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·02 de setembro de 2026

Vice-presidente atribui a Stabile decisão de manter departamento que seria encerrado no Corinthians

Imagem do artigo:Vice-presidente atribui a Stabile decisão de manter departamento que seria encerrado no Corinthians
  1. Por Mirella Ramos / Redação da Central do Timão

A situação envolvendo o Departamento de Integração do Corinthians ganhou um novo capítulo. Após documentos financeiros indicarem que a área não tinha recursos previstos no orçamento de 2026, uma troca de e-mails obtida pela Gazeta Esportiva mostrou que dirigentes discutiram, no início do ano, o encerramento do setor e a dispensa de seus funcionários. Armando Mendonça, vice-presidente do clube, afirmou que o processo não foi concluído por decisão do presidente Osmar Stabile.

A nova informação contrasta com a explicação apresentada anteriormente pelo Corinthians. Ao ser questionado sobre a ausência de previsão orçamentária para a Integração, o clube havia alegado que ocorreu um equívoco na elaboração do documento e sustentado que o projeto teria continuidade prevista para esta temporada.


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Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

O caso chama atenção também pelos valores envolvidos. Documentação apresentada no processo orçamentário apontou despesas de R$ 922.930 com o departamento em 2025, sem receita registrada no período. O Corinthians, por outro lado, informou anteriormente que o custo anual com recursos humanos da estrutura seria de R$ 564.128.

E-mails mostram discussão para encerrar departamento

Segundo a nova apuração da Gazeta Esportiva, as conversas internas sobre a descontinuidade da Integração ocorreram em meio ao processo de redução de despesas administrativas do Corinthians.

Em um e-mail enviado em 11 de fevereiro, Roberto Toledo, gerente de Esportes Terrestres, afirmou ter recebido da vice-presidência a informação de que o departamento seria desativado. A mensagem foi encaminhada a integrantes da administração, entre eles Armando Mendonça e André Lavieri, gerente do Departamento Financeiro.

O encerramento da Integração fazia parte de um conjunto maior de cortes. Conforme a publicação, a extinção da área, acompanhada de outros dez desligamentos distribuídos por diferentes setores, poderia representar economia próxima de R$ 2 milhões por ano para o Corinthians.

Um obstáculo trabalhista, entretanto, apareceu durante as discussões. Gustavo Lott Fonseca, coordenador administrativo da Integração, integrava a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (Cipa) e possuía estabilidade provisória.

Fábio Sader, gerente do Departamento Jurídico, recomendou que Gustavo não fosse dispensado sem justa causa diante do risco de indenização e eventual reintegração. A orientação também teria sido respaldada por Marcos Vinicius de Souza Carvalho, profissional da área de Recursos Humanos.

Diante disso, Armando Mendonça questionou internamente a possibilidade de encerrar a estrutura e manter apenas Gustavo até o término de sua estabilidade, previsto para junho.

André Lavieri apresentou outra alternativa: comunicar oficialmente o fechamento do departamento e dispensar os demais funcionários, enquanto Gustavo poderia ser realocado temporariamente para uma função administrativa já contemplada na reestruturação ou deixar o Corinthians por iniciativa própria.

Roberto Toledo respondeu que analisaria outras funções nas quais o profissional poderia atuar, pois avaliava que Gustavo não pediria seu desligamento.

Em 2 de março, quase um mês após a primeira conversa, Armando voltou a questionar por e-mail qual havia sido o desfecho da situação. O departamento, porém, permaneceu em funcionamento.

Armando Mendonça responsabiliza presidente pela continuidade

Procurado pela Gazeta Esportiva após a divulgação das informações, Armando Mendonça afirmou que tinha conhecimento de que a Integração continuava ativa, mas disse desconhecer as despesas atuais relacionadas à estrutura.

O vice-presidente também confirmou que, durante a elaboração do planejamento financeiro para 2026, havia sido definida a descontinuidade da área.

“Considerando a projeção orçamentária para 2026, construída pelo Departamento Financeiro em conjunto com o Grupo de Reestruturação Financeira à época e, posteriormente, aprovada pelo Conselho Fiscal, pelo Cori e pelo Conselho Deliberativo, no início do ano, ficou decidido pelo encerramento do Departamento de Integração. Solicitei, então, ao gerente do Departamento de Esportes Terrestres que providenciasse o seu encerramento, com as dispensas dos colaboradores”, disse Armando.

Questionado pela publicação sobre o motivo de o procedimento discutido nos e-mails não ter sido finalizado, o vice-presidente respondeu de maneira direta:

“Por decisão do presidente [Osmar Stabile].”

Ex-diretor contesta versão de erro no orçamento

As novas informações também colocam em discussão outra explicação apresentada anteriormente para o orçamento zerado da Integração.

Fredy Marcelo Auricchio Esposito, coordenador do departamento, havia atribuído a ausência de recursos no planejamento de 2026 a um erro cometido durante a gestão de Marco Polo à frente dos Esportes Terrestres. O próprio Corinthians também informou anteriormente que teria ocorrido um equívoco na inclusão dos custos da área.

