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·13 de junho de 2026

Vistos geram crise na delegação iraniana antes da estreia na Copa

Imagem do artigo:Vistos geram crise na delegação iraniana antes da estreia na Copa

A seleção do Irã enfrenta uma crise logística e diplomática antes da estreia na Copa do Mundo. Mahdi Mohammad Nabi, supervisor da equipe, criticou a Fifa e o presidente da entidade, Gianni Infantino, por falta de coordenação no processo de vistos para integrantes da delegação iraniana. A informação foi publicada pela Reuters nesta sexta-feira (12).

Segundo a agência, 15 integrantes da federação iraniana não receberam vistos dos Estados Unidos. Por isso, a seleção também precisou mudar sua base de treinos. Inicialmente, a delegação trabalharia em Tucson, no Arizona. No entanto, diante do impasse, o grupo transferiu a preparação para Tijuana, no México.


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Apesar disso, os jogadores receberam vistos antes da estreia. Ainda assim, parte da equipe de apoio e jornalistas ficou fora da operação. Nabi cobrou a Fifa publicamente e apontou falhas na organização do processo. Além disso, o dirigente direcionou as críticas a Infantino, ao afirmar que a entidade não coordenou a situação de forma adequada.

O caso ocorre em meio a um cenário de tensão política envolvendo o Irã e os Estados Unidos. Como consequência, a preparação da seleção ganhou contornos que vão além do campo. A equipe chega à Copa com deslocamentos mais complexos, limitações de permanência em território americano e atenção redobrada em torno de sua rotina.

Ainda de acordo com a Reuters, a mudança para Tijuana alterou o planejamento iraniano na reta final antes da estreia. A cidade mexicana passou a funcionar como base de treinos da seleção. A delegação, portanto, precisará administrar deslocamentos para cumprir compromissos relacionados ao torneio.

A situação também ampliou o debate sobre a responsabilidade da Fifa na organização da Copa. Para o dirigente iraniano, a entidade deveria ter conduzido melhor a interlocução necessária para garantir a entrada de todos os integrantes credenciados. Até o momento, a questão dos vistos afeta principalmente membros da federação, funcionários de apoio e profissionais de imprensa.

Divisão entre torcedores

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Após problemas diplomátcos, iranianos estão divididos a respeito da participação do país na Copa do Mundo – Foto: reprodução de video

Além dos problemas logísticos, a seleção iraniana também enfrenta um ambiente político sensível entre torcedores nos Estados Unidos. Parte da comunidade iraniano-americana vive um dilema diante da presença da equipe na Copa do Mundo.

A situação aparece com mais força em Los Angeles, especialmente na região conhecida como “Tehrangeles”, onde vive uma numerosa comunidade de origem iraniana. Enquanto alguns torcedores pretendem apoiar a seleção, outros defendem boicote aos jogos. Para esse grupo, a equipe nacional funciona como instrumento de propaganda do regime iraniano.

Desse modo, a participação do Irã no Mundial também passou a dividir a diáspora. Por um lado, há torcedores que separam a seleção do governo e veem os jogos como uma oportunidade de manter vínculo cultural com o país de origem. Por outro, há iraniano-americanos que rejeitam qualquer demonstração pública de apoio à equipe neste momento.

A Reuters relatou que a guerra e o contexto político recente ampliaram esse desconforto. Assim, a seleção entra em campo sob pressão dupla. Dentro da estrutura do torneio, o grupo precisa lidar com vistos, logística e deslocamentos. Fora dela, a equipe convive com questionamentos sobre o significado de representar o Irã em solo norte-americano.

A estreia, portanto, ocorrerá em meio a um ambiente incomum. A preparação esportiva segue cercada por temas diplomáticos, protestos potenciais e divisões entre torcedores. Enquanto isso, os jogadores tentam manter o foco na competição, mesmo com parte da delegação ainda afetada pelas restrições de entrada nos Estados Unidos.

O Irã está no Grupo G da Copa do Mundo, ao lado de Bélgica, Egito e Nova Zelândia. A seleção estreia contra a Nova Zelândia e, na sequência, enfrenta Bélgica e Egito pela primeira fase.

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