Papo na Colina
·12 de agosto de 2026
Vasco SAF: Advogado de Lamacchia revela detalhes bilionários da venda

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·12 de agosto de 2026

O processo de alienação do futebol do Vasco registrou novos desdobramentos operacionais. Os órgãos encarregados da fiscalização exigiram modificações no contrato submetido pelo investidor Marcos Lamacchia. Em entrevista exclusiva ao ge, o advogado André Sica confirmou que as adaptações foram efetuadas, resultando na assinatura de um aditivo e na reentrega do processo ao Poder Judiciário.
A transação passa por auditorias do clube, do tribunal e da CBF, por meio da Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol (ANRESF). A estrutura administrativa e jurídica faz do trâmite o mais vigiado do ecossistema esportivo nacional. O representante legal pontuou o nível de controle sobre a agremiação:
“A operação do Vasco é a operação mais publicizada do Brasil, ou talvez uma das mais publicizadas entre todas as operações que já houve no país.”
E seguiu:
“As pessoas reclamam muito de RJ, mas às vezes esquecem como funciona uma recuperação judicial. Os AJs, que são os administradores judiciais, analisam todo o fluxo financeiro. Só para vocês terem ideia do ponto a que chega essa fiscalização: hoje, as contratações do Vasco são levadas à ciência da magistrada. Além disso, há inúmeros profissionais e departamentos envolvidos na operação e mais de três ou quatro escritórios de advocacia.”
As intervenções pontuais atendem solicitações dos administradores judiciais e do agente fiscalizador (watchdog). As demandas incluíram a diminuição do break-up fee, encargo financeiro imputado ao Vasco em eventual derrota de Marcos Lamacchia no leilão. Houve exigência de garantias suplementares para suprir eventual inconsistência na comprovação de capacidade financeira durante a recuperação judicial.
O documento revisado discriminou a ordem dos pagamentos e incorporou os honorários das assessorias jurídicas nos custos operacionais da recuperação judicial. André Sica revelou a repartição orçamentária projetada para a compra do Vasco:
“Os valores não poderiam ser mais claros. São R$ 500 milhões carimbados para o futebol. São R$ 150 milhões carimbados para o CT. O perdão de R$ 80 milhões da dívida do empréstimo. O pagamento de dívidas concursais e extraconcursais de aproximadamente R$ 1,3 bilhão. A cobertura de todo o déficit de caixa dos próximos cinco anos, hoje estimado em aproximadamente R$ 300 milhões por ano, que dá R$ 1,5 bilhão.”
O contrato prevê a destinação de um assento para o Vasco no Conselho de Administração da SAF. Além das garantias estatutárias e legais asseguradas às associações com mais de 10% de participação acionária, o representante indicou que o encerramento do processo concorrencial é previsto para o término de setembro. A abertura do edital depende unicamente da assinatura da magistrada responsável pelo processo.

Pedrinho, presidente do Vasco, e Marcos Lamacchia – Fotos: Reprodução
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