Marco Polo, entretanto, negou ter cometido erro. Segundo o ex-dirigente, a retirada dos valores ocorreu porque a orientação recebida durante a preparação do orçamento era justamente descontinuar a Integração.

“Diante do cenário proposto pela Diretoria Financeira e pelo presidente quanto ao corte de custos e despesas para o orçamento de 2026, em reuniões com a equipe da Alvarez & Marsal, o Departamento Financeiro e o Grupo de Reestruturação Financeira e Administrativa do Corinthians, ficou definida a descontinuidade do Departamento de Integração. Portanto, não houve esquecimento ou erro da minha parte, como é mencionado na reportagem. Estava cumprindo o que havia sido determinado na elaboração do orçamento”, afirmou.

Ao ser perguntado sobre quem decidiu posteriormente manter o departamento, Marco Polo disse não ter condições de apontar um responsável, mas relatou que o assunto chegou à presidência depois das discussões internas.

“Não posso afirmar quem tomou a decisão final da não descontinuidade do departamento, mas depois de todo o processo feito, o Departamento Financeiro, a Alvarez & Marsal e Grupo de Reestruturação levaram o tema ao presidente.”

A Gazeta Esportiva procurou novamente o Corinthians para saber se a atual administração tinha conhecimento das discussões registradas nos e-mails, por qual motivo o processo de encerramento não avançou e qual foi a justificativa para manter a estrutura. Até a publicação da reportagem, o clube não havia apresentado uma nova resposta.

Documentos apontaram gasto de R$ 922 mil em 2025

O Departamento de Integração já havia se tornado alvo de questionamentos após a divulgação dos dados referentes ao exercício de 2025.

Conforme documentação à qual a Gazeta Esportiva teve acesso, a estrutura acumulou R$ 922.930 em despesas no período e não apresentou receita. Desse total, R$ 866.930 estavam relacionados a pessoal, enquanto outros R$ 56 mil correspondiam a serviços.

Atualmente, quatro profissionais integram a estrutura: Fredy Marcelo Auricchio Esposito, coordenador de Integração do Futebol de Base; Gustavo Lott Fonseca, coordenador administrativo; Wagner Rivera Rodrigues, supervisor de captação; e Matheus Marques Teles, treinador de futebol.

Segundo os números presentes no documento, considerando remuneração, encargos, férias e 13º salário, Fredy representaria um custo mensal de R$ 28.248, enquanto Gustavo corresponderia a R$ 22.625. Wagner teria custo de R$ 13.986 por mês e Matheus, de R$ 7.386.

Somados no período anual, os custos relacionados aos quatro profissionais resultariam nos R$ 866.930 indicados na rubrica de pessoal.

O Corinthians contesta essa cifra. Em manifestação anterior, o clube informou que a despesa anual com recursos humanos do departamento seria de R$ 564.128. A diferença entre os valores apresentados pela documentação e pelo clube ainda não foi esclarecida.

Departamento foi criado em 2024

A Integração surgiu em março de 2024, durante a presidência de Augusto Melo. Na ocasião, o Corinthians apresentou a área como uma estrutura destinada ao desenvolvimento de jovens das categorias Sub-11 ao Sub-17 e à aproximação entre o Futebol de Base, o Chute Inicial, rede oficial de escolas do clube, e o Cifac, campeonato interno destinado aos associados.

Em posicionamento anterior, o Corinthians explicou que o departamento também realiza avaliações de jovens provenientes do quadro social, do Chute Inicial, de indicações de associados e de processos externos, além de acompanhar jogadores com pouca minutagem nas categorias de formação.

Após uma avaliação positiva na Integração, o atleta é encaminhado para uma nova análise no Futebol de Base, que fica responsável pela decisão sobre uma eventual aprovação.

O clube também informou que três atletas estavam em período de testes e citou o projeto “Clínicas”, pensado como uma possibilidade futura de geração de receitas por meio de atividades e torneios em parceria com o Chute Inicial no exterior.

Caso ocorre em meio à tentativa de redução de despesas

A discussão sobre a permanência do departamento acontece enquanto o Corinthians atravessa um processo de reorganização financeira e busca diminuir seus custos administrativos.

O próprio conteúdo dos e-mails divulgados indica que a possível extinção da Integração fazia parte de um planejamento mais amplo de redução de despesas. Além disso, o orçamento aprovado para 2026 apresentava valores zerados para receitas e gastos da área.

A nova versão apresentada por Armando Mendonça acrescenta, portanto, um elemento ao caso: segundo o vice-presidente, o encerramento havia sido efetivamente determinado dentro do planejamento, mas não foi executado por uma decisão de Osmar Stabile.

Com versões diferentes apresentadas por integrantes e ex-integrantes da administração, ainda resta esclarecer por que a orientação inicial foi alterada, qual é o custo efetivo do departamento em 2026 e de que maneira sua manutenção passou a ser contemplada financeiramente depois da aprovação de um orçamento que não destinava recursos à estrutura.

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