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·09 de julho de 2026

Virginia Fonseca é processada pelo MP por prática abusiva em bet

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O mercado das apostas esportivas voltou ao centro de uma disputa judicial nesta quinta-feira (09). O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ajuizou uma ação civil pública contra a influenciadora Virginia Fonseca e a plataforma Blaze, pedindo uma indenização de, no mínimo, R$ 120 milhões por danos morais coletivos.

Segundo informações confirmadas pelo portal g1, o órgão acusa a empresa de adotar práticas comerciais abusivas e sustenta que a divulgação feita por Virginia teria contribuído para atrair consumidores em situação de vulnerabilidade econômica.


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Ministério Público aponta práticas abusivas

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Na ação, o MPDFT afirma que a Blaze utilizava estratégias consideradas predatórias para manter usuários na plataforma. Entre elas estariam a retenção sistemática de valores depositados, bloqueios injustificados de contas e metas de apostas consideradas inalcançáveis para liberação de recursos.

De acordo com o Ministério Público, celebridades como Virginia Fonseca eram utilizadas para transmitir uma imagem de confiança e incentivar o público a acreditar na possibilidade de ganhos fáceis e geração de renda extra por meio das apostas.

Mais de 42 mil reclamações

O processo reúne duas investigações conduzidas pelo MPDFT. Além dos relatos enviados por consumidores, o órgão utilizou um levantamento técnico que contabilizou mais de 42 mil reclamações formais registradas contra a Blaze.

Para aprofundar a apuração, servidores do próprio Ministério Público criaram contas na plataforma e acompanharam seu funcionamento. Segundo o órgão, a investigação identificou campanhas promocionais constantes, com mensagens de urgência e forte apelo emocional para incentivar novas apostas.

Histórico da influenciadora

Virginia Fonseca já havia sido ouvida em maio de 2025 pela CPI das Bets, no Senado Federal.

Na ocasião, afirmou que não se arrependia das campanhas publicitárias realizadas, disse que sempre alertou seus seguidores sobre os riscos das apostas e negou que seus contratos previssem a chamada “cláusula da desgraça” — mecanismo que prevê remuneração ao influenciador com base nas perdas financeiras dos usuários.

Em junho deste ano, o Prodecon também solicitou acesso aos contratos firmados entre Virginia e a Blaze.

Além da indenização de R$ 120 milhões, a ação solicita que a Justiça determine:

  • retirada imediata de campanhas que prometam ganhos garantidos ou renda extra;
  • proibição de publicidade considerada enganosa sobre apostas;
  • realização de campanhas educativas alertando sobre os riscos do vício em jogos e do superendividamento.

Defesa de Virginia

Em nota divulgada ao g1, o advogado Sanderson Mafra afirmou que a influenciadora tomou conhecimento da ação pela imprensa e que responderá oficialmente quando for intimada.

A defesa negou qualquer prática irregular.

“Refutamos as alegações, especialmente qualquer afirmação de conluio, atuação predatória ou intenção de causar prejuízo. A responsabilização deve ser baseada em provas, e não na condição de pessoa pública da influenciadora.”

Posicionamento da Blaze

Também em nota enviada ao g1, a Blaze informou que ainda não havia sido formalmente intimada.

A empresa declarou que suas operações seguem princípios de transparência, conformidade com a legislação e práticas de jogo responsável, acrescentando que apresentará seus esclarecimentos à Justiça assim que receber oficialmente a notificação.

A ação ainda será analisada pela Justiça do Distrito Federal. Se aceita integralmente, poderá resultar em uma das maiores condenações já propostas envolvendo publicidade de plataformas de apostas no Brasil.

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