Vazou o valor que impediu o Cebolinha de voltar ao Grêmio
Everton Cebolinha não vai jogar no Grêmio. Ele vai para o Santos. Mas agora apareceram os valores da negociação que aconteceu com o Tricolor e eles ajudam a entender por que o negócio não saiu. E aqui é importante deixar bem claro: não existe mais possibilidade de Cebolinha vir para Porto Alegre neste momento. A história serve para mostrar o que o Grêmio colocou na mesa, o que o jogador pediu e onde as duas partes acabaram se distanciando.
O Grêmio realmente se empolgou quando apareceu a possibilidade de Cebolinha ficar livre do Flamengo. A direção entendeu que poderia fazer um esforço e apresentou uma proposta de aproximadamente R$ 1,1 milhão por mês, somando salário CLT e direitos de imagem, com contrato até o final de 2027. Era um vínculo relativamente curto, de pouco mais de um ano, e sem luvas. Ou seja, aquele R$ 1,1 milhão seria basicamente o custo mensal do jogador para o clube, sem uma premiação grande simplesmente pela assinatura.
Cebolinha e seu empresário enxergaram a negociação de outra forma. Para o restante de 2026, o pedido era de aproximadamente R$ 1,2 milhão mensais. Até aí a diferença não era absurda. O problema começa a aumentar para 2027 e 2028. O atacante queria um contrato até o fim de 2028, com salário na casa dos R$ 1,3 milhão por mês nas duas temporadas seguintes. Além disso, existiria uma cláusula de aumento caso o Grêmio disputasse a Libertadores. Nesse cenário, o salário poderia chegar a aproximadamente R$ 1,5 milhão no ano em que o clube estivesse na competição.
Então já existia uma diferença importante, mas ainda parecia algo negociável. Dá para imaginar uma conversa do tipo: “Cebolinha, tu quer R$ 1,3 milhão, o Grêmio oferece R$ 1,1 milhão, vamos fechar no meio do caminho”. O grande problema foram as luvas. O jogador queria R$ 5 milhões pela assinatura do contrato. Desse valor, aproximadamente R$ 1 milhão teria que ser pago à vista no momento da assinatura e os outros R$ 4 milhões poderiam ser parcelados durante o vínculo, seja mensalmente, trimestralmente ou em parcelas maiores.
E aí a conta começou a ficar pesada demais para o Grêmio. Além do salário, dos direitos de imagem e das luvas, ainda existiria comissão para o empresário, estimada em algo próximo de R$ 3 milhões. Quando tu junta tudo, a operação deixa de ser simplesmente um jogador ganhando R$ 1,2 milhão ou R$ 1,3 milhão por mês. O pacote começa a ficar muito maior. E a informação é que principalmente os R$ 5 milhões de luvas fizeram a direção agradecer a possibilidade, dizer “valeu, mas não vai dar” e sair da negociação.
Isso não significa que Cebolinha não tenha dado prioridade ao Grêmio. Pelo contrário. Ele sempre deixou claro que, ficando livre no Brasil, gostaria de conversar primeiro com o clube onde foi formado. O Flamengo foi uma situação diferente porque pagou uma fortuna para tirá-lo da Europa, coisa que o Grêmio não tinha condição de fazer naquela época. Agora, com uma possível saída sem grande custo de transferência, Cebolinha procurou o Tricolor e negociou. Só que prioridade não significa aceitar qualquer valor. O Grêmio também colocou seu limite.
A direção foi até aproximadamente R$ 1,1 milhão e não quis assumir um pacote maior. Cebolinha queria algo começando em R$ 1,2 milhão, subindo para R$ 1,3 milhão, com possibilidade de R$ 1,5 milhão em caso de Libertadores, além dos R$ 5 milhões de luvas. A distância ficou considerável. E, pelo que foi apurado, até poderia existir algum consenso no salário. O que realmente travou foi a premiação pela assinatura.
Aí apareceu o Santos. E o formato é completamente diferente. Cebolinha deve assinar apenas até o final da temporada, algo em torno de três ou quatro meses. Como o contrato é muito curto, o salário mensal pode ser bem maior, na casa dos R$ 2 milhões. Existe possibilidade de renovação depois, mas tudo também dependerá da situação do Santos, inclusive de permanecer na Série A.
É curioso porque aconteceu algo parecido com Arthur. No Grêmio, a negociação era por um vínculo maior, com discussão de valores e compromisso de longo prazo. No Santos, aparece um contrato curto, salário alto e a possibilidade de resolver tudo novamente no fim do ano. E existe obviamente o fator Neymar nessa história. Jogadores querem atuar com ele, o Santos está montando um grupo muito caro para tentar salvar sua temporada e vai juntando nomes como Arthur, Cebolinha e o próprio Neymar.
Então a história de Cebolinha no Grêmio termina, pelo menos agora, assim: houve conversa, houve proposta e existiu interesse real dos dois lados. O Grêmio ofereceu aproximadamente R$ 1,1 milhão mensais até 2027. Cebolinha pediu um contrato maior, salários mais altos, possibilidade de reajuste por Libertadores e principalmente R$ 5 milhões em luvas. A direção entendeu que o pacote ficou caro demais e abriu mão.
Não foi falta de vontade do jogador de voltar. Também não foi simplesmente o Grêmio dizendo que não queria Cebolinha. Foi dinheiro. As partes sentaram, colocaram seus números na mesa e não chegaram a um ponto em comum. Agora ele segue para o Santos e o Grêmio continua com a política de tentar frear contratos muito pesados, mesmo quando aparece um jogador que conhece o clube, tem identificação com a torcida e poderia chegar para ser importante imediatamente.