedor brasileiro, vascaíno ou não: em um futebol que movimenta cifras recordes, manter a casa em ordem virou tarefa para poucos. E, enquanto a conta não fecha, quem mais sente o peso são os próprios jogadores.
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