Jornal do Fla
·15 de julho de 2026
Venda de Da Mata expõe padrão na base do Flamengo: muita minutagem, pouco retorno

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·15 de julho de 2026

A venda do zagueiro Da Mata ao Konyaspor, da Turquia, é mais um capítulo de um movimento que se repete há anos na base do Flamengo: jogadores que recebem grande volume de minutos no sub-20, mas praticamente não são aproveitados no time profissional antes de deixarem o clube.
Da Mata, de 20 anos, foi titular do sub-20 nas últimas temporadas, mas teve poucos minutos no time principal. Ele estava no último ano de contrato e foi negociado por um valor considerado baixo. A operação gira em torno de 300 mil dólares, mas o Fla tem direito a U$ 75 mil e mantém 30% dos direitos.
O caso não é isolado. Nomes como João Alves, Carbone, Pedro Leão, Pedrinho, Diegão e Luiz Henrique seguiram o mesmo caminho nos últimos anos. Somam muitos jogos e minutos pela base, pouca chance no profissional e saída do clube por valores baixos.
O questionamento foi levantado primeiro por torcedores, e cruzar os números de minutagem desses jogadores na base com o que tiveram de oportunidade no profissional evidencia um padrão.
O Flamengo costuma dar muitos minutos a atletas no fim da idade de base, o que indica prioridade para aspectos físicos visando bons resultados, mas boa parte deles é negociada sem nunca ter sido testada de fato no profissional. Além disso, o reflexo é o clube também não obter retorno financeiro relevante.
Isso porque, não se trata de promessas negociadas muito jovens para clubes europeus. São jogadores que cumprem todo o ciclo de formação como titulares, chegam ao fim do contrato de base e saem de graça ou por valores considerados baixos, a exemplo do próprio Da Mata.
João Alves, da geração 2005, somou 57 jogos e mais de 3.400 minutos pelo sub-20 entre 2023 e 2025, mas disputou apenas 5 jogos e 152 minutos no profissional. Em seu último ano de base e contrato, foram 29 partidas (25 como titular) antes de se transferir direto para o Al-Wasl, com o Flamengo mantendo só um percentual sobre o atleta.
Carbone, mesma geração, disputou 51 jogos e mais de 3.200 minutos na base, com apenas uma partida oficial e 10 minutos no time principal, antes de seguir para o Lugano. Pedro Leão, também 2005, nunca chegou a jogar pelo profissional apesar de 56 jogos e mais de 3.400 minutos pelo sub-20. Foi artilheiro da equipe, com 20 gols, em seu último ano de contrato, e acabou negociado direto com o Orlando City,
Casos mais antigos mostram que o padrão não é recente. Pedrinho, da geração 2003, disputou 65 jogos pelo sub-20 ao longo de quatro temporadas, chegou a ser relacionado três vezes ao profissional, mas encerrou o contrato sem sequência e seguiu para o time B do FC Dallas.
Diegão, também 2003, acumulou 86 jogos e mais de 7.100 minutos na base entre 2019 e 2024, com apenas três partidas e 209 minutos no time de cima. Luiz Henrique, geração 99, soma 82 jogos e quase 5.900 minutos pelo sub-20, chegou a jogar duas partidas do Carioca já fora da idade de base, mas viu o liberá-lo para o Fortaleza.
Os casos listados não significam, necessariamente, que esses jogadores deveriam ter sido aproveitados no profissional. O que os números escancaram é uma questão de definição, que é qual o objetivo da base do Flamengo.
Um modelo possível é priorizar o desempenho do sub-20, dando minutos a atletas fisicamente mais desenvolvidos, mesmo que não sejam tratados internamente como de grande projeção, e negociá-los ao fim do ciclo.
Outro é priorizar talentos ainda em desenvolvimento físico, o que pode significar resultados piores na categoria de base, mas com a aposta de que o retorno, técnico ou financeiro, apareça mais à frente, no time profissional.
Alfredo Almeida e José Boto reforçam a nova estratégia de resgatar talentos na base rubro-negra. Contudo, casos como o de Da Mata repetem processos antigos.
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O recorte da minutagem no Brasileirão deste ano ajuda a ilustrar o cenário atual. Entre os jogadores mais jovens, Evertton Araújo, de 23 anos, é o que mais atuou: 13 jogos e 849 minutos. Na sequência aparecem Wallace Yan (21 anos, 6 jogos, 43 minutos), João Victor (19 anos, 1 jogo, 71 minutos) e Joshua (19 anos, 1 jogo, 5 minutos).
Há sinais, no entanto, de que esse cenário pode mudar no segundo semestre. A intertemporada em Portugal foi vitrine para parte desses nomes. Daniel Sales recebeu oportunidades, Johnny Góes vem sendo elogiado, Daniel Thuram chamou atenção, e Lorran, de volta de empréstimo, já balançou as redes.
A expectativa da torcida é que essas movimentações se traduzam, enfim, em mais espaço para a base no returno da temporada.
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